Depois do desastre dos primeiros cartazes do PSD, estes, dedicados às europeias, representam uma evolução positiva do partido.
São vários cartazes, de design semelhante, mas com cores diferentes. Cada um pretende passar uma mensagem diferente. Só consegui arranjar três cartazes deste tipo, mas sei que há mais, noutras cores. Têm o candidato número um do partido – Paulo Rangel, actualmente deputado do PSD e próximo do círculo de poder da líder – em destaque sempre no mesmo local do cartaz, tendo atrás de si umas estrelinhas cinzentas querendo significar União Europeia. E não é que as coisas estão mesmo cinzentas?! O resultado final até é agradável graficamente.

Todos os cartazes têm em comum a ideia de “assinar por baixo“:
- Ou é Paulo Rangel quem assina por baixo do interesse nacional – e aí eu pergunto-me se o único interesse nacional é a reeleição de Durão Barroso (aka José Manuel Barroso) para a chefia da Comissão Europeia ou se há outros interesses nacionais que o PSD queira defender. Sou toda respostas, já que os ecos que oiço dos comícios e aquilo que vou lendo nos sites de internet do PSD não me satizfaz, não responde a essas questões.
- Ou então são apresentadas questões muito gerais e é perguntado ao eleitor se assina por baixo – supondo-se aqui que assinar por baixo é votar PSD. E que se assina por baixo e se deixa tudo com o novo procurador, o PSD. Depois, fica-se passivamente a olhar. Por exemplo, põe-se a questão do uso de fundos europeus para o combate da crise, quando é isso que já está a ser feito e o eleitor não assinou nada por baixo.
Este cartaz ao lado – o vermelhinho – tem a particularidade de mostrar como as gentes do PSD põe as famílias portuguesas acima das famílias políticas. Por famílias políticas entende-se famílias de partidos que se unem com determinado fim – normalmente de conquista de poder – no Parlamento Europeu. Assim, o PSD, juntamente com o CDS-PP fazem parte do Partido Popular Europeu, um agrupamento partidário de carácter democrata-cristão e neo-liberal-conservador. Daí que seja um bocado irónico, ou talvez não, o uso do vermelho neste cartaz. Vendo bem, o vermelho pode significar perigo. Perigo: palavras ocas.
Nota: Alguém sabe qual a agência que concebeu estes cartazes?
Fonte das Imagens e Leituras Adicionais:
- Cartazes Políticos para as Europeias no Indústrias Culturais.
- Desilusão de Jorge Ferreira no Eleições 2009.
- Contractar profissionais para os cartazes das Europeias no Governo Sombra.
- Partido Popular Europeu (na Wikipédia em Português).
- European People’s Party (na Wikipédia em Inglês).
- Estados membros e fundos europeus financiam plano de estímulo da UE de 130 milhões de euros.
Siga a moda, alugue um amigo
27/05/2009
Fiel às minhas leituras cor-de-rosa, dei um dia destes com um exemplar da Happy, uma revista onde o português só aparece quando não se conhece palavra in inglesa equivalente. É uma revista que se dirige a mulheres anorécticas e sem cérebro, como a imagem do lado demonstra.
Mas como as revistas cor-de-rosa são uma fonte inesgotável de aprendizagem sobre relações interpessoais e não só, dei-me conta que este número da Happy é uma preciosidade a guardar para o futuro, por causa de uma reportagem: aquela que nos revela uma tendência norte-americana, já exportada para o Brasil e que esté já está a chegar à Europa. Trata-se do aluguer de amigos.
Na reportagem, são apresentados vários casos brasileiros em que um homem é contratado ao dia ou à hora para acompanhar mulheres. Trata-se de um serviço com direito a tudo: acompanhamento a festas ou danças de salão, arrumação de trastes dificeis, conversas de café sobre o tempo, etc. Tudo, menos sexo, porque estamos entre gente decente.
As alienadas que os procuram pagam um bom preço por estes serviços. Por isso são descritas pelos personal friends entrevistados nesta reportagem como pessoas “à frente no seu tempo”. Elas merecem esse tratamento diferenciado dos outros comuns mortais.
Portugal é um país onde estas inovações começam agora a ser divulgadas. Que escândalo! As pessoas limitam-se a ser amigos por interesse ou por ambição. Pensa-se apenas nos benefícios que a amizade pode causar para a ascensão profissional ou social. Ainda poucos pensam em ganhar dinheiro com a amizade.
A Propósito de: “Amigo aluga-se” de Carla Novo (Happy, nº 38, Abr. 2009).
Leituras Adicionais:
- Amigo fiel, mas só por 50 minutos.
- Sobre a solidão e a abjecta ganância dos nossos dias.
Fonte das Imagens: sabine
João & Xavier perdidos em Leiria
18/05/2009
João e Xavier são amigos desde há anos. O Xavier de vez em quanto conta-me as aventuras pelas quais os dois já passaram. Este foi o diálogo que eu imaginei a partir do que o Xavier me contou. Estavam os dois no carro do João e andavam por Leiria…
João – Acabei de saber que a biblioteca municipal tem lá O Processo de Franz Kafka, que a gente precisa de ler para aquele trabalho.
Xavier – Oh que bom… Sabes onde é a biblioteca municipal?
João – Não é naquele jardim dos aviões, ao pé daquele centro comercial desactivado?
Xavier – Pois não sei… Parece-me que não… Vamos lá ver.
Pouco tempo depois…
João – É aqui?
Xavier – Não. Aqui é a Ludoteca Afonso Lopes Vieira. Só crianças…
João – Então vamos embora.
Duas horas depois…
João – Já estamos a ficar sem gazolina!
Xavier – Raio! Já demos uma volta à cidade e arredores… e perguntámos a dez pessoas! Ninguém sabe!
João – Deixa ver… Já fomos ao Mercado Santana, e descobrimos que o que havia lá era um teatro. Já fomos aos Marrazes…
Xavier – Olha, ficámos a saber onde era o Museu Escolar!
João – Pois… Mas isso não paga a gasolina que gastei! E fomos ao estádio…
Xavier – Pois, isso a culpa foi minha. Eu li num jornal que havia uma exposição da biblioteca no estádio. Quem terá sido a fonte dessa desinformação?!
João – Bem, já chega! Vou parar aqui e perguntar a este senhor.
João parou o carro e perguntou onde era, a uma Pessoa Bem Informada…
Pessoa Bem Informada – Olhe, a biblioteca municipal fica no Terreiro.
João – Aquela rua onde havia muitos bares?
Pessoa Bem Informada – Sim.
João – Obrigada!
Então ambos exclamaram, revoltados e cansados:
- Porque raio não põe placas na cidade a indicar onde é a biblioteca?
Fonte das Imagens: sabine

A Coligação Democrática Unitária (CDU) é uma figura de estilo da política portuguesa, composta por dois partidos: PCP e Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV). Tem concorrido sobretudo às eleições legislativas e autárquicas. Desde 1999 concorre também a lugares no Parlamento Europeu (“às europeias”).
Este é o cartaz da CDU para as Europeias 2009. Tal como todos os cartazes, temos a candidata no canto esquerdo (Ilda Figueiredo, que já é deputada europeia desde 1999) e as palavras fortes ao centro, a dizer que a CDU faz toda a diferença.
A CDU usa os vários tons de azul desde há muito tempo. Mas o azul de fundo é sempre claríssimo, quase branco aguado. Ao contrário do PS e do PSD que mudam periodicamente, esta cor é a mesma há anos.
O que torna este cartaz pouco apelativo é:
- A cara da candidata: quem terá escolhido esta foto? Este parece ser o problema de todos os cartazes.
- Os serpendeados verde e amarelo, respectivamente em cima e em baixo das palavras de ordem. A haver apelo à bandeira portuguesa, isso teria de ser feito de outro modo, para se percebesse o que era! Recorrendo ao Teste de Rorschach, A. Teixeira conclui que se tratam de espermatozóides, especulando se eles não irão fertilizar a Ilda Figueiredo. É uma especulação que faz todo o sentido! Se o PCP não souber explicar de outras formas porquê é importante falar de Portugal quando se fala da União Europeia, este cartaz não fará isso. Ele apenas causa confusão mental a quem o vê por causa do pouco cuidado nas cores usadas, que não combinam nem contrastam.
Por debaixo da cara da candidata e da confusão já referida, há ainda numa badana especial são apresentados um conjunto de temas que seria importante discutir a propósito da União Europeia: empregos, salários, justiça social e soberania. Mas, se desenvolver toda a comunicação politica como faz neste cartaz, a CDU terá pouca capacidade de os colocar com clareza.
Nota: Alguém sabe qual a agência que concebeu estes cartazes? Ou não houve agência?
Fontes da Imagens: Herdeiro de Aécio; CDU Vila Franca de Xira.
Testemunho: formadoras(es) do sector público
01/05/2009
«Penso que esta mensagem servirá de alerta aqueles que ainda não têm conhecimento da nova proposta que estão a receber os formadores a leccionar no ensino público.
Como já não podemos passar recibos verdes, temos uma das seguintes hipóteses:
- fazemos contrato com o Estado, como trabalhador por conta de outrém, na condição de aceitarmos leccionar 132 horas de aulas por ano (sem possibilidade de acumulação em diversas escolas);
- transferirmos o nosso regime de recibos verdes – como trabalhadores independentes – para o regime a facturas – como empresa em nome individual, e nesta condição não temos limite de horas a leccionar, podendo fazer acumulação com outras escolas.
A realidade é que não podemos aceitar a primeira proposta pois não permite receber sequer o ordenado mínimo nacional, em alternativa passamos de precários para precários, de verde para branco, sendo que o próprio governo contorna as leis que cria e não temos grandes hipóteses de escolha, pois as escolas estão a propor a transferência para empresa em nome individual…
Com esta medida o governo pode afirmar que acabou com os recibos verdes e que haverá um admirável crescimento de empresas, mas os precários continuarão precários!»
Comentário da Sabine: Este é um testemunho anónimo, colocado a 13/04/2009 no blogue do Ferve. É apenas uma história entre muitas de precaridade. Para além das histórias de precaridade, existem as histórias de desemprego de gente com mais de 40 anos e recém-licenciados e as histórias à volta das avaliações por objectivos no sector público e no privado, as ameaças constantes de diminuição dos salários, os lay offs… Por isso, o 1º de Maio podia ser comemorado todos os dias.
Fontes (da imagem e do texto): Zero de Conduta; Ferve.
Leituras Adicionais:
- Ferve
- Um desempregado a cada três minutos
- Governo adia até 2011 agravamento da taxa social única para contratos a termo


