A Queda (Adenda)

Pedro Passos Coelho: «PS habituou-nos a responsabilizar toda a gente pela situação de Portugal» (1). De facto o PS não fez isso nunca, nem no congresso deste fim-de-semana: limitou-se a criticar todos os partidos da oposição, incluindo o PSD. Portanto não há razões para tanto lamento do líder do PSD. Se o PS também tivesse responsabilizado outros agentes, aí sim, seriam compreensíveis tais palavras:

– Não criticou a forma como a União Europeia funciona desde há anos, o seu acquis communitaire. Embora não seja oficial, funciona a duas velocidades.

– Não criticou um sistema que tem agências de notação de risco (rating) com interesses não muito claros. Que não previram a crise de subprime dos Estados Unidos em 2007.

– Não criticou os governos PS, PSD-CDS e PSD que apostaram unicamente no turismo e nos serviços.

– Não criticou os especuladores.

– Não criticou os grandes empresários portugueses, e sobretudo os banqueiros, incapazes de ter um “ano mau” mas capazes de proporcionar décadas de “anos maus” aos seus trabalhadores. E também eles especuladores.

– Não criticou a forma como o Banco de Portugal tem actuado (independentemente de estar no governo o PS ou o PSD).

– Não criticou aqueles que criaram o acrónimo PIGS, para designar Portugal, Irlanda, Itália e Grécia. Isto numa altura em que os Estados Unidos e o Reino Unido sofrem uma enorme crise sem fim à vista.

– Não criticou o PS que aceitou o PEC I em 2005, e aqueles partidos que o aprovaram.

– Não criticou o PS que aceitou o PEC II em 2006, e aqueles partidos que o aprovaram. Isto num momento em que se via claramente que o primeiro não tinha resultado.

– Não criticou o PS que aceitou o PEC III em 2007, e aqueles partidos que o aprovaram. Isto num momento em que se via claramente que o segundo não tinha resultado.

– Não criticou o PEC IV, trazido por José Sócrates depois de um encontro ridículo com a chanceler alemã, Ângela Merkel. Isto numa altura em que a Alemanha também está em crise, mas como é credora de Portugal pode dar-se ao luxo de certas cerimónias com um “país periférico”.

Bem, acho que me esqueci de alguém…

(1) A Bola, 10/04/2011.

Fonte da Imagem: ACRA-EC.

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