Coisas Giras de Portugal em 2012 (10)

«A Standard & Poor’s cortou o rating da dívida portuguesa em dois níveis, de «BBB-» para «BB», o que significa que a mesma passa a ser considerada «lixo financeiro». Portugal tem agora esta classificação junto das três grandes agências internacionais de notação financeira.

Portugal não foi, no entanto, o único. Mais oito países da Zona Euro viram o seu rating revisto em baixa. Só a Alemanha manteve o rating – que fica no nível máximo, «AAA» – com outlook estável. (…)

Na explicação prestada pela S&P, a agência refere que, no caso de Portugal, como no de outros países que viram o rating cortado, esta descida reflecte o agravar dos problemas monetários, financeiros e políticos na Zona Euro. Para além disso, reflecte ainda “as pressões externas continuadas sobre o financiamento do sector privado do país, e os efeitos que isso pode ter nas finanças públicas e no crescimento da economia”.

“Para Portugal, nós acreditamos que este ambiente enfraquecido a nível europeu pode complicar o apoio político interno à implementação do programa assinado com a troika e pôr em risco a estratégia de consolidação orçamental do Governo e causar ainda maiores aumentos no já elevado stock de dívida pública, que deverá atingir 106% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012”.

Portugal está ainda exposto à situação na Grécia, cujo processo de reestruturação de dívida pode “afastar potenciais investidores da dívida soberana portuguesa e reduzir a possibilidade de Portugal regressar ao mercado da dívida algures em 2013”.

Na decisão de colocar Portugal no “lixo” pesou ainda a “rápida deterioração dos mercados financeiros” europeus, que “acarreta riscos significativos para o financiamento do país nos próximos dois anos, à medida que os credores do seu sector privado, sobretudo bancos de outros países europeus, deverão reduzir a sua exposição a Portugal mais rapidamente do que antes se previa”. Um factor que, mais uma vez, atribui à incerteza no que toca às políticas europeias de combate à crise. (…)»

Agência Financeira (13/01/2012)

«O primeiro-ministro reiterou hoje que o Governo quer ir além do programa de ajuda externa, nomeadamente no campo das reformas estruturais. E salientou que há um “consenso nacional” quanto à vontade de mudança.

“Senhores da troika, estamos a fazer isto por nós, não por vós”, afirmou hoje Pedro Passos Coelho, dirigindo aos elementos da Comissão Europeia, do FMI e do Banco Central Europeu, que estão hoje presentes num workshop sobre reformas estruturais. Este encontro, que começou na quinta-feira, termina hoje em Lisboa, com o discurso do primeiro-ministro.

“Não tenho dúvidas que existe consenso nacional quanto a vontade de mudança”, garantiu Passos Coelho, salientando que este caminho tem de ser percorrido mesmo que alguns riscos externos se concretizem.

O primeiro-ministro voltou a dizer que o Governo quer “ir mais longe” do que o programa de assistência económica e financeira na eliminação dos bloqueios da economia. “Somos mais ambiciosos, queremos rivalizar cm parceiros internacionais”, sublinhou.

Passos Coelho destacou, nomeadamente, a necessidade de eliminar rapidamente as barreiras à concorrência em alguns sectores, acabar com o “estigma” associado à insolvência” de empresas e libertar o acesso a profissões reguladas. A isso junta-se o programa de privatizações que, segundo o primeiro-ministro, “representa uma prioridade absoluta do Governo”.»

Ana Rita Faria (21/01/2012) (1)

Comentarium: Comentários para quê?!

(1) No Público Online.

Fonte da Imagem: Vai e Vem (retirada do Público, de 22/01/2012).

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