Gosto de música de fusão, gosto de fado. E gosto de algum hip-hop. Daí gostar desta música. Que ainda por cima tem uma mensagem política…

Sexta-feira em Leiria, a primeira depois das eleições autárquicas. À tardinha, a cidade desentope-se de carros e de pessoas. Enquanto as filas stressam os mais apressados, João e Xavier voltam a reunir-se num café, a comentar as últimas e a ler jornais. Fazem um balanço das autárquicas em Leiria, já cientes de que o PS venceu as eleições.

João – Esta Segunda-feira isto tinha um clima diferente do habitual, Xavier. Toda a gente falava dos resultados.

Xavier – Imagino… Precisa-se de mudar de vez em quanto.

João – Foi a primeira vez que o PS venceu umas eleições em Leiria. Ainda assim, mantém o empate em número de mandatos que tinham antes: cinco cada. Mas anda tudo excitado a pensar “como vai ser”. Entretanto, podemos olhar para os vencedores…

Xavier – José António Silva, do PSD…

João – Sem dúvida. Ele queria candidatar-se e era apoiado pelo PSD local. Mas o PSD nacional não quis.

Xavier – Pois, agora paga a factura… Achas que se avizinham mais lutas intestinas dentro do PSD?

João – Penso que sim. Ainda por cima, até a direcção nacional foi posta em causa nestas eleições. Mas penso que também haverá polémicas dentro do PS local. Luciano de Almeida, por exemplo: ligado ao PS, candidatou-se como independente pelo PSD. Qual será o seu futuro politico?

Xavier – Ele de certeza achará esse futuro. Não te preocupes.

João – Estou só a comentar! E Isabel Gonçalves, que saiu do CDS-PP, fundou um movimento independente e se candidatou à espera de uma maioria absoluta?

Xavier – Veremos “como vai ser”, então. Não vale a pena estares nessa excitação, agora! Sabias que o Correio da Manhã destacou o cartaz do Bloco de Esquerda em Leiria como um dos melhores: “Gente por to ó cidade”. Carlos Coelho, criador de marcas…

João – Esse não é o presidente da Ivity Brand Corp? O nome da empresa dá vontade de rir.

Xavier – Seja como for: esse senhor diz que o slogan faz lembrar o Zeca Afonso.

RegiaodeLeiria_16OutJoão – E com razão. Desta vez todos os partidos se esmeraram. Vê isto: aqui atribui-se a vitória do PS a João Vasconcelos, acessor do primeiro-ministro, que convenceu Raul Castro a concorrer de novo e a uma boa campanha de marketing.

Xavier – Este João Vasconcelos diz no jornal da concorrência que o mérito é todo do PS, que as pessoas estavam cansadas…

João – Se estavam, não o demonstravam. E a diferença de votos não foi assim tão grande: não te esqueças que o número de mandatos é o mesmo. Há o boato que ela caiu graças ao fantasma do seu antecessor, Lemos Proença.

Xavier – Boato interessante, esse. São do mesmo partido, ele é padrinho dela… É um bocado de mau gosto pensar que ele se tenha aliado a gente do PS. Mudando de assunto: diz neste jornal que esta semana houve uma reunião camarária de apenas 5 minutos.

João – Pois, agora é prematuro decidir seja o que for sem antes os eleitos tomarem posse. Sabias que estas eleições foram ganhas graças ao porco no espeto?

Xavier – Sabia. Houve comida à borla em todas as freguesias. Isto para além da distribuição de calendários, canetas…

João – Aqui diz que um dos vencidos foi o director do jornal que tens na mão, Xavier!

JornaldeLeiria_15OutXavier – Pois, parece que acabamos sempre por falar dele, aquele que dizia que Isabel Damasceno podia concorrer por qualquer partido, que tudo era indiferente: José Ribeiro Vieira.

João – Pois, foi mandatário dela mas nunca apareceu publicamente com ela.

Xavier – Provavelmente por estar demasiado ocupado. Ou por medo… que lhe tirem o lugar de consciência critica do partido. Deixa ver a crónica desta semana…

João – Pois, ele apelou ao voto no PS nas legislativas.

Xavier – Ele faz uma análise fria dos resultados. Tão fria que nem parece ser apoiado uma das candidaturas. Eis o primeiro parágrafo:

«Depois de mais de três décadas de gestão PSD, a Câmara de Leiria caiu finalmente, dirão alguns, na órbita do PS, apesar do presidente eleito nas listas deste partido não ser seu militante. Faz parte do grupo dos independentes que, em época de eleições, por conveniência ou não, aceitam dar uma mão aos partidos, respondendo ao repetido apelo de abertura à sociedade civil! O facto de Raul Castro ser um desses independentes parece não ter penalizado os resultados, como alguns queriam fazer crer. A maioria dos munícipes o que deseja é, para além duma gestão rigorosa e independente, uma administração obreirista e eficaz. Só alguns esperam tirar desta vitória vantagens especiais, seja porque esperam que isso lhes faculte alguns favores a nível individual, seja nos projectos empresariais que têm».

João – Eis o futuro presidente da distrital do PS a falar. Como falaria se fosse Isabel Damasceno a vencer?

Xavier – Não tentes fazer previsões à Oráculo de Belini, João! Nem sequer és astrólogo!

João – Tens razão!… O que é uma pena… (sorri com um ar misterioso).

Fonte das Imagens: Região de Leiria; Jornal de Leiria.

Última Actualização: 18/10/2009

Maite ProençaMaitê Proença é uma actriz brasileira, cujo modo de vida é entreter e impacientar os brasileiros. Para indignar, e para ganhar a vida, usa vários recursos: telenovelas, peças de teatro, um talk show e nos últimos anos livros. É uma pessoa frágil psicologicamente, e por isso tem-se reflectido nos seus livros – pelo menos é isso que dá para perceber pelos resumos disponíveis na Internet e pelas entrevistas que li dela. No Brasil é olhada por muitos como uma “tia”.

Como os brasileiros, e especialmente a rede Globo, tem exportado a sua cultura em doses industriais, também Portugal tem tido a sua dose de Maitê Proença. Desta vez apareceu um vídeo de 2007, perdido num site de partilha de vídeos, que indignou a blogosfera portuguesa. Este vídeo fez parte do programa “Saia Justa“, um programa onde mulheres brasileiras artistas comentam a actualidade, falam do seu quotidiano secante ou gozam com quem lhes apetece, normalmente brasileiros. Falam sempre como se não existisse nada de mais interessante no mundo que as suas palavras vazias. E isto é entretenimento!

Olhando à superfície deste caso, esta indignação da blogosfera portuguesa não tem qualquer justificativa, pois ninguém vilipendia Portugal como os portugueses! Nem ninguém goza com o próprio país mais que nós! E pior: nós temos toda a razão para fazê-lo! Por isso, e porque existem programas em Portugal parecidos com o “Saia Justa”.

Olhando o que encobre esta indignação, vemos outra coisa. Os portugueses estão cansados de serem colonizados pelos brasileiros, tanto os do Brasil como os de Portugal. Cansados de ser ultrapassados em todos os domínios por eles, o últimos dos quais foi a marcação dos Jogos Olímpicos. Cansados que os brasileiros lhe imponham coisas (uma dessas imposições foi o Acordo Ortográfico). Indignação haver gente portuguesa a dizer que queria ir para o Brasil, porque não se sente acarinhado o suficiente em Portugal. Essas e outras indignações…

Assim, a raiva perante as palavras de Maitê Proença é legítima, não por aquele vídeo ser especialmente ofensivo, mas porque todo este caso é um reflexo da impotência e do complexo de inferioridade português que é necessário combater. Esse sentimento não desaparecerá com um vídeo da actriz a pedir desculpas, mas com outras políticas portuguesas, menos subservientes aos interesses brasileiros.

Por fim, tanto o vídeo da actriz brasileira (com a sua pose gozona e snob) como a reacção portuguesa indignada escondem um racismo mútuo, mais ou menos visível consoante a pessoa com quem falamos: os portugueses colonizaram o Brasil logo estes só podem dizer bem de Portugal; os brasileiros estão no primeiro mundo, logo os portugueses são uns aprendizes.

Leituras Adicionais:

- Maitê Proença em Portugal;

- Maitê Proença grava novo vídeo a pedir desculpas.

Fonte da Imagem: Patricia Kogut.com.

Para que conste 4

09/10/2009

obama-nobel-da-paz- Discordo totalmente da atribuição do prémio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pelas razões referidas aqui e por outras que passo a expôr. Se o prémio tivesse sido atribuído em final de mandato seria um prémio que não deixaria de ser polémico, mas seria nalgumas circunstâncias defensável. Mas assim, em início de mandato, e depois de tanto spin pré e pós-eleitoral é uma má escolha. Esta é apenas a vitória do marketing e não da política, uma vitória do mito e não de um homem com obra feita. Muito má escolha do Comité Norueguês do Nobel, cujos membros são escolhidos pelo Parlamento Norueguês.

- Já a Academia Sueca continua a apostar em autores europeus desconhecidos ou controversos. Desta vez a escolha recaiu sobre Herta Müller, uma escritora alemã de origem romena, cuja obra não conheço. É bom existirem estas revelações de escritores desconhecidos. Mas é tempo da atribuição do prémio ser feita a escritores de outros continentes: essa é a única critica feita com a qual concordo (as outras não).

Para que conste 3

07/10/2009

benetton-china-tibete- Barack Obama anunciou que não recebe o Dalai Lama, ao contrário do seu antecessor. Tem os mesmos valores de José Sócrates: o que interessa é agradar à China, com quem é necessário manter óptimas relações sacrificando tudo.

E eu já estou farta de ver o Dalai Lama aceitar muito pacificamente decisões deste género. O Dalai Lama Tenzin Gyatso pode ser um bom líder religioso (não sou perita nessa matéria), mas enquanto líder político não presta (nota-se à distância).

É necessário chamar a atenção para uma coisa: o Tibete não era nenhuma democracia antes da invasão chinesa! A invasão apenas lhe retirou a independência. Assim, nem os chineses são nenhuns benfeitores para os tibetanos nem o regime antes da invasão chinesa era recomendável! O Dalai Lama na crista da onda do seu tempo, guru de gestores e chefe de governo no exílio só nasceu graças à ocupação chinesa.

- Quanto a Obama: já aqui referi que não tinha nenhumas expectativas em relação a ele e cada vez mais se revela o que sempre foi: ele é 90% marketing e 10% de ideias boas (ou menos). Em Portugal, ao contrário do que afirma JPT, Barack Obama foi glorificado pelos socialistas à procura de um guru, por alguns sociais-democratas e democratas-cristãos à procura da formula de marketing milagrosa e por uns quantos militantes do Bloco, sendo o mais espalhafatoso o historiador (e agora deputado europeu) Rui Tavares. Não me parece, portanto, que seja uma uma paixão unânime «dos esquerdalhos», como o mesmo JPT refere nos comentários do referido postal.

Nobel_medal_dsc06171- Esta corrida ao Nobel já me cansa! E já estou farta das queixas dos norte-americanos e dos “conservadores”. Penso que há medida que os anos avançam as escolhas da Academia Sueca são mais politicas que literárias. De facto, no ano passado, o seu secretário permanente Horace Engdahl, que os Estados Unidos não participam «no grande diálogo da literatura». Estas declarações soam-me ainda hoje estranhas. Segundo a teoria de alguns conspiradores, Academia é toda de esquerda e anti-americana. Não concordo com essa teoria. Se o facto de não se receber o prémio Nobel da Literatura não tira nenhum mérito aos que o não recebem, já este género de histeria traz desmérito até a um bom escritor. Há milhões de outros bons escritores que nunca receberão e não serão menos meritórios por isso! E em vez de tanto protesto, seria mais interessante sugerir que a Academia recebesse algum sangue novo, para actualizar os gostos políticos às conveniências literárias actuais (bem diferentes da Guerra Fria).

Fonte das Imagens: Ímpar Vermelho; The Snitch.

Quinze minutos depois…

Xavier – João, pensava que vinhas para o café para conversar…

João – Desculpa, estava entretido a ler este jornal, que tem as respostas de todos os candidatos à câmara.

Xavier – Então, resume-me lá isso. Já estou cansado de ler jornais!

João – Então, temos o candidato da CDU, advogado e músico de filarmónica do Arrabal, que diz que se tem de investir mais nos parques empresariais do conselho e construir mais.

Xavier – Engraçado, pensava que os comunistas não gostavam de empresários.

João – Pois, parece que isso é um mito… E diz também que sabe que não vai ser o próximo presidente da câmara.

Xavier – Claro que não vai! (gargalhadas)

João – Pois…(gargalhadas) O candidato do Bloco, um delegado de informação médica, diz que não sabe como estão as contas da câmara, por isso não se compromete em garantir a segurança financeira da autarquia.

Xavier – Mas alguém se compromete?!

João – Deixa-me ler-te isto: «A Leirisport é um sorvedouro de dinheiro: tem 90 funcionários, paga muito bem aos seus gestores. Será para nós essencial, e para que as contas da câmara fiquem transparentes, que a Leirisport termine e que tudo o que ela faça passe para a gestão da autarquia».

Xavier – A Leirisport… Empresa municipal: funciona como a autarquia mas os gestores recebem como no privado. Esse candidato do Bloco parece saber equacionar os problemas. Resta saber se os saberá resolver.

João – Veremos, se for eleito vereador… O candidato do CDS-PP trabalha como engenheiro civil e foi militante do PSD até Março deste ano.

Xavier – Então é um desiludido com a gestão do PSD, e que por isso decidiu mudar de ares.

João – Correcto! Pretende diminuir os impostos municipais (pelo menos o Imposto Municipal sobre Imóveis, ou IMI, e as taxas de licenciamento) e a prioridade é o reequilíbrio das finanças da autarquia.

Xavier – Então já é o terceiro que se propõe a isso: as candidaturas do PSD e PS lutam pelo mesmo!

João – Pode ser que seja desta que o IMI de Leiria desça! Ele fala da importância de dinamizar o sector da construção.

Xavier – Compreendo, o sector está em crise e ele é engenheiro civil. Mas ele não vê os desastres urbanísticos existentes no concelho?

João – Não fala nisso. Fala, isso sim, da importância de ajudar as pequenas e médias empresas e de melhorar os parques industriais existentes.

Xavier – Ainda bem. E da Leirisport?

João – Não menciona o assunto. Xavier, estás muito curioso. Se quiseres, lês a entrevista no fim. Vou passar ao candidato do PS, ok?

Xavier – Está bem. De qualquer forma, desse e da candidata do PSD já tínhamos falado.

João – Então, não me interrompas agora!

O candidato do PS é muito evasivo nesta entrevista em relação às medidas financeiras para trazer ordem às finanças da autarquia. Quer muito criar condições para o apoio de investimentos no concelho e propõe a criação de uma via verde para o licenciamento rápido de empresas. Acha bem a criação de outro centro comercial dentro da cidade (é o único, até agora) porque quer mais concorrência. E fala de uma maneira muito evasiva de quase tudo.

A candidata do PSD e presidente em exercício diz que a câmara tem boa saúde financeira. Ela é contra a captação de investimentos de multinacionais que passado um tempo vão-se embora. Acha que é melhor a crise passar e depois pensar-se em fazer um centro comercial (mas não descarta fazê-lo em breve). Está a criar uma Sociedade de Reabilitação Urbana para o centro histórico. E ainda pensa pôr um centro comercial no topo norte do estádio. E a prioridade se for eleita é o saneamento básico. E diz ainda que o seu entendimento com Isabel Gonçalves, anteriormente eleita pelo CDS-PP foi um «entendimento natural».

Xavier – O candidato do PS propõe uma via verde?! Como? Outro centro comercial dentro da cidade?! Quem defende o comércio tradicional? A presidente da câmara acha que a câmara tem boa saúde financeira?! Considera os empréstimos a bancos receitas? Essa Sociedade de Reabilitação Urbana vai ser mais uma empresa municipal, ou seja, mais um sorvedouro? Para quê que Leiria precisa de um centro comercial no topo norte do estádio?

João – Não me bombardeies com perguntas que não sei responder, Xavier! Manda um e-mail aos candidatos, pode ser que te respondam!

Cartaz-RC1Xavier – Vou pensar nisso!… Olha, concordo com o que a presidente da câmara diz sobre investimentos das multinacionais. Nesse ponto, discordo dessas ideias peregrinas do candidato do PS. Que é o único a tê-las, felizmente! A propósito do PS: há quatro anos atrás não tinha uma imagem tão organizada como este ano. Apesar de eu continuar a achar que aquele roxo cansa!

João – Pois é, eu lembro-me de um cartaz só com letras. Coisa mais vergonhosa! (gargalhada). Nesse ponto, melhoraram com os anos.

Xavier – Este ano todos os partidos têm a imagem muito organizadinha, as cores, o design… E a propósito do “Viva Leiria”: ou é um elogio encapotado à presidente da câmara ou é um apelo ao “bairrismo” que nunca existiu em Leiria.

João – Concordo. São raros os leirienses que se entusiasmariam com Leiria Capital da Cultura, como propõe a candidatura do PSD.

Xavier – Ora aí está! Vês como eu tenho razão!

Fonte da Imagem: Arquivo.

Aqui.

Descobri esta música em 2008 e tem-me acompanhado neste ano de 2009… Pa’Bailar!

CIMG0089-v2João – Olha só este postal: “Viva Leiria”!

Xavier – O melhor seria colocar antes: “Viva a presidente da câmara em exercício”!

João – Bem dito, Xavier! Estou a ler agora um texto de Setembro deste ano, publicado no jornal cujo proprietário é o rosa mais laranjinha de Leiria.

Xavier – Então agora falas por enigmas?!

João – Xavier, pensa um pouco! Rosa igual a PS. Laranja quer dizer PSD.

Xavier – Percebo agora. Era aquele que dizia que não havia diferenças entre propostas e entre partidos…

João – Sim, esse… E este artigo comprova-o: é sobre as semelhanças entre as propostas da candidatura do PS e as da candidatura do PSD à câmara… afinal, as diferenças não são muitas!

Xavier – Não?!

João – Olha, lê isto!

Cinco minutos depois…

Xavier – Ambas querem instalar videovigilância nalgumas zonas da cidade…

João – É moda agora. As pessoas não querem condições económicas que criem menos pobreza e um combate eficaz à criminalidade. Preferem ter a sua privacidade ameaçada em nome de uma falsa sensação de segurança. Desconfio que esta deva ser uma promessa feita em quase todas as autarquias do país!

Xavier – Pois, gostos… Ambas as candidaturas querem a criação de uma rede de ciclovias, a relocalização da rodoviária e a conclusão do topo Norte do estádio…

João – A criação da rede de ciclovias penso que não deve ser difícil, agora o resto… Nenhuma das duas tem ideia de como pagar a dívida da câmara…

Xavier – Isso não dizem, não. Apenas falam na redução da derrama e do Imposto Municipal sobre Imóveis, da criação de um gabinete de apoio ao empreendorismo jovem, de mais parques empresariais e industriais e de um gabinete da PSP na zona histórica.

João – Pois, promessas.

Xavier – Algumas são exequíveis, outras não. Muitas passam por pressão politica a agentes exteriores à câmara.

João – Ao Estado, queres tu dizer…

Fonte das Imagens: sabine.

Uns têm comentadores políticos na hora do telejornal… Alguns têm gatos a usar perguntas e humor. Este blogue tem dois comentadores sentados num café, ao final da tarde, a ler e comentar as autárquicas!

João – Então, gostaste do jantar?

Xavier – Há muito tempo que não me ria tanto! O teu amigo Gonçalo têm um grande sentido de humor. E as tuas amigas são muito interessantes.

João – Viste, como foi bom vires? Olha, faremos outros para comemorar o fim do ciclo eleitoral.

Xavier – Lá estarei! Tem sido uma maratona: primeiro europeias, depois legislativas, agora autárquicas… Isto merece mesmo um jantar! Olha, tiveste mais notícias daquele movimento que apela ao voto em branco?

João – Não. Mas comecei a reparar nos cartazes e nos folhetos dos candidatos às autárquicas com mais atenção.

Xavier – Sim, e…

CIMG0080João – Gosto do roxo. É a cor da moda.

Xavier – O PS gosta de ser moderno, de acompanhar a moda… E precisa de ser espalhafatoso, de dar nas vistas. Precisa também: estamos em Leiria!

João – Daí ele estar a ser usado nas autárquicas em Leiria em todos os candidatos apoiados por esse partido.

Xavier – Apoiados?!

João – Sim, apoiados. Há poucos filiados nos partidos. Muitos candidatos concorrem por aquele que lhe financiar a campanha. E se a coisa correr mal, há mais partidos na terra. Aliás, o mesmo se passa nos outros partidos, não só no PS de Leiria.

Xavier – No PSD também?

CIMG0064-v2João – Também. Este ano, em Leiria, houve convites de toda a gente a toda a gente. Por isso não te admires de ver algum militante destacado do PSD como independente no PS ou no CDS-PP. Ou alguém do PS numa candidatura do PSD.

Xavier – Lembro-me que falámos disso há uns meses atrás.

João – Pois, aquilo afinal era um primeiro caso.

Xavier – Depois do que tu me estás a dizer, lembrei-me de uma coisa que ouvi há alguns anos: nas autárquicas vota-se em pessoas, não em partidos.

João – Isso antes destas autárquicas era mentira em Leiria. Mas agora parece-me ser cada vez mais verdade.

Xavier – Voltando ao tema das cores: eu não gosto das cores desta campanha: nem do roxo do PS nem do azul-bebé do PSD.

João – O azul é a cor do sonho, da fidelidade, da aristocracia… É uma cor que já enjoa, porque começa a ser usada por todos os partidos sem excepção.

Xavier – E o roxo é demasiado agressivo. Sobretudo, quando usado como fundo de cartazes.

Fonte das Imagens: sabine.