Leituras: Gorbachev, Determinismos e o Pós-comunismo – parte 2

Continuação da Leitura de O Pós-comunismo: do Atlântico aos Urais, de Jacques Lesourne e Bernard Lecomte (Venda Nova, Bertrand, imp. 1991):

No capítulo seguinte os autores debruçam-se sobre o “império deslocado”, ou seja, as repúblicas que faziam parte da União Soviética mas que na altura (1990) estavam a pedir a sua independência. Segundo a tese oficial comunista, o regime tinha erradicado o racismo e promovido a paz e a união entre os povos. Ora a realidade era bem diferente. Especialistas como Michel Garder, Andrei Amalrik, Emmanuel Todd e Hélène Carrère d’Encausse nunca acreditaram nessa tese. Apesar da homogeneização crescente promovida durante decénios na União Soviética, os povos nunca perderam totalmente as suas características específicas. Estes povos têm características que os diferenciam, seja do ponto de vista religioso, nas tradições, na demografia e mesmo na história. Ora, a glasnost deu oportunidade de manifestações a todas estas especifidades nacionais e regionais, trazendo para primeiro plano o nacionalismo latente. Os autores fazem notar que em muitos casos Estaline apoiou as independências nacionais para depois, em 1940 as anexar e submeter.
Para os autores, o desmembramento da União Soviética era algo que não podia ser adiado eternamente, visto que mais tarde ou mais cedo seria inevitável acontecer. As políticas de Gorbatchev apenas deram o impulso inicial necessário.
Jacques Lesoune e Bernard Lecomte comentam que durante todo o processo de desmembramento da União Soviética Mikhail Gorbatchev teve um acção dúbia. Se por um lado não conteve totalmente as revoltas nacionalistas por outro tentou, de todas as formas possíveis, manter o poder e a influência da Rússia sobre os outros estados.
A independência declarada de várias nações levou ao despertar do nacionalismo russo. Este nacionalismo manifestou-se pela «preservação da Natureza, restauro dos monumentos históricos, o estudo da História, o restabelecimento dos antigos nomes de ruas e de cidades» e renascimento da igreja ortodoxa. No entanto, com o tempo (e isso já se notava em 1990) sobressaía a sua componente xenófoba, com «um triplo alvo: os judeus, os outros povos da União Soviética e o estrangeiro em geral». Nesse contexto nasce o movimento Pamiat (que significa memória em russo), que glorifica a Rússia pré-revolucionária e tem carácter neo-fascista, entre outros.

Leitura Complementar, relativa à situação actual: Estado e Igreja russos cada vez mais fundidos; A Juventude NASHI.
Fonte da Imagem: The Berdichev Revival.

Fim da 2ª Parte

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