Para que conste 3

benetton-china-tibete– Barack Obama anunciou que não recebe o Dalai Lama, ao contrário do seu antecessor. Tem os mesmos valores de José Sócrates: o que interessa é agradar à China, com quem é necessário manter óptimas relações sacrificando tudo.

E eu já estou farta de ver o Dalai Lama aceitar muito pacificamente decisões deste género. O Dalai Lama Tenzin Gyatso pode ser um bom líder religioso (não sou perita nessa matéria), mas enquanto líder político não presta (nota-se à distância).

É necessário chamar a atenção para uma coisa: o Tibete não era nenhuma democracia antes da invasão chinesa! A invasão apenas lhe retirou a independência. Assim, nem os chineses são nenhuns benfeitores para os tibetanos nem o regime antes da invasão chinesa era recomendável! O Dalai Lama na crista da onda do seu tempo, guru de gestores e chefe de governo no exílio só nasceu graças à ocupação chinesa.

– Quanto a Obama: já aqui referi que não tinha nenhumas expectativas em relação a ele e cada vez mais se revela o que sempre foi: ele é 90% marketing e 10% de ideias boas (ou menos). Em Portugal, ao contrário do que afirma JPT, Barack Obama foi glorificado pelos socialistas à procura de um guru, por alguns sociais-democratas e democratas-cristãos à procura da formula de marketing milagrosa e por uns quantos militantes do Bloco, sendo o mais espalhafatoso o historiador (e agora deputado europeu) Rui Tavares. Não me parece, portanto, que seja uma uma paixão unânime «dos esquerdalhos», como o mesmo JPT refere nos comentários do referido postal.

Nobel_medal_dsc06171– Esta corrida ao Nobel já me cansa! E já estou farta das queixas dos norte-americanos e dos “conservadores”. Penso que há medida que os anos avançam as escolhas da Academia Sueca são mais politicas que literárias. De facto, no ano passado, o seu secretário permanente Horace Engdahl, que os Estados Unidos não participam «no grande diálogo da literatura». Estas declarações soam-me ainda hoje estranhas. Segundo a teoria de alguns conspiradores, Academia é toda de esquerda e anti-americana. Não concordo com essa teoria. Se o facto de não se receber o prémio Nobel da Literatura não tira nenhum mérito aos que o não recebem, já este género de histeria traz desmérito até a um bom escritor. Há milhões de outros bons escritores que nunca receberão e não serão menos meritórios por isso! E em vez de tanto protesto, seria mais interessante sugerir que a Academia recebesse algum sangue novo, para actualizar os gostos políticos às conveniências literárias actuais (bem diferentes da Guerra Fria).

Fonte das Imagens: Ímpar Vermelho; The Snitch.

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