Sexting, o fenómeno dos adolescentes que se exibem online

«Muito poucos sabem o que isso significa, mas cada vez mais há mais pais preocupados com isso que os filhos ou os amigos dos filhos adolescentes fazem, e que se denomina com uma nova e estranha palavra.

É que sexting significa, nem mais nem menos, exibicionismo online. A palavra nasceu da conjunção das palavras em inglês sex e texting (sexo e envio de textos) para referir-se a uma das principais vias de difusão de imagens, através de telemóveis, que circulam na Web.

O fenómeno está a ganhar mais adeptos entre os argentinos. De acordo com a Consultadoria Ignis, dos quase dez milhões de usuários de redes sociais e blogues, metade são adolescentes entre 12 e 18 anos, dos quais 90 por cento possuem um telemóvel ou tem acesso a ele. Mas o dado mais inquietante é que 36% desses meninos e meninas admitiram ter ido para a Web ou enviado as suas próprias fotos em poses provocantes.

O sexting, um fenómeno que se vem alastrando nos Estados Unidos nos últimos quatro anos, é definido pelos especialistas como a tendência dos adolescentes para partilhar as suas próprias fotografias, com alto conteúdo erótico através de mensagens de texto a partir de seus celulares, e-mail ou enviá-las para redes sociais.

(…) Segundo os especialistas, as causas deste fenómeno vão desde a negligência familiar até a um maior acesso aos meios tecnológicos, sem os pais fazem um controle adequado sobre o uso por crianças, que não possuem critérios para medir o que envolve mostrar-se na Web ou enviar fotos ou vídeos íntimos do telemóvel.

Lidia Grichener, da associacão Missing Children Argentina, explicou ao La Nacion: “Nos últimos três anos, são cada vez mais frequentes as chamadas de pais com esse tipo de consultas. Esse fenómeno começou a ver-se com o avanço da Internet e e com o grande acesso das crianças às novas tecnologias.

Na opinião do director da Fundação Proyecto Padres, Adrián Dall’Asta, “a brecha geracional que trouxeram as novas tecnologias produziu um paradoxo educativo muito particular, segundo o qual os filhos ensinam aos adultos o manejo das ferramentas informáticas”.

Segundo Dall’Asta, “este desconhecimento por parte de dos pais traz distintas sensações nos adultos, que vão desde um temor excessivo até uma falta de interesse, produto da ignorância, embora não haja indiferença. Também se encontra o outro extremo: a sobrevalorização das tecnologias. A motivação dos jovens tem mais a ver com a exploração e a facilidade de aceder às coisas que com uma patologia”.

O especialista acrescentou: “A postura ideal dos pais é estarem abertos um novo modelo de comunicação que veio para ficar, mas deve ter um grande controlo e acompanhamento diário”.

(…) “O exibicionismo dos adolescentes é uma tendência actual. Vivemos numa época em que todo o íntimo se expõe. O sexo e a violência se mostram como se fossem espectáculos”, afirmou ao La Nacion a psicanalista Diana Litvinoff, autora do livro El sujeto escondido en la realidad virtual e membro de la Associação Psicanalítica Argentina.

A especialista disse: “O termo «exposição» pode ser tomado em duas acepções. Uma, no sentido de exibição, outra como permanecer exposto a um perigo. Os adolescentes estão cientes da exposição e têm orgulho nisso porque esta é uma época em que se exalta a fama, aparecer nos media de qualquer maneira possível, e a Internet é hoje uma brilhante tela que se mostrar. Muitos adolescentes não tem consciência do perigo. Existe um grande nível de ingenuidade”.

À pergunta de como pode reagir um adolescente quando descobre que as suas fotos e vídeos foram usadas para outros fins, Litvinoff respondeu: “A primeira coisa que sintem é vergonha. Faz-se uma exposição confiando numa cerca descrição daquele que o recebe, e isso não é assim. Isso produz a sensação de traição e vergonha social”. Eu recomendo aos pais: «É importante alertar os nossos filhos que há determinadas expressões fotográficas ou fílmicas que devem ser reservadas à intimidade»”.

O psiquiatra e especialista em crianças, adolescentes e tecnologia, José Sahovaler, explicou: “Toda a gente sempre se expôs, não só os adolescentes. Mas isso é muito mais importante entre adolescentes, pois há um amadurecer próprio da idade. Eles precisam de se mostrar para reafirmar a sua sexualidade. Aos olhos dos outros, cada um se define sexualmente. Se eu sou atraente ou não; se gostou ou não; se sou homem ou não. Estas são perguntas que os adolescentes se fazem sobre sua sexualidade”.

José Sahovaler acrescentou: “As poses provocantes dos jovens têm a ver com duas coisas. Os adolescentes sabem o que é a sexualidade e para que serve o corpo. A isso se soma o exibicionismo impúdico que é visto nos meios de comunicação” (…)».

José María Costa (La Nacion)

Notícia Original Complecta: Sexting, el fenómeno de los adolescentes que se exhiben online.

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