Testemunho: formadoras(es) do sector público

precario1c_«Penso que esta mensagem servirá de alerta aqueles que ainda não têm conhecimento da nova proposta que estão a receber os formadores a leccionar no ensino público.

Como já não podemos passar recibos verdes, temos uma das seguintes hipóteses:

– fazemos contrato com o Estado, como trabalhador por conta de outrém, na condição de aceitarmos leccionar 132 horas de aulas por ano (sem possibilidade de acumulação em diversas escolas);

– transferirmos o nosso regime de recibos verdes – como trabalhadores independentes – para o regime a facturas – como empresa em nome individual, e nesta condição não temos limite de horas a leccionar, podendo fazer acumulação com outras escolas.

A realidade é que não podemos aceitar a primeira proposta pois não permite receber sequer o ordenado mínimo nacional, em alternativa passamos de precários para precários, de verde para branco, sendo que o próprio governo contorna as leis que cria e não temos grandes hipóteses de escolha, pois as escolas estão a propor a transferência para empresa em nome individual…

Com esta medida o governo pode afirmar que acabou com os recibos verdes e que haverá um admirável crescimento de empresas, mas os precários continuarão precários!»

Comentário da Sabine: Este é um testemunho anónimo, colocado a 13/04/2009 no blogue do Ferve. É apenas uma história entre muitas de precaridade. Para além das histórias de precaridade, existem as histórias de desemprego de gente com mais de 40 anos e recém-licenciados e as histórias à volta das avaliações por objectivos no sector público e no privado, as ameaças constantes de diminuição dos salários, os lay offs… Por isso, o 1º de Maio podia ser comemorado todos os dias.

Fontes (da imagem e do texto): Zero de Conduta; Ferve.

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