Coisas Giras de Portugal em 2012 (6)

«(…) Não faço juízos de valor sobre as decisões que Miguel Relvas já tomou ou sobre todas aquelas que vai ter de tomar pelo poder que lhe foi conferido. Não o faço, mesmo tendo opinião sobre cada uma das matérias que tiveram a sua assinatura, porque penso que não é a casualidade que deve estar sob o escrutínio permanente. Por esta altura, importa que olhemos mais de perto para o poder que tem um só homem neste país.

Como o marquês de Pombal, também Miguel Relvas é polémico, tem uma legião de adeptos e vai coleccionando inimigos. Se o SIS me tiver colocado um micro na lapela, ou estiver atento aos meus telefonemas, saberá quem é contra ou a favor do ministro. O Governo ainda não fez um ano e para o povo o ministro que conta é Vítor Gaspar, mas para a corte dos negócios é de Miguel Relvas que se fala.

Como o marquês, também Relvas sabe que o que importa é aproximar Portugal das mais altas performances económico-financeiras. Também ele sabe que o que importa é fazer os melhores negócios. Mas, como é um pragmático esclarecido, Miguel Relvas sabe que a política se faz hoje menos com ideologia e mais com relações pessoais. A confiança é, afinal, o motor da economia.»

Paulo Baldaia (08/01/2012) (1)

«(…) “Se nós olharmos para a nossa história, sabemos que sempre que nos encostaram ao oceano foram os momentos de maior glória da nossa história”, disse Miguel Relvas.

Na sua opinião, “a verdade é que nos últimos 20 anos estivemos demasiado preocupados com a Europa”.

Ressalvando que os portugueses “não devem deixar de olhar para a Europa”, o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares disse que “Portugal é forte quando olha para o mundo”, acrescentando que “a vocação do Atlântico Sul é a vocação da nossa história”.

Para o governante, que falava nos Paços do Concelho de Penela, vive-se “um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa” e o país “precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados”.

Importa, no entanto, que esses mercados não sejam “os que vivem hoje no mesmo mar de incertezas em que nós nos encontramos”, referindo que a situação de Espanha deve preocupar Portugal.

Miguel Relvas recordou a sua recente viagem a Moçambique e disse ter apreciado em Maputo, em contacto com jovens licenciados portugueses que trabalham no país, a sua maneira de “ver o mundo com outros olhos” e a sua “capacidade de se adaptarem” a novas realidades. (…)»

Lusa (07/01/2012) (2)

«O ministro Miguel Relvas é mais um membro deste Governo de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas, do PSD e do CDS que anda por aí a espalhar mentiras (ou inverdades, ou falsificações, ou como lhe quiserem chamar) a granel.

Aqui vão algumas:

1ª mentira – a reforma administrativa do poder local é uma imposição da troika por causa do défice orçamental. Fica por explicar o porquê de as propostas agora apresentadas no chamado Livro Verde”  (logo saudado pela direcção do PS) irem repescar as defendidas pelo secretário de Estado da Administração Local do governo de Durão Barroso de seu nome… Miguel Relvas.

2ª mentira – o modelo de gestão autárquico criado depois do 25 de Abril de 1974 “está esgotado“. Deve ser por isso que propõe o regresso a definições e disposições do velho código administrativo de Marcelo Caetano, de que são exemplo a classificação dos territórios e órgãos autárquicos correspondentes por categorias – rurais e urbanos, de primeiro segundo ou terceiro níveis ou no regresso da visão das freguesias enquanto sub-unidades municipais. Os mesmos (PSD, CDS, PS) que hoje defendem maiores poderes para as Assembleias Municipais, são os mesmos que sempre, repito, sempre, chumbaram na Assembleia da República propostas nesse sentido.

3ª mentira – o sistema eleitoral para as Câmaras Municipais, para as Assembleias Municipais e para as Assembleias de Freguesia tem de ser alterado em nome de uma dita falta de «estabilidade governativa» das autarquias. Só que a realidade, essa «chata», aí está para o desmentir sem apelo nem agravo. Desde o 25 de Abril de 1974 realizaram-se em Portugal por dez vezes eleições para as autarquias. Todas com o actual sistema eleitoral. Nestes anos foram eleitos 3.063 executivos municipais. Houve apenas necessidade de realizar eleições intercalares em 20 (0,7%). Em metade destes executivos dissolvidos haviam maiorias absolutas. Hoje existem maiorias absolutas em 90 por cento do total.das Câmaras Municipais de Portugal. A realidade é tramada…

4ª mentira – «há freguesias (e concelhos acrescentamos nós) a mais», o que poria em causa a «sustentabilidade financeira». Miguel Relvas sabe perfeitamente que é residual o peso do poder local no Orçamento do Estado – 7% da despesa. E ínfimo o das freguesias – 0,1%. Não, não é gralha caro leitor. É mesmo verdade! Mais. Os mesmos que hoje querem apagar do mapa duas mil freguesias, são os mesmos que durante mais de 30 anos e até ontem (anterior legislatura) propuseram e concretizaram a criação de dezenas e dezenas de freguesias.

Lá diz o nosso povo: “mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo“…»

António Vilarigues (05/01/2012) (3)

«No mesmo dia em que o ministro Paulo Portas se desdobrou em desmontar a tese da diplomacia do croquete em preparação do seminário diplomático da próxima quarta feira, o que o Governo fez ao Álvaro é elucidativo.

Toda a gente percebeu que o ministro da Economia não foi tido nem achado na privatização da EDP. Nunca soube de nada, não acompanhou o processo e não teve nenhuma da informação que circulou entre Vítor Gaspar, Passos Coelho/Miguel Relvas, a Parpública e a EDP. O ministro que tutela a energia e a indústria não teve qualquer voz nem nas questões do preço da venda da participação do Estado nem no projecto industrial dos concorrentes para a EDP — nem sequer nas contrapartidas que eram oferecidas para a economia portuguesa. E já nem o Governo disfarça muito: se bem se recordam, foi a secretária de Estado do Tesouro que esteve no briefing do Conselho de Ministros, sem a presença de nenhum membro do Governo da área da economia.

Ontem, então, foi a cereja em cima do bolo: a cerimónia importante foi realizada no Ministério das Finanças, quem falou foi o ministro Vítor Gaspar e o ministro Paulo Portas lá esteve a vincar quem manda na diplomacia económica. Depois, os chineses foram a São Bento e lá esteve também o ministro das Finanças. Por fim, houve o momento do croquete, num almoço no Hotel Tivoli e adivinhe-se quem o governo lá mandou… exactamente, o ministro Álvaro. A coisa foi de tal forma artificial e de circunstância que nem o secretário de Estado da Energia esteve presente. Mandaram o secretário de Estado dos Transportes tomar conta do Álvaro.

O ano está a acabar e se calhar é o momento apropriado para alguns ministros se questionarem se aquele apelo de Passos Coelho para a emigração não lhes é dirigido. É que parece.»

Miguel Abrantes (31/12/2012) (4)

(1) Opinião no Diário de Notícias.

(2) Reproduzido no Público Online.

(3) Blogue O Castendo.

(4) Blogue Câmara Corporativa.

Leituras Complementares:
Nomeações: da seriedade dos dados constantes do site do Governo
Fonte da Imagem: Momentos”

Última Actualização: 16/01/2012

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