Malraux, De Gaulle e a Independência dos Estados


André Malraux foi, para além de escritor e pensador, politico. Foi ministro dos governos chefiados pelo general Charles de Gaulle: foi ministro da Informação (1945-1946), depois ministro de Estado (1958-1959) e mais tarde ministro dos Assuntos Culturais (1959-1969). Era um grande amigo e admirador do seu presidente e quando este se reformou politicamente escreveu Quando os Robles se Abatem. Trata-se de uma entrevista, relatada em prosa elegante, a meio caminho entre a literatura e a propaganda. Tentei ler esta obra mas desisti, esmagada pelo estilo e pela idolatria do autor, que vai quase ao misticismo.
Pergunto-me se Charles de Gaulle não teria sido um ditador se os tempos fossem outros. Nasceu em 1890 e foi educado num ambiente muito culto e conservador. Adepto da ideia de predestinação, achava-se um homem providencial, o salvador da França. Era grande admirador de Joana d’Arc, Napoleão e do rei Luís XIV (que não foram propriamente democratas). Ainda assim, foi este homem que liderou a resistência francesa durante a II Guerra Mundial, primeiro a partir de Londres (onde o apoio do presidente britânico Winston Churchill), posteriormente de Argel (na altura ainda colónia francesa). Depois da II Guerra Mundial ter sido vencida pelos Aliados, De Gaulle ambicionou manter-se no poder sem eleições, com um governo de união nacional (onde todas as sensibilidades politicas estariam representadas, menos os comunistas). Essa ambição foi travada (e bem) pelos partidos políticos e pela população francesa e o general Charles de Gaulle renunciou em 1946. Parece-me que esse gesto acabou por mudar-lhe a vida.
Em 1958 voltou ao poder, no auge da crise entre os militares franceses e o povo argelino, com os argelinos a lutar pela independência do seu país. Inicialmente era apoiado pela extrema-direita francesa, que lhe retirou esse apoio quando viu que De Gaulle não iria contrariar a vontade de emancipação dos argelinos. Governou entre 1959 e 1969, sendo eleito sucessivamente.
Uma das grandes lutas do general Charles de Gaulle era por uma França independente. Por isso, sempre procurou manter uma boa relação, tanto com os Estados Unidos como com a União Soviética. E decidiu não aderir à NATO numa primeira fase. Questiono-me quantos políticos se preocuparão realmente com a independência dos seus países. “Globalização” parece querer dizer “dependência”. E países como a Rússia vêm na dependência energética e económica uma arma para condicionarem as politicas externas dos outros países. Também os Estados Unidos estão dependentes da China, embora isso não seja admitido oficialmente. E estes são apenas dois exemplos.

Fonte para este Texto: Susan Banfield, De Gaulle (São Paulo, Nova Cultural, 1987).
Fonte para a Imagem: Arcantic.

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