Intervalo

Este blogue vai parar por algum tempo.

As emissões de textos serão retomadas quando se justificar.

Entretanto, há que medir o mundo de outras formas.

Fonte da Imagem: Estado de S. Paulo.

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Dez Anos de Desilusão e Meias-Verdades (ou O Homem em Queda)

«Chocados com o 11 de Setembro, os decisores políticos exigiram “clareza moral”, mas nenhum deles exibiu alguma e, em vez disso, jogaram baixo, apelando ao patriotismo e a Deus enquanto forjavam semelhanças disparatas que ligavam o 11 de Setembro a Pearl Harbor e Bin Laden a Hitler. Misturando estas metáforas para agradar ao seu público, ligaram simultaneamente os melhores e os piores cenários para justificar politicas que, de qualquer modo, sempre tinham desejado.

Atolada num pântano de meias-verdades e retórica quase-religiosa, boas intenções e conceitos pouco sensatos de rectidão moral, a verdade sufocava lentamente. E nos, impulsionados pela fé na nossa causa, a razão substituída pela certeza, nem dermos por isso.(…)

Os liberais mais francos gostam de mostrar o seu ódio em relação aos cabecilhas que estão por detrás da guerra contra o terrorismo. Bush, Cheney, Rumsfeld, Blair: os vilões da historia. A verdade e que, com algumas excepções notáveis, ninguém os cobriu de gloria. Os partidos da oposição não intervieram; o exército não conseguiu apoiar a sua conviccao de que as operações no Iraque e no Afeganistão exigiam melhores recursos, mais efectivos e melhor planeamento; os serviços de informação não insistiram no facto de que as suas advertências tinham razão de ser. A imprensa não informou o público de que havia sérios problemas. Talvez a culpa deva ser partilhada? Chega para todos.

Não há duvida que o mundo mudou desde o 11 de Setembro. Mas a forma como mudou não se deve a Bin Laden, a Al-Qaeda ou aos talibans. Deve-se a nos. Podíamos ter reagido de forma diferente. E não o fizemos.

Por isso, a situação em que actualmente nos encontramos não nos foi atirada para cima. Fomos nos que a escolhemos. A Al-Qaeda não ameaça a nossa existência. Nunca o fez. A nossa reacção e que pode ser responsável por isso.»

Dominic Streatfeild

Comentarium: Veja-se o caso da Libia…

Leituras Complementares:
We Are What We Loathe
“Os Estados Unidos são o país mais odiado do mundo” (entrevista de Dominic Streatfeild ao jornal I, de 10/09/2011)
La ‘sharía’, según Libia
Sarkozy e Cameron triunfam na Líbia
O desastre chamado Líbia

Fonte da Imagem: Ea O Ka Aina.

Coisas Giras de Portugal em 2011 (23)

«(…) Então não é que o dito Duque ontem à noite, na SIC Notícias em debate com Pedro Adão e Silva, tem a distinta lata de nos dizer que vamos ter que nos habituar à perca de qualidade dos serviços públicos. Trocado por miúdos : ” se antes o cidadão estava na fila 3 horas, agora vai passar a estar o dobro ” (sic). E disse isto com aquele ar de rato de sacristia (que me perdoem os ratos), ou seja “o cidadão que se lixe”.
Mas não é este o mesmo Duque que, aqui atrasado, nos prometia o paraíso logo que o vilão que nos governava saisse de cena?
Prometiam-nos a melhoria dos serviços com a eliminação das gorduras afinal dão-nos:
– as creches enlatadas com colaboradores voluntários;
– os lares de idosos em camaratas e sem supervisão da qualidade das refeições;
– e agora o aumento do tempo de atendimento em tudo o que é serviço público. (…)»

Antonio P. (14/09/2011) (1)

«As escolas com falta de professores só poderão celebrar contratos mensais com os docentes que vierem ainda a contratar, confirmou ontem o Ministério da Educação e Ciência (MEC) em resposta a questões do PÚBLICO. Directores de escolas e agrupamentos pensaram que se tratava de um “erro” da plataforma informática, mas afinal é mais uma alteração nos procedimentos de colocação de professores. Nenhum foi informado previamente.»

Clara Viana (16/09/2011) (2)

«”…Não acredito que algum dos senhores deputados acredite que algum médico vai deixar de fazer aquilo que deve fazer por estar a ser pior pago…”, argumentou o Secretário de Estado Adjunto, Fernando Leal da Costa, referindo-se à redução de incentivos sobre os transplantes.

Independentemente do facto de os médicos terem de compreender e colaborar na superação da crise (como todos os portugueses) a argumentação do SEAS baseada num tipo de vocação (caritativa) de cariz eremita e filantrópico para um grupo profissional específico é enternecedora, vindo de parte de quem vem (de um médico!) e será, acima de tudo, reveladora de uma enorme hipocrisia política.

Na verdade, para um Governo (neoliberal) que tem demonstrado encarar o Estado Social através de frios números – “aparecendo” nesta área a cortar a eito – este chamamento aos deveres deontológicos profissionais mostra, tão somente, um incomensurável farisaísmo.

Acredite, Senhor Secretário de Estado, que os portugueses não se deixam enrolar por “teias pseudo-moralistas”.
É que, de há uns tempos a esta parte, não parámos de dar para este peditório (enquanto existem gritantes “imoralidades” como, p. ex., a não taxação pelo imposto extraordinário dos rendimentos sobre o capital e o BPN é “oferecido” à custa do sacrifício dos contribuintes…).»

Saúde SA (12/09/2011)

«O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, afirmou, na quinta-feira a noite, que há mais escolas para fechar, durante uma entrevista à RTP, a propósito da abertura do ano escolar.

Crato considerou o fecho de escolas uma “coisa importante”, anunciada “há muito” e justificada “por razões pedagógicas e racionalidade económica”.

Questionado sobre as prioridades na redução da despesa, respondeu que cortaria “em todo o lado, mas não no essencial”, especificando: “Não podemos continuar com este ritmo de investimento da Parque Escolar”.

A este propósito, esclareceu que os mencionados mil milhões de euros de endividamento da empresa respeitam a um empréstimo do Banco Europeu de Investimento e a dinheiros públicos nacionais e comunitários.

Crato lembrou que estão em curso auditorias para apurar se as prioridades e gestão de fundos foram as melhores, interrogando: “O que é prioritário? Não faz sentido que uma escola esteja excelente e ao lado esteja outra degradada”.

Outro ‘dossier’ em avaliação é o das ‘Novas Oportunidades’, com o ministro a dizer que “há coisas boas e más”, especificando que “foi-se longe de mais. Começou-se a oferecer diplomas”.»

Lusa (15/09/2011) (3)

(1) Blogue Fim de Semana Alucinante.

(2) Publico.

(3) Publicado no Diário de Noticias Online.