Suicidio do jornalismo?!

jornais-ler«O jornalismo, como o tivemos, não durará. Existe uma certa demissão na transferência para o virtual. O cidadão informado – que, acima de tudo, se quer, a ele próprio, informado – reduz-se, em grande medida, à fragmentação; ao pluralismo em linha. Encontra-se, parcialmente, desligado. Este modelo, como complemento de uma tentativa de agarrar o actual, embora menos reflectido, é já necessidade. Longe de substituir o conhecimento integrado que o artigo de opinião, a reportagem densa e a investigação demorada conferem.

Numa realidade em que muita da “actualidade” não passa de tentativa de desinformação, manipulação, apropriação ou veículo de marketing e propaganda, afirma-se a necessidade de atenção ao pormenor.

A tentação do entretenimento, o jornalismo direccionado, o argumento do consumidor activo encerra a contradição de um maior sedentarismo. A World Wide Web torna-se, assim, menos democrática. Na afirmação das nossas escolhas, vamos ao encontro do que já somos. A notícia “num clique”, confirma-nos: mantém-nos longe.

O jornalismo escrito, enquanto produto, não pode ser encarado exclusivamente como tal: ele é aquilo que me alerta para o que eu não sou. O único veículo que possuo para estar atento relativamente ao que é exterior à minha diminuta capacidade de alcance e atenção: o poder.

A acomodação do consumidor à formatação preguiçosa dos jornais em linha tem conduzido ao desinvestimento publicitário , diminuição qualitativa e consequente perda de novos leitores, emagrecimento de redacções e falência de inúmeras publicações a nível global»

Afonso Pimenta

Comentário da Sabine: Este excerto de um texto publicado no blogue Movimento a Favor do Jornalismo Pago fala por si mesmo, por isso vou tecer um comentário pequenino.

O online e os jornais gratuitos têm vantagens, mas para mim não faz nenhum sentido desinvestir no jornalismo escrito. Os jornais gratuitos limitam-se a copiar o que está na internet e a fazerem um amontoado desconexo de temas. O jornalismo escrito pago tem permitido o aprofundamento de temas (embora me pareça que em Portugal e no mundo se encontra em decadência). As redes sociais podem ser úteis, mas não substituem o jornalismo escrito. Acabar com o jornalismo escrito pago é aumentar a iliteracia.

Fonte da Imagem: Devida Comédia.

Leituras Adicionais:

The 10 Most Endangered Newspapers in America

Mort des journaux ou du journalisme?

Última Actualização: 07/04/2009

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