Coisas Giras de Portugal em 2012 (18)

«A “grande novidade” entre as 35 medidas propostas é aquilo que o líder da JSD, Duarte Marques, apelida de “contrato de confiança”, um contrato de primeiro emprego. Com “menos garantias” e “mais desafios”, garante a contratação de jovens recém-licenciados mediante um salário que será o dobro do mínimo.

O líder da jota sublinha que é um “contrato diferente para pessoas que procuram a sua oportunidade”, estabelecendo um “conjunto de premissas” com a entidade empregadora, que beneficia de mais flexibilidade. As propostas apresentadas pela juventude social-democrata assentam em três eixos fundamentais: a criação de emprego, a internacionalização de empresas, e a mais-valia na contratação de jovens.

O deputado considera que o acordo de concertação social foi um “passo brutal” para o país, por ser a primeira vez que “gerações em conjunto tomam uma decisão que retira um bocadinho aos mais velhos para dar um bocadinho aos mais novos”. “É necessário que as gerações mais velhas abdiquem de alguns direitos”, declara.

Duarte Marques acredita que “estas medidas vão ajudar a aliviar o desemprego jovem” e defende que “é preciso que todos remem para o mesmo lado e tenhamos alguma sorte”. “Sobretudo é uma questão de fé e de acreditar que é possível”, afirma.

Erasmus Export

Para promover a internacionalização, a JSD propõe a adaptação do programa de estágios profissionais INOV Contacto às embaixadas INOV Embassy, colocando “’pivots’ de exportação em mercados não habituais”. Já o programa de intercâmbios Erasmus pode ajudar a promover a exportação – com a criação do Erasmus Export.

O deputado propõe que cada estudante leve, no seu período de intercâmbio, “uma marca associada de uma empresa portuguesa” para o estrangeiro e ajude a “criar negócio”. Quanto aos estágios, é contra a obrigatoriedade de serem remunerados, porque “a obrigação faz com que muita gente nem sequer estágio tenha”.

A ideia da JSD é majorar fiscalmente as empresas que paguem os estágios, ou seja, fazer com que beneficiem de uma “mais-valia fiscal”. Ainda nas propostas, através do programa Move Work, a JSD propõe a possibilidade de contratação de um jovem por várias empresas, uma espécie de regime “freelance”.

O deputado declara que esta opção vai “criar um emprego novo”, ao invés de promover a precariedade, fazendo com que um conjunto de empresas que necessitam do mesmo serviço – em regime de “part-time” – se unam na altura de contratar e de pagar um salário.»

Rita Araújo (23/02/2012) (1)

Comentarium: Está na hora de oferecer um estágio não remunerado ao deputado Duarte Marques. Quem é o empresário ultracompetitivo que se atreve, a bem de Portugal?

… Bem, estou se calhar, há engano… Este deputado reza todas as noites por…

(1) No Público Online (P3).

Fonte da Imagem: Dissidente-X.

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Coisas Giras de Portugal em 2012 (17)

«O líder do CDS-PP, Paulo Portas, acusou hoje, sexta-feira, o primeiro ministro de “sistematicamente iludir” os portugueses, afirmando que a evolução da dívida pública teve um custo de 1528 milhões de euros em três meses.

“O senhor não prevê, ilude. Governar é saber antecipar, o senhor não antecipa, reage”, acusou Paulo Portas, afirmando que a “falta de previsão” sobre a evolução da dívida pública teve “um custo” de 1528 milhões de euros em três meses.

Paulo Portas afirmou que em Junho, “a dívida pública portuguesa a dez anos tinha uma taxa de 4,3 por cento” que passou para 6,25 por cento em Setembro”.

“Vai ver que o custo de não ter reconhecido a realidade, de não ter adesão aos factos e de estar sistematicamente a querer iludir o país e o custo de não tomar decisões é não apenas apresentar planos mais duros como uma factura ao contribuinte que aumentou em três meses 1528 milhões de euros”, afirmou Paulo Portas.

Na resposta, o primeiro-ministro considerou que “é fácil ser treinador de segunda feira”, questionando Paulo Portas se antecipou “uma reacção genérica dos mercados desconfiando das economias europeias para pagar as dívidas” e apesar disso propôs “baixar os impostos” e “aumentar as despesas sociais”. (…)»

Jornal de Notícias (15/10/2010)

«Em declarações aos jornalistas, durante a cerimónia de inauguração da nova sede do CDS-PP na ilha do Faial, nos Açores, Paulo Portas adiantou que “ou Portugal honra a sua palavra”, ou então “fica igual à Grécia”.

No seu entender, “ou Portugal quer ser Portugal, um caso específico, um país que honra a sua palavra”, consegue cumprir as metas financeiras a que se propôs e recupera a sua “autonomia”, ou pensa em “reestruturar ou renegociar a dívida” e vai “direitinho para a parede, ou dito de maneira mais clara, fica igual à Grécia”.

Para Paulo Portas, “a conversa do não pagamos, reestruturamos e renegociamos”, poderá originar situações de “prédios incendiados, carros destruídos, parlamentos cercados, uma sociedade completamente dividida e um país desmotivado”, como acontece na Grécia.

Na sua opinião, os portugueses serão “capazes” de dar a volta a este período de crise e de seguir em frente, cumprindo os seus compromissos. (…)»

Lusa (26/02/2012) (1)

Comentarium: Para memória futura.

(1) Reproduzido no Público Online.

Coisas Giras de Portugal em 2012 (16)

«O país já passou por muitas e variadas dificuldades ao longo da sua história, – guerras, peste negra, ditaduras, instabilidade política -, mas nada semelhante à atual crise que os portugueses estão a viver, nesta segunda década do século XXI. Mais de um milhão de portugueses, vive uma vida sem precedentes. A taxa de desemprego em Portugal continua, imparável, a bater recordes.

Os números, avançados recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), são “arrepiantes”, surpreendem pela negativa e excedem tudo quanto era expectável. A taxa de desemprego já ultrapassa os 14% e “bateu à porta” de 771 mil pessoas. Desde o final do ano, que ainda há pouco findou, até ao momento, esta taxa representa um acréscimo de quase 12%. Um acréscimo muito significativo em tão pouco espaço de tempo.

Esta subida da taxa do desemprego, nos últimos 3 meses, foi a subida trimestral mais acentuada de que há memória. A realidade não pode, nem deve, ser escamoteada. Provavelmente, esta subida é reflexo da atual recessão económica provocada pelas medidas de austeridade que estão a ser aplicadas no país, em troca de muitos milhões de euros que tivemos de pedir emprestados. A atual situação, que o país está a viver, também está a provar que a recessão está a ter um impacto muito negativo no mercado de trabalho.

Portugal, só no ano passado, perdeu 213,4 mil empregos O país perdeu em pouco mais de três anos mais de 400 mil postos de trabalho. A situação é grave e tende a agravar-se ainda mais, nos próximos tempos. A economia estagnada não pode criar emprego e com a recessão esperada para este ano, advinha-se a continuação da eliminação de postos de trabalho.

Neste momento, a taxa real de desemprego, no sentido mais lato, está perto dos 23%. Contabilizando os 190 mil subempregados, os cerca de 203 mil inativos disponíveis, os mais de 83 mil inativos desencorajados (que estavam aptos mas não fizeram diligências para encontrar emprego), mais os 771 mil inscritos nos centros de emprego, o desemprego já atinge mais de 1,2 milhões de pessoas.

Perante a mutação constante da sociedade e as grandes transformações tecnológicas, quanto mais tempo as pessoas estão no desemprego mais difícil é o regresso ao mundo laboral. A taxa de desemprego de longa duração (mais de 25 meses) atingiu os 7,4%. São já quase 250 mil pessoas que estão à procura de trabalho há mais de 2 anos. São, em muitos casos, pessoas com idade acima de 45 anos e que terão enorme dificuldade em regressar ao mercado de trabalho.

Também os jovens estão numa situação calamitosa, o mercado está fechado para os mais novos que procuram o primeiro emprego. A taxa de desemprego dos 15 aos 24 anos já ultrapassou os 35% e é a taxa que mais tem aumentado nos últimos tempos. Há 156 mil jovens sem trabalho. Os jovens licenciados desempregados são já mais de 108 mil. O país fez um esforço violento para formar os seus jovens para depois “empurrá-los” para o desemprego. São desaproveitados!

Para combater esta calamidade nacional, que é o desemprego, não bastam palavras bonitas. São precisas políticas não conformistas com as medidas recessivas impostas pela “troika”, ou seja, políticas concretas de crescimento da economia. É preciso fazer a economia crescer. O desemprego em Portugal é mesmo uma calamidade nacional que é preciso atacar. O tempo urge!»

José Maria Moreira da Silva (26/02/2012) (1)

«O desemprego persistente está a fazer aumentar o número de pessoas sem trabalho que acabam por esgotar o tempo de subsídio de desemprego. Em janeiro eram já 303.478 mil os desempregados sem direito a esta prestação social, de acordo com dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Um universo que representa quase metade dos inscritos nos centros de emprego.

Só no último mês, 15.500 desempregados perderam o direito ao subsídio, ao mesmo tempo que aumenta também o número de beneficiários. Há mais 7.700 desempregados a receberem subsídio.

E o desemprego cresce todos os meses. Nos centros de emprego há mais de 637.662 inscritos, mais 14,4% do que em janeiro do ano passado.

Os números do Instituto Nacional de Estatística revelam que a taxa de desemprego disparou no quarto trimestre para os 14 por cento com o número de desempregados a ascender a 771 mil. »

Agência Financeira (26/02/2012)

«O líder do CDS-PP, Paulo Portas, comentou ontem, pela primeira vez, o aumento do desemprego no País, para dizer que a retoma económica em Portugal só deverá ocorrer em 2013.

Em deslocação aos Açores, para visitar as ilhas de São Jorge, Pico e Faial, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse aos jornalistas, na vila das Velas, que 2013 será um ano para “recuperar e para crescer” em termos económicos e sociais.

“Todos nós sabemos que os anos 2011 e 2012 eram os mais difíceis” por causa da “dívida a mais e défice a mais”, disse Paulo Portas, acrescentando que agora é necessário “preparar tudo” para o “crescimento económico e para a geração de emprego”.

No seu entender, é necessário “apostar nos que trabalham, que querem trabalhar e nos que querem dar trabalho”, implementando as devidas reformas para que a contratação seja natural.»

Correio da Manhã (26/01/2012?)

Comentarium: Depois da chuva divina, porque não a contratação natural?!

Um guru português é sempre um guru português…

(1) Artigo de opinião para o jornal O Notícias da Trofa.

Fonte da Imagem: Kopfschrott.

José Afonso não precisa de dias especiais

José Afonso não precisa de ser dia de aniversário ou morte para ser comemorado.
Para quem as suas canções são apenas belas palavras bem rimadas e ritmadas, não é necessário isso.
Para quem as suas canções são de intervenção com sentido e bons exemplos, também não.
Portanto, 25 de Abril Sempre!

Ver também:
Vampiros de Zeca Afonso
25 de Abril e censura social (a propósito das Comemorações de 2011)