Breve Introdução à Geração Sem Futuro (2)

E um olhar mais globalizado…

«Há uma boa chance de que os jovens que estão crescendo no moderno mundo conectado de hoje se tornem pessoas capazes de decisões ágeis e brilhantes, caso não se transformem em indivíduos incapazes de se concentrar pelo tempo necessário para ler um bom livro.

É o que dizem 1.021 profissionais da tecnologia, críticos e estudantes pesquisados pelo Pew Research Center. Eles se dividem praticamente meio a meio sobre o impacto da tecnologia onipresente em adolescentes e jovens da chamada “geração Y”.

Na pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (29), 55% dos respondentes concordaram com a declaração de que, em 2020, os cérebros dos jovens terão “conexões” diferentes dos cérebros de pessoas com mais de 35 anos, permitindo bons resultados em termos de se localizar respostas rapidamente.

Mas 42% dos entrevistados se declararam pessimistas, concordando com a afirmação de que, em 2020, os jovens usuários de tecnologia se distrairão facilmente, não terão capacidade para raciocínio em profundidade e se preocuparão apenas com satisfação instantânea.

“Existe uma tensão entre os aspectos positivos e negativos daquilo que prevemos”, disse Janna Anderson, professora associada da Universidade Elon, na Carolina do Norte, e uma das responsáveis pelo estudo. “No momento, muitos dos entrevistados respondem que a vida deles já é assim. Estão todos antecipando que seja esse o desfecho”, disse ela à Reuters.

As previsões da pesquisa atraem atenção porque um levantamento semelhante realizado no começo dos anos de 1990 previu com precisão os conflitos que surgiriam entre a tecnologia online e os direitos autorais, as instituições estabelecidas e a proteção da privacidade, disse Anderson.

Os entrevistados ofereceram previsões coerentes sobre a capacitação de que os jovens necessitarão em 2020. Entre elas estão a capacidade de solução de problemas de maneira colaborativa; a busca efetiva de informação on-line; e a avaliação da qualidade dessa informação.

“Em contraste, a capacidade de ler alguma coisa e refletir seriamente sobre ela durante algumas horas não será desimportante, mas terá menos importância, para a maioria das pessoas”, disse Jonathan Grudin, diretor de pesquisa da Microsoft e um dos entrevistados no levantamento, em um comentário citado pelo Pew.

Muitos dos pesquisados apóiam reformas educacionais para tornar jovens distraídos mais capazes de se concentrar e lidar com tecnologias de conexões sempre ativas. Entre as sugestões estão espaços de descanso, meditação, áreas de silêncio e períodos afastados de dispositivos conectados à Internet.

Alvaro Retena, importante especialista em tecnologia da Hewlett-Packard, previu estagnação da tecnologia e mesmo na literatura, como resultado da redução dos períodos de concentração.

A pesquisa foi realizada online entre 28 de agosto e 31 de outubro de 2011. Quarenta por cento dos pesquisados são cientistas ou funcionários de uma faculdade ou universidade e 12% trabalham para companhias de tecnologia da informação. (…)»

G1 (29/02/2012) (1)

«El mileurista es aquel joven, de 25 a 34 años, licenciado, bien preparado, que habla idiomas, tiene posgrados, másteres y cursillos. Normalmente iniciado en la hostelería, ha pasado grandes temporadas en trabajos no remunerados, llamados eufemísticamente becarios, prácticos (claro), trainings, etcétera. Ahora echa la vista atrás, y quiere sentirse satisfecho, porque al cabo de dos renovaciones de contrato, le han hecho fijo, en un trabajo que de alguna forma puede considerarse formal, “lo que yo buscaba”. Lleva entonces tres o cuatro años en el circuito laboral, con suerte la mitad cotizados. Y puede considerarse ya un especialista, un ejecutivo; lo malo es que no gana más de mil euros, sin pagas extras, y mejor no te quejes.

El mileurista hace tiempo que decidió irse de casa, y gasta más de un tercio de su sueldo en alquiler, porque le gusta disfrutar de la gran ciudad. Comparte piso con más gente, a veces es divertido, pero ya cansa. “Yo en 30 metros me apañaría”.

El mileurista no ahorra, no tiene casa, no tiene coche, no tiene hijos, vive al día. A veces es divertido, pero ya cansa. El mileurista ha ido a “Europa” este verano, en uno de esos vuelos baratos donde te hablan de tú, y ha dormido en un hostal joven (qué divertido). El mileurista ha pagado lo mismo por un café, incluso menos por la comida, que en su ciudad. Pregunta, investiga y allí los alquileres son parecidos, y piensa que España está ya al nivel europeo.

Pero lo malo es que se ríen cuando dice que gana “nine hundred and ninety seven euros”.»

Carolina Aguacil (21/08/2005) (2)

«(…) nteressante notar que vivemos  no Brasil uma situação oposta a vivida por essa geração de espanhóis. O Brasil apresenta um cenário de crescimento econômico e aumento do trabalho formal, além de constantes aumentos na remunaração do trabalho. Contudo, em praticamente todas as áreas da economia que exigem mão de obra qualificada, a falta de trabalhadores é sensível e limita um crescimento econômico ainda maior do que o atual. A falta de mão de obra qualificada reflete uma série de falhas em nosso planejamento político e econômico. Crescemos economicamente sem nenhum preparo prévio em uma área fundamental para a sustentabilidade do crescimento: a educação. Consequentemente, nosso crescimento se vê atrelado à manutenção de uma estrutura arcaica que não conseguirá se sustentar por muito tempo, principalmente em uma economia global extremamente competitiva.

Comparemos o nosso cenário com a atual situação da economia e política chinesa. O Partido Comunista Chinês vive uma encruzilhada. Precisa manter seu crescimento econômico acelerado. Contudo, tal crescimento aumenta dentro do país a visibilidade de um padrão de vida melhor em termos de consumo. A grande questão é que esse padrão de consumo é a realidade de uma ínfima parcela da população. O resultado: é cada vez maior a pressão popular por uma melhor e maior distribuição de renda no país. Em se tratando da China, esse resultado é assustador, pois significa um questionamento popular sobre os rumos do governo, fato impensável para a cúpula do Partido.

Pois bem, somando Espanha e China, vemos dois cenários interessantes.

Na Espanha o estado de bem-estar social está sendo desmantelado pela crise. Contudo, como sua estrutura era de uma solidez inquestionável, seu desmantelamento não acontece de forma imediata. A educação continua sendo um ponto forte das políticas públicas e a qualificação da mão de obra é uma constante. O problema principal é que, com a crise, não há como alocar essa mão de obra qualificada em atividades que remunerem de forma adequada a sua formação.

Na China, o crescimento econômico é do Estado, não da população. Mesmo com toda a censura, hoje é praticamente impossível alijar o cidadão de informações que demonstrem a ele a condição chinesa de crescimento: crescer sem distribuir. O resultado: a pressão popular por uma mudança no padrão chinês de crescimento é cada vez maior, assustando os altos dirigentes do Partido Comunista Chinês.

E o Brasil?

Aqui, temos uma oportunidade única. O nosso crescimento econômico se dá por uma série de fatores, a maioria ligada ao  atual cenario de crise econômica. É inegável que a política econômica desenvolveu fundamentos sólidos para se proteger da crise. E é exatamente nesse momento que surge o questionamento: qual o papel do Estado nesse contexto?

O Estado, pelo menos em tese, deveria promover a proteção e o bem-estar do cidadão. Para tanto, um momento de crescimento econômico como esse deveria trazer a tona uma questão fundamental:

Como reverter esse crescimento em benefícios diretos para a população e permitir a estruturação de uma sociedade inclusiva?

Não é necessário ser um economista formado para perceber que o Estado não tem feito quase nada para responder essa questão. É nitido que o Estado brasileiro em todas as suas esferas (federal, estadual e municipal) não se preocupa com a questão da inclusão como deveria. Há alguns anos, ouvíamos que não era possível adotar políticas concretas de inclusão devido à nossa condição de “subdesenvolvidos”. Porém, diante de retóricas que anunciam o Brasil como uma potência em plena formação e considerando que tais retóricas tem um mínimo de verdade, tal argumento é risível. O Estado dispõe de capital para tais tarefas. O problema central está na alocação desse capital: eventos esportivos megalomaníacos e que não se reverterão em processos de inclusão, construção de transportes “públicos” que pelo seu preço de utilização não possuem nada de inclusivos, abandono da educação pública em todos os níveis (do ensino fundamental ao superior), abandono da saúde pública e a manutenção de privilégios políticos que rompem completamente com o princípio da isonomia e da cidadania (isso sem falar na corrupção).

Tanto na China como na Espanha, dentro dos limites permitidos por cada governo, assistimos a uma crescente insatisfação da população com a falta de mudanças em cenários que não atendem aos seus interesses. No caso do Brasil, temos a oportunidade de exigir que o momento de crescimento econômico que vivemos seja revertido em um processo de inclusão de fato, duradouro e sustentável. Porém, se o Estado nada faz nesse sentido, o que nós, cidadãos, temos feito? (…)»

Rodolfo (11/03/2012) (3)

(Continua...)

(1) Com Reuters.

(2) Testemunho publicado no El País.

(3) Blogue História Online.

Fonte da Imagem: Design + Tecnologia = Inovação.

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Breve Introdução à Geração Sem Futuro (1)

Algumas notícias a propósito da passagem de um ano sobre os protestos de 12 de Março…

«Há um ano, 200 mil pessoas saíram à rua em protesto contra a precariedade e desemprego. Identificavam-se com uma nova expressão: Geração à Rasca.

Passado um ano, Portugal ganhou um novo Governo e também medidas de austeridade ainda mais duras do que aquelas que eram alvo de queixas. Já nessa altura, muitas vozes de jovens davam conta de que o futuro em Portugal não tinha… futuro.

Nunca como agora Portugal teve tantos jovens licenciados e com níveis elevados de instrução, mas o desemprego atinge mais de trinta por cento dos jovens, estatísticas que não param de aumentar, sempre com valores recorde.

Que futuro? Emigrar, sugeriu Passos Coelho. Será que foi isso que fez a Geração à Rasca?»

TVI24/PO (12/03/2012) (1)

«A manifestação da Geração à Rasca foi um “termómetro social”, para o politólogo Adelino Maltez. Um termómetro que mediu a temperatura da força política dos cidadãos. Um termómetro que mostrou que a participação cívica e política não se esgota nas esferas partidárias.

E o mercúrio chegou ao topo do termómetro que mede a força dos cidadãos. “Em Portugal, um dos caminhos que se fez foi mostrado por este movimento: a potência de mobilização cidadã era maior do que aquela que já se encontra organizada nas formas clássicas de organização”, considerou ao Negócios José Soeiro, do Bloco de Esquerda.

“Não temos dúvidas de que os movimentos de jovens vão além da esfera partidária”, diz também Tiago Vieira, da direcção nacional da Juventude Comunista Portuguesa.

“A manifestação demonstrou que os jovens estavam interessados em participar, mas que os modelos disponíveis não estavam adaptados a eles. Tentámos mudar essa relação, e os partidos perceberam que têm de lidar de forma diferente com a sociedade civil”, resume Pedro Alves, da Juventude Socialista.

(…) Do outro lado do espectro político, a resposta à mobilização cidadã atravessa uma nova forma de comunicação. “A nossa forma de fazer política passa agora por contactar os jovens de forma mais directa, através das redes sociais. É uma forma mais fácil de os contactar”, revela Michael Seufert, que era o líder da Juventude Popular a 12 de Março de 2011. Mais do que participar em manifestações – o agora deputado popular não esteve no protesto de há um ano –, o importante é mostrar e debater ideias. (…)»

Bruno Simões (12/03/2012) (2)

«Se quisermos saber qual foi a consequência do protesto – ainda que possa não ter sido a sua orientação original –, o politólogo José Adelino Maltez tem uma resposta rápida. “As consequências são simples: ele facilitou a dissolução do Parlamento, abrindo uma nova fase da política portuguesa”. O 12 de Março “foi uma espécie de culminar de um processo que começou com os protestos de professores, e que depois teve forma mais ampla”, resume.

O sociólogo do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Elísio Estanque, está de acordo. “Para além das dificuldades, da precariedade e da falta de perspectivas, havia um desgaste muito grande do Governo Sócrates e uma crispação muito grande da sociedade por causa do desemprego”, descreve, recordando que o protesto evidenciou que “havia novas camadas, fora das estruturas partidárias e sindicais, que mostraram que estão presentes”.

“Isso contribuiu para a perda de legitimidade do Governo da altura”, observa o sociólogo. Contudo, com a queda do Governo e a entrada do actual, “o quadro mais geral de dificuldades aumentou”, e o Executivo, “muito seguidista das orientações austeras de Bruxelas”, como que adormeceu o povo. “Há uma mistura de passividade com paciência, não se vêem grandes convulsões nem agitação social, apesar de continuar a haver sinais de luta e paralisação”. Em suma, “há muitas dúvidas de que volte a existir outra iniciativa inorgânica deste tipo”. (…)»

Bruno Simões (12/03/2012) (3)

(1) TVI24.

(2) Com Diogo Cavaleiro, no Jornal de Negócios.

(3) Com Diogo Cavaleiro, no Jornal de Negócios.

Fonte da Imagem: TVI24 (fotografia de Renata Ferreira).

Ver Também: SMS do dia.