Citações para Memória Futura (16)

«A ideia de que os debates fundamentais são estes frente-a-frente em que todos os líderes partidários têm de se encontrar uns com os outros significa uma cedência do jornalismo à aritmética falsamente equilibrada do debate eleitoral. Por exemplo, o interesse jornalístico do debate Jerónimo de Sousa – Louçã é residual, enquanto o debate Louçã- Portas só serve para as uma pequenas picardias espectaculares porque nem um nem outro competem directamente. Já o mesmo não se pode dizer do debate Sócrates-Passos Coelho, Sócrates-Louçã, ou Passos Coelho-Portas, que são os únicos que um critério jornalístico justifica»

José Pacheco Pereira (14/05/2011) (1)


«Há quem fale de si para a cultura…

Nem sequer vai haver Ministério da Cultura. Não penso nisso. Acho absurdo também que se discuta a estrutura do governo que vai nascer das eleições. Se há coisa que não me preocupa é ter poder. Prefiro ter o poder de ser autor e editor, são também formas de exercer o poder.

Quais acha que devem ser as prioridades do PSD? A mensagem tem passado?

Não, não. Há toda uma mistificação feita por esta demagogia indecente [do governo]. Dizer que o PSD quer destruir a escola pública é indecente. Ninguém pode dizer isso porque no estado em que ela está só pode melhorar, não pode piorar. Ministério da Edução tivemos um ou outro caso – Marçal Grilo e David Justino -, de resto temos tido ministérios das escolas, centros de negociação sindical. Nos últimos anos os professores são vistos como números, os estudantes são estatísticas. Os professores têm sido hostilizados de uma forma brutal, maltratados porque foram metidos todos no mesmo saco. Uma classe declarada inimiga. O inimigo público número um. Este é um erro clamoroso.

Maria de Lurdes Rodrigues não fez o trabalho que era necessário?

Ela fez coisas absolutamente necessárias, imprescindíveis, agora o erro clamoroso foi ver os professores como uma classe a abater. O que é injusto para os professores e para a escola.

(…) E na cultura quais devem ser as prioridades?

[risos] Deve ser questionado e debatido o papel do Estado na cultura. Há coisas das quais não se pode desligar daquilo que é a identidade nacional.

De que coisas?

Dos teatros nacionais, por exemplo. É a nossa identidade. Da rede de museus. Há território onde não vale a pena inventar, depende claramente do Orçamento do Estado. A direita sempre teve a tentação de dizer que a cultura devia viver por si mesmo.

Isso não é contraditório…

Muito contraditório, por isso é que eu acho que o programa do PSD é sensato. Diz que há claramente onde se tem de investir com apoio público. Nos sectores onde tem de haver esse apoio, deve ser transparente. Por outro lado, quando falamos do Ministério da Cultura, falamos também do organograma. Ali estão representados todos os interesses das pessoas que vivem à volta da cultura. É preciso acabar com isso. Há cultura através da internet, das redes sociais, das pequenas comunidades. À qual é preciso dar atenção. Hoje falar de cultura não é só falar de teatro e bailados, ópera. São coisas que ficaram esquecidas porque o governo não teve tempo porque andou a apagar os fogos. É preciso mudar a estrutura do ministério.

Reduzi-la?

Sim, naquilo que ela tem em excesso. Acho que quando se fala em reduzir, toda a gente acha bem, mas há reduções que têm a ver com pessoas e temos de ter cuidado.»

Francisco José Viegas (14/05/2011) (2)

(1) Artigo no Público.

(2) Entrevista a Liliana Valente, no jornal I.

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