Carne e sangue português

Como é fácil de ver, o mundo é uma casa dos segredos. E o programa de entretenimento consegue trazer consigo um mix de tipos humanos mais portugueses que o fado, tema de futuros estudos pelos antropólogos da tribo marfim: a rapariga (e o rapaz) burros em termos de cultura mas extremamente espertos a jogar e extrovertidos, capazes de fazer a festa; os garanhões e as ninfomaníacas de serviço, totalmente dependentes de sexo; a rapariga que leu demasiadas revistas na infância e foi demasiado gozada, vingando-se agora em plásticas que financia vendendo a alma e, provavelmente, o corpo também; o rapaz obcecado com o corpo, cujas mulheres mandam nele; o católico indeciso e bom samaritano; as raparigas e rapazes com histórias traumáticas de abandono; os rapazes agressivos que gostariam de poder mandar em toda a gente; as meninas bonitas de serviço; a psicóloga com verdadeiro conhecimento das coisas mas que se perde no meio da personagem criada para si; a filha de emigrantes mimada e totalmente controlada pelo pai; o “ex-futuro” namorado que vivia às custas do “sogro” mas tem ar de menino de bem; a futura advogada com uma beleza estonteante e uma tendência para se envolver com os homens errados; o ex-militar e os seus traumas; os tomadores de esteróides… Todos estes tipos (e outros, como por exemplo a portuguesa que vota e pensa que está a eleger alguém democraticamente para sair da casa) não deviam figurar nos anais, segundo certas cabeças. Mas figuram, e pelos piores motivos: porque se venderam. No entanto, quando se percebe que eles são produto de uma certa sociedade que os moldou e produtores desta mesma sociedade, o sentimento é dual, entre a compaixão e a desilusão com esta carne e este sangue português.

Fonte da Imagem: Stop Sextrafficking.

Última Actualização: 31/12/2011

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