Arquivo do mês: dezembro 2011

Carne e sangue português

Como é fácil de ver, o mundo é uma casa dos segredos. E o programa de entretenimento consegue trazer consigo um mix de tipos humanos mais portugueses que o fado, tema de futuros estudos pelos antropólogos da tribo marfim: a rapariga (e o rapaz) burros em termos de cultura mas extremamente espertos a jogar e extrovertidos, capazes de fazer a festa; os garanhões e as ninfomaníacas de serviço, totalmente dependentes de sexo; a rapariga que leu demasiadas revistas na infância e foi demasiado gozada, vingando-se agora em plásticas que financia vendendo a alma e, provavelmente, o corpo também; o rapaz obcecado com o corpo, cujas mulheres mandam nele; o católico indeciso e bom samaritano; as raparigas e rapazes com histórias traumáticas de abandono; os rapazes agressivos que gostariam de poder mandar em toda a gente; as meninas bonitas de serviço; a psicóloga com verdadeiro conhecimento das coisas mas que se perde no meio da personagem criada para si; a filha de emigrantes mimada e totalmente controlada pelo pai; o “ex-futuro” namorado que vivia às custas do “sogro” mas tem ar de menino de bem; a futura advogada com uma beleza estonteante e uma tendência para se envolver com os homens errados; o ex-militar e os seus traumas; os tomadores de esteróides… Todos estes tipos (e outros, como por exemplo a portuguesa que vota e pensa que está a eleger alguém democraticamente para sair da casa) não deviam figurar nos anais, segundo certas cabeças. Mas figuram, e pelos piores motivos: porque se venderam. No entanto, quando se percebe que eles são produto de uma certa sociedade que os moldou e produtores desta mesma sociedade, o sentimento é dual, entre a compaixão e a desilusão com esta carne e este sangue português.

Fonte da Imagem: Stop Sextrafficking.

Última Actualização: 31/12/2011


Facebook obrigado por um estudante a melhorar privacidade

«O estudante austríaco Max Schrems quis ter acesso a toda a informação que o Facebook tinha sobre si e conseguiu. Depois acabou por obrigar a rede social a melhorar os termos de privacidade dos utilizadores.

Segundo a agência EFE, os seus dados pessoais deram para 1.222 pastas dum CD, divididas em 57 categorias com as suas preferências, gostos, opiniões religiosas e outros detalhes que deixaram «perplexo» o universitário de 24 anos.

Os dados revelados foram acumulados durante três anos, desde que Schrems possuí conta no Facebook.

O mais surpreendente para o estudante foi o facto de aparecerem informações e conversas que ele já tinha eliminado, mas que a rede social manteve armazenada.

“Quando eliminas algo do Facebook, o que acontece é que escondem para que não vejas mais”, explicou o estudante de direito, indicando que cada vez que se escreve para uma pessoa naquela rede social, “na realidade está-se a escrever para duas”. Para o Facebook também.

“O Facebook sabe mais de nós do que a KGB [a polícia secreta da União Soviética] sabia sobre qualquer cidadão normal”, disse.

Qualquer utilizador pode ter acesso ao seu “arquivo pessoal”, através de um download, mas Schrems garante que não é toda a informação guardada pelo Facebook. Após muita insistência, o estudante conseguiu que a rede social lhe enviasse todas os dados que tinha sobre ele.

Depois de revelada toda a informação, Schrems reivindicou por melhores condições de privacidade. O Facebook ainda tentou reclamar junto ao organismo irlandês para a Protecção de Dados, mas este acabou por dar «razão» ao estudante.

Após três meses de investigação pelas autoridades da Irlanda – onde se situa a sede internacional do Facebook -, a rede social comprometeu-se a melhorar a privacidade da sua página com maior transparência na gestão das informações pessoais, impedir a utilização de uma imagem do utilizador para fins comerciais sem o seu consentimento e eliminar a informação que o Facebook obtém sempre que um utilizador clica no botão “Gosto”.

Passará a ser ainda limitado o tempo que a rede social poderá armazenar as informações sobre a navegação dos seus utilizadores.

Contudo, para Schrems, estas medidas são «o primeiro passo de um longo caminho”.»

TVI24 (24/12/2011)

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Redes sociais sem privacidade
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Última Actualização: 30/12/2011


Coisas Giras de Portugal em 2011 (33)

«Questionado sobre se aconselharia os “professores excedentários que temos” a “abandonarem a sua zona de conforto e a “procurarem emprego noutro sítio”, Passos Coelho respondeu: “Em Angola e não só. O Brasil tem também uma grande necessidade ao nível do ensino básico e secundário”, disse durante uma entrevista com o Correio da Manhã, que foi publicada hoje.

Pedro Passos Coelho deu esta resposta depois de ter referido as capacidades de Angola para absorver mão-de-obra portuguesa em sectores com “tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e do conhecimento, e ainda em áreas muito relacionadas com a saúde, com a educação, com a área ambiental, com comunicações”.

“Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos”, disse ainda o primeiro-ministro.

“Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa”, explicou.

Portugal é um dos países da Europa com menores níveis de escolarização da população, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011, publicado no mês passado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Enquanto em Portugal a escolarização média da população com mais de 25 anos era de 7,7 anos, na Grécia e em Itália era de 10,1 anos, em Espanha de 10,4. Na Alemanha era de 12,2 e nos EUA de 12,4.

Para as crianças que entram agora na escola, esta diferença é bastante menor: o número de anos de escolaridade esperados era de 15,9, no caso de durante a vida da criança se mantiverem as taxas de escolarização actuais, o que pode estar em causa dada a dimensão da crise. Em Espanha era de 16,6 anos, na Irlanda de 18 e na Alemanha de 15,9.»

Público (18/12/2011)

«O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, considera que sair de Portugal em busca de melhores condições de vida “faz parte da nossa história e da nossa tradição”, e que só “quem tem uma visão conservadora e desadequada da realidade não consegue acompanhar o sinal dos tempos”. Miguel Relvas mostra-se satisfeito por ver que há portugueses que têm sucesso lá fora e sublinha que esse deve ser um “motivo de orgulho” para os portugueses.»

RTP (20/12/2011)

«O eurodeputado do PSD Paulo Rangel não vê “motivo para escândalo” sobre as declarações do primeiro-ministro ao CM sobre a emigração de professores sem trabalho e até sugere uma “agência nacional” para gerir este tipo de processos.

À entrada para o Conselho Nacional do PSD, Rangel encarou a ideia sem dramatismos e apontou como saída provisória este tipo de soluções sobretudo para as camadas mais jovens.

Em declarações aos jornalistas, o eurodeputado acrescentou que as declarações de Passos Coelho podem ser “mais ou menos felizes”, mas acima de tudo “suscita um debate sério”.

Questionado se o primeiro-ministro estará a falar em demasia, Rangel argumentou que o  chefe do Governo “tem que fazer pedagogia permanente”.

Quanto ao seu futuro político e num momento em que se fala do seu nome ou para a Câmara do Porto, em 2013, ou para candidato à concelhia da Invicta do partido, o eurodeputado respondeu: “Eu aqui só me lembro de António Vitorino (PS). Não há festa nem festança para a qual não seja convidado.”  Vitorino, recorde-se, foi apontado sucessivamente para candidato à liderança do PS, mas nunca concorreu.

A este propósito, Rangel ainda deixou escapar: “Não posso ir a todas as eleições”. O eurodeputado não deixou contudo de ficar surpreendido e satisfeito com os elogios de Rui Rio feitos esta semana. (…)»

Correio da Manhã (21/12/2011)

«(…) Há uns meses que uma onda de homens e mulheres maioritariamente jovens, acabados de desembarcar do avião que os trouxe da Grécia, bate à porta de um enorme edifício da Lonsdale Street no centro da cidade de Melbourne. Este edifício, da década de 1940, alberga a maior comunidade grega residente na Austrália.

Num cenário que faz lembrar a grande corrida ao ouro na viragem do século XX, esta gente viaja até à outra ponta do mundo à procura de uma vida melhor. Ao contrário dos antigos compatriotas, a notoriedade destes novos emigrantes é visível atendendo aos seus diplomas, ganhos à custa de muito esforço em áreas bastante difíceis. ”Andaram todos na universidade, engenheiros, arquitetos, mecânicos, professores, bancários, dispostos a fazer qualquer trabalho”, afirma Bill Papastergiades, presidente jurista da comunidade. “É um desespero. Estamos todos aterrorizados. Geralmente, chegam apenas com um saco. As histórias que contam são desoladoras e cada avião traz mais”, confessou ao Guardian, em entrevista telefónica.

O êxodo é apenas uma parte do drama humano na Grécia, onde a crise da dívida europeia começou. Desde junho que os responsáveis pela comunidade de Melbourne estão a ser inundados com milhares de cartas, emails e telefonemas de cidadãos gregos desperados para emigrar para um país que, resguardado da trubulência dos mercados globais, é visto agora como uma terra de incomparáveis oportunidades.

Só este ano, foram 2500 os cidadãos gregos que foram viver para a Austrália, embora as autoridades de Atenas afirmem a existência de mais 40 mil que também “expressaram interesse” em iniciar o árduo processo de mudança para aquele país. Uma “skills expo”, com 800 lugares, realizada em outubro pelo governo australiano na capital grega, atraiu uns 13 mil candidatos.

(…) Na Austrália, a afluência desanimou outros gregos forçados a emigrar, por questões de pobreza e guerra, na década de 1950 e 1960. Durante anos, a diáspora foi desprezada pelos sucessivos governos de Atenas que se recusaram, inclusivamente, a reconhecer o direito de voto à comunidade étnica de gregos no estrangeiro, mesmo em sítios como Melbourne, cuja próspera comunidade de gregos excede os 300 mil. Ver uma juventude talentosa de conterrâneos a chegar agora em massa – quase toda preparada para fazer os trabalhos mais subalternos para sobreviver – foi uma surpresa muito desagradável.

“Há muitos sonhos desfeitos”, diz Litsa Georgiou, de 48 anos, que foi viver para Sydney o ano passado com a filha bebé e o marido ateniense. “A comunidade está em choque. “Muitos tinham esperança de voltar à Grécia… em contrapartida, todos os dias se ouve a história de alguém que fez uma viagem de 22 horas de avião para se mudar para cá. É horrível pensar que ainda vão ser precisos 10 anos para a Grécia começar a recuperar.”»

Helena Smith (22/12/2011) (1)

(1) The Guardian, publcado e traduzido no sítio Presseurop.

Fonte da Imagem: Passa Palavra.


Intervalo

Este blogue vai intervalar. Volto antes de 2012 (se calhar).

Feliz Natal (para quem tem espírito para tal)!

Fonte da Imagem: Wikipédia em Inglês (Madonna Litta, atribuída a Leonardo da Vinci).