Crise agravou economia paralela

«Nos últimos dois anos o sector informal subiu de 18,7% para 19,7% do PIB, quando nesta década o seu peso tinha descido até 2008.

A economia paralela portuguesa tem estado a ganhar terreno desde o início da crise, em 2008, o que não surpreende os economistas. “Em períodos de recessão o sector informal é um colchão. Quando as pessoas ficam desempregadas abrem negócios, pequenos serviços, que aumentam as actividades informais”, explica Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge. O seu colega austríaco Friedrich Schneider, da Universidade de Linz, estima que a economia informal em Portugal, que nos primeiros oito anos desta década caiu 17,6%, tenha subido nos últimos dois anos de 18,7% para 19,7%. As pessoas utilizam-na “para compensar a diminuição dos rendimentos provenientes do seu trabalho na economia oficial”. Desde o recurso a off- shores para evitar a carga fiscal, a empresas com “saco azul” onde entram receitas não declaradas, até trabalhadores que acumulam o emprego legal a biscates, ou com pequenos negócios caseiros, são inúmeros os exemplos. O ministro da Economia, Vieira da Silva (…), admite que é “uma forma de dar emprego às pessoas”, mas reconhece a fragilidade da situação, que “merece um combate, porque distorce a concorrência”. Porém não considera que tenha havido um aumento “muito significativo”. Mas se a economia não registada pode ajudar ” o crescimento da economia oficial no imediato”, como afirma Óscar Afonso, da Universidade do Porto, “penaliza-o no longo prazo”. E, apesar de aumentar em períodos de crise, Portugal tem historicamente um grande sector informal, que António Ferreira Martins, da Universidade de Coimbra, atribui à baixa confiança no Estado.»

 Eduarda Frommhold, com Lusa

Comentarium: A partir do momento em que o Estado fica ao serviço de um pequeno grupo de pessoas, porque é que a maioria das pessoas haveria de ter confiança nele? Será que a criminalidade aumenta por acaso?

Fonte da Imagem: Trabalhadores do Comércio.

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