Porque ainda não comecei a túitar

Decidi limitar a minha participação nas redes sociais a meia dúzia de aderências (logo, de empresas) porque:

– Somos cada vez mais indivíduos atomizados, com cada vez menor noção de pertença a um sítio. Tudo é efémero, mas hoje tem-se essa consciência maior disso, porque para além da morte, as relações pessoais parecem ter prazo de validade para muitos (veja-se o aluguer de amigos). Somos muitos sentados à frente do nosso computador a emitir opiniões ou a dialogar com alguém virtualmente (afinal, é para isso que servem as redes sociais), com uma ligação vaga a pessoas ou comunidades reais.

– Revolta-me a hipótese de se saber de tal forma os gostos, a vida e o que pensa cada pessoa, deixando assim pouco espaço para a privacidade – e para respirar. Sou constantemente bombardeada com publicidade, de inúmeras formas, até ao cansaço!

– Nem toda a publicidade-a-si-mesmo é positiva: todos temos um lado negro que se manifestará mais tarde ou mais cedo. E aquilo que uns vêm como qualidade, para outros será defeito.

– Não há tempo sequer para blogar como desejaria. Milhões de lençóis de texto ficaram por escrever por falta de tempo, que inclui motivação para pesquisar mais e para pensar mais antes de escrever (por sua vez, o Twitter está limitado a 140 caracteres!).

Dizer o que pensamos a todo o momento: esses pensamentos ficam para os amigos de carne e osso, não para ilusões sociais de conhecimento, pessoas que têm um alcance limitado na nossa vida. Concedo que o Twitter seja útil a um jornalista no exercício da sua profissão – que se pode actualizar constantemente com novas informações – não a mim.

– A blogosfera já teve o seu ponto alto como moda. Agora é moda estar no Twitter e no Facebook. Qual será a próxima moda? Escrever mensagens infográficas?

– É melhor fixar meia dúzia de locais virtuais onde estar, em vez de se dispersar informação e atenção pessoal por muitos sítios.

Nota: Agradeço ao Pedro Jerónimo a palavra: túitar.

Leitura Adicional: Virtual communities: abort, retry, failure?

Fonte da Imagem: Flammarion Cysneiros.

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