Anjo Meu: Os anos 80 do século XX em versão comprimidos – parte 2

Os autores desta novela são Maria João Mira e o seu filho, André Ramalho.

Maria João Mira foi a primeira directora da Casa da Criação (1) quando ela nasceu, em 2001. Escreveu novelas em parceria com Virgílio Castelo, Diogo Horta e António Barreira.

Em todas as novelas existiram sempre gente a voltar à sua terra (ou à dos seus pais ou avós), mentiras, romance, tragédias de ir às lágrimas, mulheres cheias de garra e outras meramente passivas. São estes os mesmos ingredientes que usa agora.

Esta novela passa-se nos anos 80 do século XX. Mas, descontando a rádio pirata, as maquilhagens e a roupa das personagens, temos uma telenovela que poderia ser situada em qualquer década ou século que não haveria diferença. A pesquisa etnográfica exaustiva, feita pelos autores, não tem resultado. De resto, segue-se a tendência de Tozé Martinho de tornar os totalitarismos doces como o mel e de converter os totalitários à democracia.

Os anos 80 do século XX representaram em Portugal os primeiros sinos do fracasso do 25 de Abril. Esta novela torna-se, a cada episódio, simultaneamente a negação dos ideais do 25 de Abril e dos anos 80. Bem vindos, pois, ao século XXI.

(1) A Casa da Criação, empresa de guionismo para televisão, nasceu em 2001 como parte da NBP – Nicolau Breyner Produções. Com a compra da Media Capital pela Prisa a NBP juntou-se com a Plural espanhola, passando a designar-se como Plural Entertainment. Assim, a Casa da Criação passa a fazer parte desse grupo, cujo principal cliente é a TVI. Actualmente é dirigida pelo actor Adriano Luz.

Ler também: Anjo Meu: Os anos 80 do século XX em versão comprimidos – parte 1

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