Leituras: Caim de José Saramago

(O último livro que José Saramago publicou antes de morrer e o livro dele mais gozão! Saramago não se preocupa com a coerência da história: interessa-lhe mais a coerência da sátira.)

Caim, que mata o irmão porque Deus não teve em conta as suas preces e é condenado por esse Deus a andar errante pela terra. No entanto, a errancia acaba por ser mais temporal que territorial. Caim então apreende a injustiça das coisas feitas em nome de Deus. Revoltado, tenta substituir-se primeiro aos anjos. E termina o livro em guerra declara contra Deus.

José Saramago faz uma sátira à igreja católica, à crença de um Deus castigador (que foi herdada do judaísmo, mas que já existia anteriormente), bem como a todo o fundamentalismo. Claro que, como ateu militante, o objectivo deste livro é atacar toda a religião.

(Rui Tavares classificou-o como o livro mais judaico de Saramago. De facto, a história assemelha-se à do judeu errante, mas o objectivo final parece-me muito diferente da visão tavariana.)

Aviso aos fundamentalistas: Saramago pretendeu criar uma obra de ficção e não um evangelho para ser lido à letra ou para substituir o existente (bem, para ele a Bíblia era ficção).

Leitura de: José Saramago, Caim (Alfragide, Caminho, 2009).

Fonte da Imagem: Caminho (Grupo Leya).

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