Porque o Estado Novo durou quatro décadas

A licao de Salazar

«(…) só apoiaram o regime aquelas forças que nunca apareceram na cena politica… mas tiveram sempre por trás dela? Essas mesmas forças que beneficiaram com o chamado corporativismo, traduzido do italiano: aquelas forças que, no campo económico e financeiro, engordam enquanto o povo emagrece: o alto capital, a Finança internacional. A Igreja e o exército foram os seus instrumentos. Mas só essas forças podiam ser o verdadeiro aliado de Salazar. Por isso, enquanto só o temor às retaliações tolhe ainda o exército e a Igreja parece ter-lhe tirado inteiramente o seu apoio, o regime continua “inexplicavelmente” de pé. “Inexplicavelmente” para quem ainda não se deu ao trabalho de verificar quem são na realidade os donos de Portugal…»

Adolfo Casais Monteiro

1. O Estado Novo era herdeiro de um golpe militar. Tinha todo o apoio do exército. E teve-o durante muitos anos, sendo que as primeiras dissidências começaram nos anos 50.

2. Apoio da Igreja ao golpe de estado de 1926, aos seus herdeiros e a Oliveira Salazar de uma maneira particular. Este apoio era uma espécie de vingança ao limitar do seu poder imposto durante a 1ª República.

3. Politica de partido único. Cultivou-se da ideia de que o regime era apolítico, e que isso era bom. Ora essa ideia era uma mentira.

4. Perseguição politica e silenciamento de todos os que pensavam de forma diferente da ideologia estado-novista. Todos eram rotulados de adversários, afastados dos seus empregos, perseguidos a pontos de ter de escolher entre a prisão e o exílio. Assim, era proibido de ter opinião e de manifestá-la. E em último caso, quando nada disso funcionava, o exército atirava contra a multidão que se revoltava! Era assim que o país não tinha problemas nem divisões.

5. A mentalidade herdada do absolutismo nunca foi totalmente erradicada. Por falta de consciência politica, tínhamos:

a) Subserviência aos poderosos e aos poderes instituídos (poderes político e económico).

b) Preguiça e impreparação para se pensar pela própria cabeça de grande parte da população, e mesmo entre os mais intelectualizados.

c) Amor pela “ordem”, que é uma forma falsa de resolver todos os problemas (eles continuam lá, mas como são invisíveis não existem).

6. Apoio pessoal dos grandes empresários, como António Champalimaud, e outros, com quem havia troca de favores e informações.

7. A ideia, acarinhada pela Igreja e pelo regime, e que a caridade substituía a justiça social. Assim, tínhamos quase todo o país a passar fome ou a ter de emigrar. Mas como os cofres do estado estavam cheios, bem como os cofres de alguns empresários, vivia-se no melhor dos mundos.

8. Por causa da censura ou da subserviência, toda a imprensa estava, directa ou indirectamente, ao serviço do regime.

CIMG00379. O regime cultivava o medo nas pessoas (como todas as ditaduras): vivia-se em opressão.

10. Corporativismo: sindicatos dependentes do regime.

11. O regime cultivava o anti-comunismo como forma de silenciar todas as dissidências. Estes eram naturalmente chamados de comunistas, mesmo que não o fossem.

12. Divisões no seio da oposição ao Estado Novo:

a) Muitos oposicionistas, não sendo comunistas, faziam o jogo do anti-comunismo ao denunciarem opositores.

b) Por várias vezes houve homens, como Humberto Delgado e Henrique Galvão, que combatendo o Estado Novo, com o tempo mostravam apenas desejar ocupar o lugar de Oliveira Salazar e manter tudo como estava.

c) Alguns oposicionistas pareciam não conhecer as manhas do regime e caíam em armadilhas que o regime lhes fazia.

13. Até 1945 o regime teve o apoio do nazismo e do fascismo. Embora se declarasse neutro durante a 2ª Guerra Mundial, o regime português apoiou esses regimes e foi apoiado por eles.

14. O regime apoiou e foi apoiado pelo regime ditatorial de carácter fascista de Francisco Franco, de Espanha. Este chegou por várias vezes a ameaçar que se derrubassem regime invadiria o país (antes e depois de 1974).

15. Depois da 2ª Guerra Mundial, Oliveira Salazar procurou e obteve a protecção e o encobrimento dos Estados Unidos, que viam em Portugal um local estratégico para a luta contra a União Soviética e o Bloco de Leste.

16. Também obteve a protecção de todos os países que faziam parte da NATO e da ONU. Porque em Portugal o regime não era comunista, era considerado democrático por muitos países, que assim fechavam os olhos ao seu verdadeiro carácter.

Fonte das Imagens: Escola Secundária Ferreira de Castro (1ª); sabine (2ª).

Anúncios