Arquivo do mês: janeiro 2012

Coisas Giras de Portugal em 2012 (14)

«António José Seguro quis ter ontem uma palavra a dizer sobre a aparente tensão entre Cavaco Silva e São Bento por causa das recentes medidas de austeridade e das visões diferentes sobre o modelo social. O líder do PS alertou que este “não é o momento” para “desavenças” entre a Presidência da República e o Governo, declaração que surge depois de a imprensa ter noticiado durante o fim-de-semana que Cavaco não vê com bons olhos a política ‘ultraliberal” do ministro das Finanças e o Estado mínimo de Passos Coelho. O jornal Público avançava mesmo que alguns cavaquistas defendem a saída de Vítor Gaspar.

Apesar de nos últimos meses Seguro ter por várias vezes invocado os recados de Cavaco para reforçar a sua oposição ao cortes nos subsídios e o seu apelo a favor de uma política de crescimento económico – o que lhe valeu críticas de colagem a Belém dentro do próprio partido -, o líder socialista optou ontem por uma mensagem conciliatória. “Este não é o momento para termos desavenças entre os principais órgãos de soberania, em particular entre a Presidência da República e o Governo”, disse o líder socialista aos jornalistas depois do encerramento do encontro de autarcas socialistas, em Ourique.

Seguro quis deixar claro que este é o momento de “concentrarmos todos os esforços” com o objectivo de “resolver” a actual crise. Mas não deixou de mandar uma farpa ao Governo, a quem acusou de estar “de braços caídos” e de estar “a matar os sonhos dos portugueses”. Porque, disse, é “um Governo que só aplica o programa da ‘troika”.»

Inês David Bastos (30/01/2012) (1)

(1) Com Lusa, no Diário Económico.

Fonte da Imagem: O Secretário Chocado.


Passa para cá a soberania

«Os olhos cobiçosos da Alemanha voltam-se de novo para a soberania dos países “periféricos”. De facto, confirmando uma notícia avançada pelo “Financial Times”, a AFP revelou que uma “nota informal” apresentada ao Eurogrupo pela Alemanha (que ainda é devedora à Grécia de muitos milhares de milhões que foi condenada a pagar-lhe a título de dívidas de guerra) no sentido de que a Grécia seja forçada a ceder a sua soberania orçamental em troca de novo pacote de “ajuda”.

Os olhos cobiçosos da sra. Merkel não são substancialmente distintos, senão nos processos, dos que uma outra Alemanha deitou há décadas à soberania dos países vizinhos, Grécia incluída. Taxas de juro usurárias e batalhões de burocratas com “certos poderes de decisão” que reforcem “o controlo dos programas e das medidas ‘in loco’” são coisa mais discreta mas não menos arrasadora do que “panzers” e exércitos de ocupação. O seu efeito prático é, porém, o mesmo: a sujeição de um país e de um povo.

Que o actual Governo português, vendo as barbas gregas a arder, persista em atirar o país para o desastre, vergando-se a “ajudas” arma(dilha)das e afundando a economia no ciclo infernal da austeridade e da recessão, ou é cegueira obstinada (do género da de quem não quer ver) ou coisa pior.

Neste contexto, a intenção do mesmo Governo de pôr fim ao feriado que recorda a data da Restauração da Independência assume hoje uma involuntária carga simbólica.»

 

Manuel António Pina

 Comentarium: Reproduz-se na íntegra a crónica de Manuel António Pina, posto que não há mais nada a acrescentar (por enquanto).

Fonte da Imagem: Casa da Imprensa.


Coisas Giras de Portugal em 2012 (13)

«O Governo vai cortar menos Carreiras da Carris do que aquelas que foram propostas pelo grupo de trabalho dedicado a esta matéria e, na Transtejo, não será suprimida qualquer ligação fluvial. Já o Metro de Lisboa vai andar mais devagar.

Depois de negociar com a Junta Metropolitana de Lisboa, o secretário de Estado dos Transportes acabou por deixar cair algumas das propostas do grupo de trabalho, que pretendia, por exemplo, fazer desaparecer 23 carreiras da Carris, uma medida que abrangia até autocarros suburbanos. Mas as seis que vão ser cortadas servem apenas o concelho de Lisboa, segundo a proposta final, que é citada no «Público» e «Jornal de Negócios» desta sexta-feira.

O Metro vai desacelerar fora das horas de ponta. A velocidade será reduzida de 60 para 45 km/h. Mas ainda há mais: serão menos as carruagens que circularão à noite e aos fins-de-semana em três linhas: azul, amarela e verde, sendo que nesta última a redução é permanente.

O eléctrico 18, que faz o percurso entre o Cemitério da Ajuda e a Rua da Alfândega, mantém-se, mas vê a ligação passa a ser feita só até ao Largo do Calvário.

Passamos aos comboios: as linhas de Sintra e da Azambuja vão sofrer ajustes, tanto em termos de horários, como de oferta de transporte, mas para que haja mais carruagens a circular nas horas de monta e menos fora desse período.

Já que falamos de ajustes, os preços também não vão escapar a reformulações. Está previsto, como se sabe, que as tarifas aumentem já a partir do dia 1 de Fevereiro. O aumento será na ordem dos 3,7% e falta ainda saber se os passes destinados aos estudantes e aos reformados caem ou não.

Ainda neste campo, e apesar de o grupo de trabalho não o ter proposto, o Governo vai criar um passe cidade. A ideia é que os utentes possam circular no Metro, Carris e CP com duas zonas – cidade e área suburbana.

E, segundo a mesma proposta, o Governo quer criar títulos para que os passageiros dos Transportes Colectivos do Barreiro e da Transtejo/Soflusa usem o futuro “Passe Lx”.

Para justificar a inclusão da CP Lisboa no novo título, o secretário de Estado aponta «um especial benefício para a zona ocidental, a zona de Benfica, a ligação da zona oriental ao centro e a utilização da linha de cintura», cita a Lusa.

Segundo o documento, “de imediato serão criados títulos combinados que adicionem ao Passe Lx os Transportes Colectivos do Barreiro (TCB) e a Transtejo/Soflusa”.

Nota ainda para o facto de a Câmara Municipal de Lisboa ter aceitado criar 22 novos corredores rodoviários para utilização exclusiva de transportes públicos (faixas BUS), que vão permitir, segundo o secretário de Estado, “aumentar o nível de serviço e contribuir para a redução de custos da Carris”.»

Agência Financeira (20/01/2012)

«O Governo vai criar um passe que vai permitir a reformados, pensionistas, seniores e crianças que viajem nos transportes públicos fora da hora de ponta um desconto de 25 por cento, disse fonte do setor à Lusa.

O novo título, que ainda não tem nome, estará disponível a partir de 1 de fevereiro em todos os operadores de transportes públicos. O desconto de 25% não depende dos rendimentos e pode ser acumulado com outros benefícios, segundo a mesma fonte.

A 1 de fevereiro estará também disponível o novo passe “Navegante”, um título único que vai custar 35 euros e permitirá viajar de autocarro, elétrico, elevador (Carris), metro (Metropolitano de Lisboa) e comboio (CP Lisboa) dentro da malha urbana de Lisboa.

A Transtejo/Soflusa e os Transportes Coletivos do Barreiro (TCB) também deverão aderir a este novo passe.

O “Navegante” deverá estar totalmente integrado no sistema até ao início do próximo ano, altura em que deixarão de existir os passes monomodais da Carris e do Metropolitano de Lisboa.

Atualmente, existem 710 combinações diferentes de títulos de transporte na AML, sendo que só a CP Lisboa tem 177 títulos diferentes.

Na sexta-feira, o secretário de Estado dos Transportes anunciou, em declarações à Agência Lusa, que os preços dos transportes públicos vão aumentar, em média, cinco por cento e nos dos privados quatro por cento, a partir de 1 de fevereiro.

De fora destes aumentos médios ficam os passes mensais dos autocarros e metros de Lisboa e Porto.

O secretário de Estado afirmou na altura que os preços dos transportes públicos “vão manter-se até ao final do ano”, pelo que a “expetativa” do Governo é a de que “não haja mais aumentos este ano”.

Contudo, a partir de 1 de janeiro de 2013, serão feitos “ajustamentos” que, no Porto, “será de acordo com a inflação” e, em Lisboa, o preço “será igual ao do Porto”. O objetivo do Governo é ter os mesmos preços nas duas cidades.

O Executivo vai ainda reduzir para metade os descontos que dá aos utilizadores dos passes 4_18, sub 23 e sénior, que passam de 50 para 25 por cento.

Essa redução mantém-se até junho, mas a partir de julho será feita “de acordo com os rendimentos do agregado familiar”.

Quanto aos 4_18 e sub 23, o governante ressalvou que os beneficiários do escalão A do apoio social escolar “mantêm os 50 por cento de desconto”.

O Governo mantém também a redução de 50 por cento aos beneficiários do Complemento Solidário para Idosos e do Rendimento Social de Inserção.

A partir de 1 de fevereiro, vai ainda ser alargado o universo das famílias que podem beneficiar do Passe Social+ até às que têm rendimentos mensais de 1.258 euros.»

Lusa (23/01/2012) (1)

Comentarium: Porquê acabar com os passes monomodais? Apenas os idosos e desempregados poderão beneficiar de facto de descontos fora das horas de ponta. E os outros? E…? Um monte de perguntas para uma péssima política de transportes.

(1) Reproduzida no Diário de Notícias Online.


Grécia na Economia de Austeridade Europeia (1)

«A Grécia recusa ceder a sua soberania em matéria orçamental, como foi proposto pela Alemanha à Zona Euro, indicaram à agência France Presse (AFP) fontes governamentais gregas.

“A Grécia não discute essa eventualidade. Está fora de questão que nós aceitemos. Essas competências pertencem à soberania nacional”, disse uma das fontes, após confirmar a existência de uma proposta, apresentada ao Eurogrupo, para um controlo europeu permanente do orçamento da Grécia.

Já hoje, uma fonte europeia em Frankfurt confirmara a notícia, avançada na sexta-feira pelo Financial Times, de que uma proposta desse género partira de um grupo de países, incluindo a Alemanha.
As fontes gregas acrescentaram que uma proposta semelhante tinha sido apresentada no ano passado por um dirigente holandês num encontro com o jornal “Financial Times”.

Um controlo orçamental grego como o que é proposto obrigaria a “mudanças nos tratados” europeus, afirmaram as fontes gregas citadas pela AFP. (…)»

Exame Online (28/01/2012)

«A Grécia vai precisar de mais 15 mil milhões de euros do que o previsto. O segundo pacote de ajuda acordado em Outubro foi de 130 mil milhões de euros, mas a troika estima agora que chegue aos 145 mil milhões de euros, segundo noticia este sábado o semanário alemão «Der Spiegel».

O aumento do montante, em relação aos 130 mil milhões decididos em Outubro, deve-se a um agravamento da situação económica grega, acrescenta o jornal, que cita cálculos internos da troika resultantes das últimas avaliações após o seu regresso a Atenas, esta semana. (…)»

Agência Financeira (28/01/2012)

Comentarium:

- A uma dívida sucede outra dívida.

- Está em causa a soberania face à Alemanha.

Ver Também:
Coisas Giras de Portugal em 2012 (10)
Underneath, de Alanis Morissette
Grécia versus Portugal na Economia de Austeridade Europeia
Coisas Giras de Portugal em 2011 (33)
Coisas Giras de Portugal em 2011 (32)