Coisas Giras de Portugal em 2011 (19)

«O ministro dos Assuntos Parlamentares disse hoje que o Executivo quer “potenciar sinergias” entre a RTP e a agência Lusa, empresas nas quais o Estado marca presença.

Miguel Relvas declarou na Comissão de Ética, Cidadania e Comunicação, onde está a ser ouvido esta manhã, que se reuniu na segunda-feira com os presidentes da RTP e da Lusa, tendo pedido aos responsáveis um “plano de potenciação de sinergias” entre as empresas, nomeadamente por via da “partilha de instalações e meios” no estrangeiro, como já sucede nalgumas delegações.

A privatização de canais de rádio e televisão da RTP e a alienação da participação do Estado na agência de notícias Lusa são medidas previstas no programa do actual Governo.»

Lusa (30/08/2011) (1)

«O Governo anunciou hoje os elementos que compõem o grupo para definir o conceito de serviço público, liderado por João Duque.

O Governo anunciou hoje os elementos que compõem o grupo de trabalho para a definição do conceito de serviço público de Comunicação Social, cujas conclusões deverão ser anunciadas no prazo de dois meses.

De acordo com o despacho do Executivo a que a Lusa teve acesso, “o grupo de trabalho pode efectuar, junto de entidades públicas e privadas dos vários segmentos do sector da Comunicação Social, as consultas que considerar indispensáveis para a realização da sua tarefa”.

O grupo de trabalho, que será coordenado pelo economista João Duque, conta ainda com António Ribeiro Cristóvão, Eduardo Cintra Torres, Felisbela Lopes, Francisco Sarsfield Cabral, João do Amaral, José Manuel Fernandes, Manuel José Damásio, Manuel Villaverde Cabral e Manuela Franco.»

Diário Económico (13/08/2011) (2)

«O ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, afirmou hoje na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias que o Governo quer “salvar” a RTP e pretende abrir um amplo debate sobre o conceito de serviço público de televisão antes de avançar para uma remodelação da televisão do Estado.

O início do debate foi marcado por um “duelo” entre Morais Sarmento e Manuel Maria Carrilho que falou em nome do requerente da Comissão, o antigo secretário de Estado da Comunicação Social Alberto Arons de Carvalho.

“Vamos definir o que é o serviço público de televisão e depois concluir um canal. Não é uma decisão precipitada. É uma decisão que está no programa do Governo”, disse Morais Sarmento em resposta ao deputado Manuel Maria Carrilho que fez uma longa intervenção sobre o futuro da televisão do Estado.

Entre outras questões, o antigo ministro da Cultura perguntou ao ministro da Presidência o que é que o Governo pretende fazer com o segundo canal da RTP, o que significa criar um canal único dentro da RTP, que modelo vai ser seguido para esse canal ou ainda que peritos foram consultados para pôr em marcha esse projecto. Maria Carrilho classificou ainda de “erro monumental, pior do que a abolição da taxa”, a intenção do Executivo de acabar com o Canal 2 da televisão do Estado. “O serviço público é aquilo que o mercado não paga”, afirmou.

Logo no arranque da reunião, Morais Sarmento traçou um quadro negro sobre situação financeira da RTP particularizando os gastos excessivos da televisão pública nos seis anos de governação socialista. O ministro da Presidência referiu-se também ao passivo, 170 milhões de contos, e aos gastos anuais, só em juros, que a RTP tem de pagar à banca (dez milhões de contos). O número dois do Executivo social-democrata apontou o ano de 2001 como particularmente desastroso na gestão da RTP dando como exemplos vários ordenados auferidos na empresa que podiam chegar até aos 8700 contos mensais.

Na resposta à intervenção do deputado socialista, Morais Sarmento reiterou que “o Canal 1 não presta serviço público e entrou numa progressiva descaracterização” e acusou os anteriores Governos socialistas de “irresponsabilidade” por conhecerem a situação da televisão do Estado” e “nada terem feito para encontrar uma solução”. “Aquilo que eu trouxe aqui foi o presente. O PS nada fez para travar esta situação. Não pudemos imaginar uma televisão nova se não avaliarmos a situação de hoje. O Governo não tem um gosto masoquista de andar a reformar o que está bem”, sublinhou. Morais Sarmento acusou ainda que “os que agora passeiam na 5 de Outubro [nas manifestações a favor da RTP] ao lado dos trabalhadores, são os mesmo que os colocaram [aos trabalhadores] naquela situação”.

Sobre os exemplos de ordenados que estão a ser pagos na RTP e o facto de serem postos em praça pública, o deputado socialista disse que Morais Sarmento “ia ter desgostos” no futuro quando os salários de gestores nomeados pelo PSD forem divulgados.

As perguntas e respostas sobre o futuro da RTP na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias vai prosseguir durante a tarde.»

Publico (14/05/2002)

Comentarium: Convém não esquecer como tudo começou…

(1) Reproduzido no Diário de Noticias Online.

(2) Com Lusa.

Fonte da Imagem: Replica e Contra-Replica.

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