Coisas Giras de Portugal em 2011 (9)

«O Ministério das Finanças decidiu escolher o Banco BIC Português para encetar negociações com vista à venda da totalidade do Banco Português de Negócios (BPN). A decisão, que foi comunicada hoje à noite, será formalizada nos próximos 180 dias caso estas negociações exclusivas cheguem a bom termo e seja autorizada pelas entidades reguladoras.

Foi assim preterida a oferta do Núcleo Estratégico de Investidores (NEI), que terá oferecido uma proposta mais valiosa pelo BPN, acima dos 100 milhões de euros e assumido que não iria fazer despedimentos no banco nacionalizado em 2008.

Para o Ministério das Finanças, terá sido determinante o facto de o BIC estar já presente no mercado bancário português. “A decisão tomada pelo Governo, recaindo sobre uma proposta feita por uma instituição de crédito devidamente autorizada e a exercer a sua actividade em Portugal, assegura a continuidade da actividade do BPN e tem em consideração a defesa dos interesses dos depositantes”, justifica um comunicado emitido ontem pelas Finanças.

Estado assume custos com despedimentos

O banco de capitais angolanos compromete-se a integrar um mínimo de 750 dos actuais 1.580 colaboradores do BPN e adianta que irá proceder à racionalização da rede de agências e centros de empresa do BPN. No mesmo comunicado, o Ministério das Finanças adianta que irá suportar os custos com os despedimentos que o BIC decidir efectuar no BPN, bem como com o encerramento de balcões.

Desta forma, o encaixe directo que o Estado poderá efectuar com esta operação poderá ser bem inferior aos 40 milhões de euros que o BIC ofereceu por 100% do capital do BPN. Por outro lado, o encaixe poderá aumentar, dependendo dos resultados futuros do banco. Caso o BPN obtenha um lucro acima de 60 milhões de euros dentro de cinco anos, 20% do valor excedentário será entregue ao Estado. (…)»

Nuno Carregueiro (31/07/2011) (1)

«Carlos Silva, vice-secretário geral da Febase (Federação do Sector Financeiro), reprova o despedimento de metade dos trabalhadores do banco e questiona se a venda ao BIC terá sido a melhor solução. “Não sei se foi a melhor solução. Porque qualquer uma que não comporte a cobertura total dos postos de trabalho em causa não é uma boa solução, portanto será sempre uma solução mitigada. E essa não pode ter o acordo dos sindicatos da Febase”, comentou Carlos Silva. (…)»

Andreia Major (01/08/2011) (2)

«O presidente do Montepio Geral aguarda mais informações sobre o acordo de venda do Banco Português de Negócios (BPN) ao angolano BIC para se pronunciar sobre o negócio. Ainda assim, Tomás Correia sublinha ao i: “Entendemos que havia todas as razões para sermos chamados à mesa das negociações”, o que não aconteceu.

O Montepio foi um dos quatro candidatos a entregar uma proposta de compra pelo BPN, só que no caso do banco nacional a oferta incidiu não sobre a instituição, mas sobre alguns dos seus activos. Apesar disso, o presidente do banco mutualista acredita que a sua oferta seria financeiramente mais vantajosa para o Estado, já que não pedia um aumento de capital subscrito com fundos públicos. A proposta do Montepio pressupunha contudo o fecho do banco, embora salvaguardasse os balcões e algumas centenas de trabalhadores. O Montepio admitia ainda discutir com o Estado a compra de mais activos além dos que estavam previstos na oferta original.

O NEI (Núcleo Estratégico de Investidores), concorrente que integra um grupo de empresários nacionais, prometeu para hoje uma reacção à venda do BPN ao BIC, em conferência de imprensa.

O governo anunciou no domingo, último dia do prazo dado pela troika, ter chegado a um acordo com o BIC (Banco Internacional de Crédito) para a venda do BPN. Os termos do acordo prevêem que o Estado avance com uma recapitalização de 550 milhões de euros antes de transferir o banco para o privado. O BIC paga 40 milhões de euros à cabeça e compromete- -se a entregar ao Estado, caso consiga um lucro de 60 milhões de euros em cinco anos, 20% do valor acima desse lucro.

O BIC recebe o BPN com o balanço limpo – os activos mais problemáticos já saíram ou preparam-se para sair. Fica com a maioria dos balcões e compromete-se a manter um mínimo de 750 trabalhadores (menos de metade dos actuais 1580). O Estado fica com os custos da redução, por rescisões ou outras fórmulas, da força de trabalho.

O Ministério das Finanças conclui que o esforço público com a nacionalização do banco ficará em 2400 milhões de euros após esta transacção, cujas negociações têm de estar concluídas no prazo de 180 dias.

Porém, fica ainda muito por esclarecer neste negócio. O impacto que terá nas contas públicas será uma das principais interrogações. (…)

Ontem o PS pediu mais esclarecimentos em relação à compra do Banco Português de Negócios. A deputada socialista Maria de Belém Roseira, que presidiu à comissão parlamentar de inquérito do BPN, levanta a dúvida sobre os custos do Estado neste processo. “Não teria feito nenhum sentido que a troika tivesse imposto a reprivatização do banco para acabar com encargos para o Estado e o Estado continuasse com encargos.” O PCP também contestou a operação.

O negócio anunciado com o BIC, cuja operação em Portugal é presidida por Mira Amaral, suscitou também dúvidas junto dos sindicatos do sector bancário. O presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários, Afonso Diz, considera que existiram “interesses exógenos” por trás do acordo com o BIC. Já a federação do sector financeiro estranhou que o comprador não se comprometa a manter um número certo de trabalhadores, falando apenas num mínimo de 750.»

Ana Suspiro (02/08/2011) (3)

«Fundado em Janeiro de 2008, o Banco BIC Português apresenta-se como o único banco privado angolano em Portugal.

Com sede em Lisboa, o BIC português tem a mesma estrutura accionista do Banco BIC (Angola).

Tem como CEO Fernando Teles e fazem parte do conselho de administração Isabel dos Santos – filha do presidente de Angola, José Eduardo dos Santos -, bem como o empresário Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal segundo a revista “Forbes”, que possui cerca de 25 por cento das acções do Banco BIC.»

Diário de Notícias (31/07/2011)

Leituras Complentares:

Fernando Teles homenageado pela Câmara Municipal

Isabel dos Santos (Wikipédia em Português)

Américo Amorim (Wikipédia em Português)
Luís Mira Amaral (Wikipédia em Português)

Angolanos têm cada vez mais poder em Portugal (TVI 24)

(1) Artigo do Jornal de Negócios.

(2) Artigo do Jornal de Negócios.

(3) Artigo do jornal I.

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