Coisas Giras de Portugal em 2011 (24)

«Ministro da Economia promete “reinventar” o país em seis meses
O ministro Álvaro Santos Pereira apresentou no Parlamento as linhas gerais do programa de combate ao desemprego e promoção do emprego que, nas suas próprias palavras, vai “reinventar o país”, “marcá-lo nas próximas décadas” e “salvá-lo” dos 15 anos de governação socialista. Álvaro Santos Pereira anunciou iniciativas ao nível dos Centros de Emprego (reformas na organização e na prestação de apoio e formação ao desempregado) e da captação de investimento externo (com especial ênfase posto no setor mineiro), tendo anunciado a concretização de contratos no valor de 145 milhões de euros, de uma carteira que o ministro pretende que atinja os 900 milhões até final do ano. Mais informação com a jornalista Augusta Henriques.»
RTP (25/10/2011)

«Vítor Gaspar, ministro das Finanças, admitiu hoje que o corte dos subsídios de férias e de Natal permite sobretudo “ganhar tempo”.

O ministro tinha sido confrontado pelo deputado socialista, Pedro Nuno Pereira, que quis saber como é que uma medida temporária estava a contribuir para um ajustamento que se pretende que seja estrutural.

“A medida é temporária mas tem uma duração superior a um ano. Por isso em algumas metodologias não é considerada temporária, embora o seja no sentido comum da palavra”, começou por explicar Vítor Gaspar. Contudo, não sendo permanente, “permite uma margem de tempo para a execução da agenda de alteração estrutural que permitirá erradicar permanentemente o descontrolo da despesa”.

O objectivo desta estratégia é conter a despesa púbica de forma sustentável “em menos de 40% do PIB e descer a carga fiscal” no futuro.»

Margarida Peixoto (26/10/2011) (1)

«Passos Coelho tentou sossegar os banqueiros ansiosos, garantindo que o Estado será um temporário “accionista passivo” se tiver de entrar no capital dos bancos privados, como tudo parece indicar, para os salvar dos seus negócios com a dívida pública, até há pouco tão apetitosa, já que não é por patriotismo que os bancos nacionais detêm mais ou menos 20 mil milhões de euros desta, a que se tem de juntar outra dívida periférica igualmente reestruturável, mas também para os salvar da dívida privada, num contexto de recessiva austeridade tão intensamente saudada pelos espíritos santos da economia política nacional e geradora de tantas insolvências.

Como referiu Silva Lopes, um economista com quem temos estado muitas vezes em desacordo, mas que sempre criticou a liberalização e a complacência financeiras, o Estado não pode entrar no capital dos bancos para assistir impávido e sereno, sem participar na gestão. O Estado tem de exercer todos os poderes de accionista. Só assim se pode começar a superar um sistema financeiro que tão maus serviços prestou à economia portuguesa, aos sectores produtivos. O crédito é um bem público e tem de ser um instrumento de política económica. Mas não esperem que o governo dos actuais e dos novos aspirantes a “donos de Portugal” perceba isso. Não está na sua natureza.»

João Rodrigues (26/10/2011) (2)

«Lembram-se da baixa da TSU, o game changer do secretário (de Estado) Moedas, a grande alavanca que ia revolucionar a competitividade da economia portuguesa? Estava estudada e testada já na primeira semana de Maio. Era uma patranha. Não só não estava estudada, como, quando o Banco de Portugal lá fez o favor ao PSD, chegou à conclusão que a montanha tinha parido um rato.

Gaspar aprendeu. Para o caso dos estudos não conseguirem martelar suficientemente a realidade para que ela cuspa o que se quer dela, é fácil: não se estuda de todo.

Não espanta, por isso, que no parecer técnico da Unidade Técnica de Apoio Orçamental ao Orçamento de Estado de 2012, se leia: “o OE/2012 não apresenta um estudo sobre o impacte no PIB do aumento do horário de trabalho do sector privado em 30 minutos” (pág.8).

Nada que impeça o Álvaro – o político fechado na Horta Seca que conhece a economia portuguesa via Pordata indicadores estatísticos – de dizer que a medida é “fulcral“, enquanto a CIP – que afinal é suposto conhecer as empresas e os mercados um pouco melhor que os políticos (assim ensina Álvaro, o professor) – é da opinião que ela é “irrelevante“.

Estamos mortinhos por ler as memórias do Álvaro, quando lhe comprarem a viagem de volta para Vancouver (em classe turística, atenção).»

Câmara Corporativa (27/10/2011) (3)

(1) Diário Económico.

(2) Blogue Ladrões de Bicicletas.

(3) Blogue.

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