
«Aquilo a que assistimos invariavelmente nas nossas cidades, ou nas bermas das estradas (por exemplo), é ao abate de árvores (supostamente) por questões fitossanitárias, ou seja, por aparentemente apresentarem perigo iminente de queda.
O problema é que as análises técnicas que sustentariam estas decisões nunca são divulgadas, o que leva a duas hipóteses: ou seja, ou os tais relatórios não existem ou são de fraca qualidade técnica por não terem sido elaborados por técnicos credenciados para tal.
Quando se trata de árvores em espaço público, os cidadãos têm o direito de conhecer o teor de certos documentos, se não de forma directa, pelo menos através dos seus representantes eleitos democraticamente nos órgãos autárquicos.
Não me parece que sobre relatórios sobre o estado fitossanitário de árvores se possa aplicar um qualquer regime de “segredo de justiça” que impeça os cidadãos de conhecer a verdade.
(…) o problema, como é óbvio, não está em plantar árvores por si só. Está no facto de, repetidamente, se fazerem requalificações nas quais se abatem árvores com dezenas de anos para, posteriormente, plantar outras árvores.
Isto não faz qualquer sentido do ponto de vista biológico, da preservação do património arbóreo público e mesmo dum ponto de vista financeiro.
Mais importante do que plantar novas árvores é saber manter as existentes e compreender que o abate de uma árvore com 100 anos não pode ser compensado pela plantação de duas novas árvores, por exemplo.
Por outro lado, mais do que muitas árvores, as cidades portuguesas necessitam que se plantem espécimes adequados ao espaço que terão para crescer, nomeadamente no tipo de espécies e no número de exemplares por metro quadrado de terreno disponível»
Comentário da Sabine: Existem em Leiria, mais especificamente no Largo Cónego Maia, dois choupos que vão ser abatidos. Aparentemente não seria caso para grande alarido. Mas é, e é legítimo que o seja! Trata-se de duas árvores em bom estado, com um tempo de vida que pode ir até aos 300 anos e que fazem justificadamente parte do Património da cidade. De facto, o que está por detrás desse abate parece ser um novo projecto de requalificação para aquela zona, que não contempla a existência de árvores que dêem sombra.
E porque é importante a sombra na cidade? Porque sem sombra as árvores na cidade transformam-se em meros ornamentos decorativos, inestéticos. Sombra também significa segurança. Significa também fuga ao calor e ao frio. Também pode significar – nalgumas cidades que não Leiria – familiaridade e bom ambiente. «Sombras? Ambiente agradável e fresco, para quê? Metam-se nos automóveis com ar condicionado. Assunto resolvido..», afirma aqui, com razão, António Nunes.
Fonte das Imagens e Leituras Adicionais:
- Crime: abate de choupos em Leiria e Ainda os choupos do Largo Cónego Maia no Dispersamente.
- Os choupos e Os choupos (novamente) no A Sombra Verde.
- Tristes choupos no Dias com Árvores.
- Choupo (publicado no Jornal de Alcochete).
Última Actualização: 21/06/2009


