Coisas Giras de Portugal em 2011 (33)

«Questionado sobre se aconselharia os “professores excedentários que temos” a “abandonarem a sua zona de conforto e a “procurarem emprego noutro sítio”, Passos Coelho respondeu: “Em Angola e não só. O Brasil tem também uma grande necessidade ao nível do ensino básico e secundário”, disse durante uma entrevista com o Correio da Manhã, que foi publicada hoje.

Pedro Passos Coelho deu esta resposta depois de ter referido as capacidades de Angola para absorver mão-de-obra portuguesa em sectores com “tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e do conhecimento, e ainda em áreas muito relacionadas com a saúde, com a educação, com a área ambiental, com comunicações”.

“Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos”, disse ainda o primeiro-ministro.

“Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa”, explicou.

Portugal é um dos países da Europa com menores níveis de escolarização da população, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011, publicado no mês passado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Enquanto em Portugal a escolarização média da população com mais de 25 anos era de 7,7 anos, na Grécia e em Itália era de 10,1 anos, em Espanha de 10,4. Na Alemanha era de 12,2 e nos EUA de 12,4.

Para as crianças que entram agora na escola, esta diferença é bastante menor: o número de anos de escolaridade esperados era de 15,9, no caso de durante a vida da criança se mantiverem as taxas de escolarização actuais, o que pode estar em causa dada a dimensão da crise. Em Espanha era de 16,6 anos, na Irlanda de 18 e na Alemanha de 15,9.»

Público (18/12/2011)

«O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, considera que sair de Portugal em busca de melhores condições de vida “faz parte da nossa história e da nossa tradição”, e que só “quem tem uma visão conservadora e desadequada da realidade não consegue acompanhar o sinal dos tempos”. Miguel Relvas mostra-se satisfeito por ver que há portugueses que têm sucesso lá fora e sublinha que esse deve ser um “motivo de orgulho” para os portugueses.»

RTP (20/12/2011)

«O eurodeputado do PSD Paulo Rangel não vê “motivo para escândalo” sobre as declarações do primeiro-ministro ao CM sobre a emigração de professores sem trabalho e até sugere uma “agência nacional” para gerir este tipo de processos.

À entrada para o Conselho Nacional do PSD, Rangel encarou a ideia sem dramatismos e apontou como saída provisória este tipo de soluções sobretudo para as camadas mais jovens.

Em declarações aos jornalistas, o eurodeputado acrescentou que as declarações de Passos Coelho podem ser “mais ou menos felizes”, mas acima de tudo “suscita um debate sério”.

Questionado se o primeiro-ministro estará a falar em demasia, Rangel argumentou que o  chefe do Governo “tem que fazer pedagogia permanente”.

Quanto ao seu futuro político e num momento em que se fala do seu nome ou para a Câmara do Porto, em 2013, ou para candidato à concelhia da Invicta do partido, o eurodeputado respondeu: “Eu aqui só me lembro de António Vitorino (PS). Não há festa nem festança para a qual não seja convidado.”  Vitorino, recorde-se, foi apontado sucessivamente para candidato à liderança do PS, mas nunca concorreu.

A este propósito, Rangel ainda deixou escapar: “Não posso ir a todas as eleições”. O eurodeputado não deixou contudo de ficar surpreendido e satisfeito com os elogios de Rui Rio feitos esta semana. (…)»

Correio da Manhã (21/12/2011)

«(…) Há uns meses que uma onda de homens e mulheres maioritariamente jovens, acabados de desembarcar do avião que os trouxe da Grécia, bate à porta de um enorme edifício da Lonsdale Street no centro da cidade de Melbourne. Este edifício, da década de 1940, alberga a maior comunidade grega residente na Austrália.

Num cenário que faz lembrar a grande corrida ao ouro na viragem do século XX, esta gente viaja até à outra ponta do mundo à procura de uma vida melhor. Ao contrário dos antigos compatriotas, a notoriedade destes novos emigrantes é visível atendendo aos seus diplomas, ganhos à custa de muito esforço em áreas bastante difíceis. “Andaram todos na universidade, engenheiros, arquitetos, mecânicos, professores, bancários, dispostos a fazer qualquer trabalho”, afirma Bill Papastergiades, presidente jurista da comunidade. “É um desespero. Estamos todos aterrorizados. Geralmente, chegam apenas com um saco. As histórias que contam são desoladoras e cada avião traz mais”, confessou ao Guardian, em entrevista telefónica.

O êxodo é apenas uma parte do drama humano na Grécia, onde a crise da dívida europeia começou. Desde junho que os responsáveis pela comunidade de Melbourne estão a ser inundados com milhares de cartas, emails e telefonemas de cidadãos gregos desperados para emigrar para um país que, resguardado da trubulência dos mercados globais, é visto agora como uma terra de incomparáveis oportunidades.

Só este ano, foram 2500 os cidadãos gregos que foram viver para a Austrália, embora as autoridades de Atenas afirmem a existência de mais 40 mil que também “expressaram interesse” em iniciar o árduo processo de mudança para aquele país. Uma “skills expo”, com 800 lugares, realizada em outubro pelo governo australiano na capital grega, atraiu uns 13 mil candidatos.

(…) Na Austrália, a afluência desanimou outros gregos forçados a emigrar, por questões de pobreza e guerra, na década de 1950 e 1960. Durante anos, a diáspora foi desprezada pelos sucessivos governos de Atenas que se recusaram, inclusivamente, a reconhecer o direito de voto à comunidade étnica de gregos no estrangeiro, mesmo em sítios como Melbourne, cuja próspera comunidade de gregos excede os 300 mil. Ver uma juventude talentosa de conterrâneos a chegar agora em massa – quase toda preparada para fazer os trabalhos mais subalternos para sobreviver – foi uma surpresa muito desagradável.

“Há muitos sonhos desfeitos”, diz Litsa Georgiou, de 48 anos, que foi viver para Sydney o ano passado com a filha bebé e o marido ateniense. “A comunidade está em choque. “Muitos tinham esperança de voltar à Grécia… em contrapartida, todos os dias se ouve a história de alguém que fez uma viagem de 22 horas de avião para se mudar para cá. É horrível pensar que ainda vão ser precisos 10 anos para a Grécia começar a recuperar.”»

Helena Smith (22/12/2011) (1)

(1) The Guardian, publcado e traduzido no sítio Presseurop.

Fonte da Imagem: Passa Palavra.

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