Coisas Giras de Portugal em 2012 (20)

«(…) O presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública considera que o impacto de algumas medidas políticas na área da Saúde poderão também ter contribuído para uma taxa de mortalidade acima da média.

Embora admita que a mortalidade nas pessoas idosas aumente nos próximos anos com as alterações demográficas, Mário Jorge Santos diz que poderá haver mais razões para além do frio e da gripe que justifiquem esta alta taxa de mortalidade.

Mário Jorge Santos lembra o “aumento brutal das taxas moderadoras”, muito embora “reserve melhor opinião para um estudo mais aprofundado”.

Constantino Sakellarides, que integra o Observatório Português de Sistemas de Saúde, diz que a falta de dinheiro também pode ajudar a explicar o actual pico de mortalidade.

Também ouvido pela TSF, este ex-director-geral de Saúde recordou um estudo recente que “revela que a população portuguesa é, na Europa, das que tem mais dificuldades em manter a sua casa quente”.»

TSF (02/03/2012)

«Portugal carrega agora o fardo da terceira taxa mais alta do euro, a par da Irlanda, que regista os mesmos números.

À nossa frente, só mesmo a Grécia, com uma taxa de 19,9% e Espanha, que já vai nos 23,3%.

No início desta semana, o Governo anunciou piores projeções para o desemprego em Portugal, apontando para que o ano de 2012 feche com uma média de 14,5%.

Certo é que o ano ainda mal começou e a taxa já está três décimas acima desse patamar.

A CGTP já reagiu, dizendo que a política do Governo é um «desastre». A UGT alerta para o facto de esta situação poder originar uma grave crise social. E o líder do PS, António José Seguro, atira culpas à austeridade.

Os países da Zona Euro com os melhores indicadores são a Áustria (4%), a Holanda (5%) e o Luxemburgo (5,1%).

Entre janeiro de 2011 e de 2012, a taxa de desemprego entre os homens aumentou de 9,7% para 10,5% na região que partilha a moeda única e de 9,4% para 10,1% na UE. Entre as mulheres, a subida foi de 10,3% para 10,9% no primeiro caso e de 9,6% para 10,1% no segundo.

E existiam 5.507 milhões de pessoas com menos de 25 anos sem emprego na UE a 27. São 3.314 milhões na Zona Euro.

Itália também divulgou hoje dados oficiais sobre a taxa de desemprego no país, que fixou um novo recorde, nos 9,2%.

Voltando ao Eurostat, o gabinete de estatísticas da União Europeia, revelou ainda, numa estimativa rápida, que a inflação na Zona Euro deve ter ficado nos 2,7% em fevereiro.»

Agência Financeira (01/03/2012)

«Durante anos, ouvimos Miguel Frasquilho a agoirar com a situação das finanças públicas. Espírito de contradição, vem agora mostrar um optimismo que ninguém descortina (nem os research de um banco seu conhecido).

Na página 14 do caderno de Economia do outrora luminoso Sol, Frasquilho vem defender a sustentabilidade da nossa dívida pública. Para tal, argumenta que o FMI diz que a dívida pública pode regredir até 74% do PIB em 2030 e que mesmo numa versão pessimista deve cair para 121%. Pretende assim demonstrar com um gráfico com três linhas descendentes que estamos no bom caminho.

O problema são as perguntas a que não respondeu:

1. A questão mais genérica e teoricamente mais intrigante é por que considera que 121% dívida pública até daqui a 18 anos é sustentável?

2. A questão mais financeira prende-se com a forma como o país pagaria mais de 11 mil milhões de juros por ano, se aplicasse, por exemplo, as taxas da da troika? Dito de outra forma: que impostos iria agora o Governo aumentar para suportar ano após ano esta renda?

3. A questão mais conjuntural é se alguém, da União Europeia às agências de olha para 2030 para decidir as opções da crise da dívida soberana de 2010-2012?

Segundo Frasquilho, isto está a correr bem, já só faltam 18 anos e alguém que nos pague os juros, entretanto.»

Miguel Abrantes (02/03/2012) (1)

(1) Blogue Câmara Corporativa.

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