Citações para Memória Futura (6)

«Vítor Bento, que apresentou recentemente o livro “Economia, Moral e Política”, publicado pela Fundação Francisco Soares dos Santos, considerou que a actual situação resultou de uma crise de valores morais, mas que os políticos falharam nas escolhas que fizeram. “No livro olhei para a crise internacional não apenas do ponto de vista estritamente económico, mas enquanto erupção de uma crise de valores da própria sociedade. Há muitos factores que contribuíram, mas uma delas é o facto de hoje vivermos numa sociedade onde os valores materiais são a referência comum, que quase toda a gente subscreve”, afirmou.

O economista considerou que, no caminho para a crise, uns têm mais culpa do que outros, destacando neste grupo de maiores culpados, “políticos, banqueiros, gestores em geral”, que tinham a obrigação de saber que as escolhas que faziam “conduziriam a caminhos errados”, além da obrigação de limitar a possibilidade dos indivíduos fazerem escolhas erradas.

“Em última instância, os políticos têm sempre mais culpas, porque têm a obrigação de gerir a casa comum, de ver melhor e mais longe. Enquanto os outros elementos privilegiam muito o seu interesse particular, os políticos têm a obrigação de colocar o interesse comum acima de tudo, de estar no cimo da torre com uma visão mais ampla e, portanto, limitar os estragos que os interesses particulares possam fazer”, afirmou.»

Lusa (04/04/2011) (1)

Comentarium: Vítor Bento é economista.
Foi presidente do Conselho Directivo do Instituto de Gestão do Crédito Público, director-geral do Tesouro, director do Departamento de Estrangeiro do Banco de Portugal, vogal no Conselho de Administração do Instituto Emissor de Macau, consultor económico do ex-presidente da República Jorge Sampaio e membro do Comité Monetário da União Europeia. Entre 2006 e 2008 foi presidente da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social.
É presidente do conselho de Administração da SIBS – Sociedade Interbancária de Serviços (empresa que gere o Multibanco português), conselheiro de Estado (nomeado por Cavaco Silva, para o lugar deixado vago por Dias Loureiro) e professor de economia na Universidade Nova de Lisboa e Universidade Católica. Foi orador num dos encontros do movimento “Mais Sociedade”, e apoia o PSD nestas eleições.

Tudo indica que grande parte das suas actividades ao longo destes anos tenham tido uma (ou várias) vertentes políticas. E ainda bem.

Por outro lado, uma pergunta impõe-se. Será que só quando formos como a Grécia e a Irlanda (ou como a Tailândia) teremos os nossos valores morais recuperados?

(1) Publicado no Público Online.

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