
Se o primeiro cartaz da pré-pré campanha de Manuela Ferreira Leite vai à frente, destacado, na lista dos piores cartazes da pré-pré campanha, este cartaz de Vital Moreira também deve estar entre os vinte piores! Para começar, Vital Moreira partilha com Ferreira Leite uma cara assustadora, com a vantagem, em relação a ela, do sorriso ser mais aberto.
Aparentemente, o PS escolheu o azul como cor dominante deste ciclo de actos eleitoriais. Azul é a cor da fidelidade, do amor e da fé, mas também da aristocracia. A mim sempre me faz recordar o CDS-PP, que me parece que foi o primeiro partido a usá-la. No caso destes cartazes, mistura-se sobretudo o azul-bebé com o azul-escuro, sendo o resultado uma conjunção confusa e graficamente indigesta.
Se do seu lado direito Vital Moreira está cercado de azul, do lado esquerdo está cercado de vários tons de vermelho, que a certa altura se junta com azul dando um “momento rosa”, quase imperceptível aos mais distraídos. Na minha interpretação tendenciosa, o PS moderno e europeu pretende ser uma conjugação de neo-liberalismo e conservadorismo (o azul) com marxismo-leninismo (o vermelho).
O melhor deste cartaz é o contraste entre o logótipo do PS e os azuis do fundo. Por outro lado, não simpatizo nada com a opção das cores brancas sob fundo azul. Se por um lado reforçam a componente distinta e aristocrática do cartaz, por outro lado são praticamente ilegíveis. A assinatura de Vital Moreira, essa marca pessoal de nobreza e elitismo académico só é visível à lupa!

Mas e então os fantasmas? Bem, o PS apareceu agora com novos cartazes das europeias em que aparecem as faces fantasmagóricas de António Guterres e José Sócrates. A ideia é mostrair-nos que sem o PS não teríamos entrado no Euro nem teria havido Tratado de Lisboa. Chantagem emocional, direi eu, má-língua. O facto é que as faces destes homens são tão cinzentas que acabam por meter mais susto (tanto de dia como de noite) que a cara de Manuela Ferreira Leite. Os passeantes com boa-fé e tempo concentrar-se-ão nas letras dos cartazes e ignorarão as caras mostradas. Os mais apressados ignorarão completamente qualquer mensagem contida nestes cartazes.
Nota: Alguém sabe qual a agência que concebeu estes cartazes?
Fonte das Imagens: Relações Públicas sem Croquete; Answers.com.
O olhar de Bruno Ribeiro
26/04/2009
O Bruno Ribeiro é licenciado em Psicologia e tem dois blogues muito interessantes: a Dissonância Cognitiva e o PubADdict. Foi do primeiro, que se dedica à monitorização das ligações entre a Psicologia Social e áreas como o Marketing, Publicidade, Política ou a Web 2.0. No Dissonância Cognitiva fala-se sobretudo de tácticas e principios de persuasão:
- A Ciência da Persuasão: 6 Princípios Psicológicos
- Cálculos com Percentagens: Nem Sempre 2+2=4
- Fraudes Financeiras: Uma Questão de Persuasão
- À Esquerda ou à Direita: Como o Posicionamento dos Números Altera a Nossa Percepção do Preço
- Evitar um ‘Não’ Através de Pequenos Compromissos
- Arquitectura Persuasiva: Como as Grandes Superfícies nos Levam a Gastar Mais (I) e (II)
- Psicologia da Persuasão: A Norma da Validade Social
- Técnicas de Persuasão #20: Padding (ver toda esta série de postais)
Intervalo
19/04/2009

Este blogue vai ficar fechado para balanço durante alguns dias. Até breve.
Fonte da Imagem: Construir Notícias.
Este blogue não pretende captar e anotar todos os soundbites, de políticos ou não, até a que os ciclos eleitorais terminem. Mas este, com uma mensagem que apela àquilo que toda a gente vê sistematicamente nas notícias, não pode ser ignorado. Enquanto cantores/compositores/músicos os Xutos e Pontapés já fizeram melhor. Enquanto mensagem, desta vez acertaram em cheio!
Duas situações, 81 anos de diferença
14/04/2009
Situação 1:

Setembro de 1927.
João Belo era Ministro das Colónias desde Julho de 1926, sucedendo a Gomes da Costa. Alguém lhe foi fazer queixa que andavam a dizer que ele era homossexual. Decidido, mandou fazer um inquérito a todos os funcionários. Ninguém sabia. O autor deste artigo publicado n’O Reviralho insurge-se contra a inutilidade destas acções, contra a indisciplina que elas fomentam, bem como à devassa à vida dos funcionários que elas representam.
Situação 2:

Outubro de 2008.
Sai a noticia que a Inspecção-Geral de Finanças (IGF) analisou milhares de mensagens de e-mail, de cerca de 370 funcionários dos impostos, e, após obter uma autorização judicial, leu o conteúdo de muitas dessas mensagens. Esta consulta foi feita sem o conhecimento dos funcionários. Ela teve a concordância do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos e foi feita no âmbito teve origem de uma queixa feita à PJ por Paulo Macedo (na altura director-geral dos Impostos), em Outubro de 2005. Em causa várias fugas de informação, entre elas a divulgação de casos de incumprimento fiscal pelo próprio Paulo Macedo.
Este pediu ainda junto da Interpol para se investigar quem era o autor do blogue O Jumento, onde essas denúncias apareceram a primeira vez.
Fonte das Imagens: Show Business; Público.
Leituras Adicionais:
- O Reviralho, n.º 5 (25 de Setembro de 1927).
- Wikipédia em Português – Reviralhismo.
- Wikipédia em Português – Ditadura Nacional.
- Instituto Hidrográfico da Marinha – João Belo.
- A Devassa.

De noite não se vê. De dia, não dá vontade de ver. Eis Manuela Ferreira Leite sob fundo preto. A seu lado tem a frase “Politica de Verdade”. O cartaz tem à volta um serpenteado laranja e umas amostras de verde. Mas em muitos locais, sob determinados ângulos essas cores não se vêm, bem como o perfil da líder do PSD.

Manuela Ferreira Leite tem uma cara assustadora, mas a culpa não é sua: a idade pesa. Mas este rosto foi tratado em Photoshop, sendo o resultado final pior que o original. A sua cara comprida não deixa muitas opções, é certo. A cor negra está associada a morte, às trevas e ao mal, entre outras conotações negativas. Portanto esta cor é a ideal para sabotar uma candidatura de uma mulher de passado negro.
Este cartaz pretende ser inovador, mas descridibiliza qualquer candidatura. O verde do número “09” perde-se neste quadro. Haja então esperança para o PSD…
Nota: Alguém sabe qual a agência que concebeu este cartaz?
Fonte das Imagens: Sítio do PSD; Embaixada de Portugal no Brasil.
Visão alternativa do reino da blogosfera
11/04/2009
Saiu recentemente na Notícias de Sábado (revista do Diário de Notícias) uma reportagem de Tiago Salazar intitulada “No reino da blogosfera”. Nesta reportagem foram ouvidos Leonel Vicente, João Távora, Rita Barata Silvério, Miguel Castelo Branco, Pedro Quartin Graça, João Gonçalves, Francisco José Viegas, Raul Castro, Paulo Querido e Pedro Vieira.
Uma das teses principais da reportagem é que Portugal não tem massa critica para ter uma blogosfera comparável à dos Estados Unidos em termos de influência mediática. Os únicos que ainda esboçam uma visão um bocadito diferente desta tese são Leonel Vicente e João Távora.
Aparte Um: Nem sempre o que os blogers ouvidos nesta reportagem chamam Massa Critica é o que eu considero como tal. Mas isso requeriria uma análise caso a caso que não cabe neste postal. Às vezes o que eles consideram grunhice eu considero cidadania. Porque, enfim, nem tudo na vida é ser citado diariamente no Diário de Notícias, no Público ou no Correio da Manhã.
Aparte Dois: Nem toda a gente escreve para ter influência mediática! Muita gente vem à blogosfera como distracção, para passar o tempo, para desabafar. E isso não tem mal nenhum. Francisco José Viegas queixa-se dos anónimos: ora é óptimo que existam anónimos na blogosfera. Se toda a gente fosse conhecida não havia nada para descobrir!

Por acaso eu até concordo que falta muita Massa Critica na blogosfera, mas não para influenciar os outros media: porque falta exercício de cidadania às pessoas. E cidadania é muito mais que ir votar. Na reportagem ninguém esboça uma explicação, mas eu tenho várias:
- Falta Massa Critica porque ela não se adquire no supermercado, na livraria ou no cabeleiro.
- Falta Massa Critica porque as pessoas andam mais ocupadas a trabalhar para sobreviver e a elogiarem o chefe para não serem despedidas. Toda a gente pensa que ganha mais não criticando.
- Falta Massa Critica porque são desprezados todos os blogues que não sigam capelinhas. Em Portugal, elas são encimadas muitas vezes por gente que já tinha mediatismo antes e a quem a blogosfera veio ser apenas mais um veículo, entre outros, de influência.
Outra expressão constantemente usada na reportagem é “blogue de referência”. Cada vez gosto menos dessa expressão. Eu não tenho “blogues de referência”. Tenho Blogues Que Gosto de Ler. Há blogues que já gostei de ler e agora não, outros descobri recentemente e passei a gostar. Outros já mudei de opinião várias vezes. Não faço reverência a ninguém, nem àqueles que considero que merecem ser chamados de Amigos. Não há, em termos políticos, nem à esquerda nem há direita, blogues de referência. Há os tais blogues que são citados quase diariamente nos mesmos jornais, apenas isso.
Uma coisa subentendida na reportagem e com a qual eu concordo, é a ideia que acabamos por referir ou dialogar sempre com as mesmas pessoas. Inicialmente pensava que era só eu, mas todos os blogues, incluindo os ditos “de referência” são assim.
A Propósito de: “No reino da blogosfera” de Tiago Salazar (Notícias de Sábado, nº 169).
Fonte da Imagem: Combustões.
Última Actualização: 07/05/2009
Publicidade Eleitoral: a pré-pré campanha
09/04/2009

Leiria, Rotunda do Hospital de Santo André, 05/04/2009.
Ainda não há datas oficiais para as eleições, mas a pré-pré campanha já começou.
Fonte da Imagem: Dispersamente de AS-Nunes.
Suicidio do jornalismo?!
03/04/2009
«O jornalismo, como o tivemos, não durará. Existe uma certa demissão na transferência para o virtual. O cidadão informado – que, acima de tudo, se quer, a ele próprio, informado – reduz-se, em grande medida, à fragmentação; ao pluralismo em linha. Encontra-se, parcialmente, desligado. Este modelo, como complemento de uma tentativa de agarrar o actual, embora menos reflectido, é já necessidade. Longe de substituir o conhecimento integrado que o artigo de opinião, a reportagem densa e a investigação demorada conferem.
Numa realidade em que muita da “actualidade” não passa de tentativa de desinformação, manipulação, apropriação ou veículo de marketing e propaganda, afirma-se a necessidade de atenção ao pormenor.
A tentação do entretenimento, o jornalismo direccionado, o argumento do consumidor activo encerra a contradição de um maior sedentarismo. A World Wide Web torna-se, assim, menos democrática. Na afirmação das nossas escolhas, vamos ao encontro do que já somos. A notícia “num clique”, confirma-nos: mantém-nos longe.
O jornalismo escrito, enquanto produto, não pode ser encarado exclusivamente como tal: ele é aquilo que me alerta para o que eu não sou. O único veículo que possuo para estar atento relativamente ao que é exterior à minha diminuta capacidade de alcance e atenção: o poder.
A acomodação do consumidor à formatação preguiçosa dos jornais em linha tem conduzido ao desinvestimento publicitário , diminuição qualitativa e consequente perda de novos leitores, emagrecimento de redacções e falência de inúmeras publicações a nível global»
Comentário da Sabine: Este excerto de um texto publicado no blogue Movimento a Favor do Jornalismo Pago fala por si mesmo, por isso vou tecer um comentário pequenino.
O online e os jornais gratuitos têm vantagens, mas para mim não faz nenhum sentido desinvestir no jornalismo escrito. Os jornais gratuitos limitam-se a copiar o que está na internet e a fazerem um amontoado desconexo de temas. O jornalismo escrito pago tem permitido o aprofundamento de temas (embora me pareça que em Portugal e no mundo se encontra em decadência). As redes sociais podem ser úteis, mas não substituem o jornalismo escrito. Acabar com o jornalismo escrito pago é aumentar a iliteracia.
Fonte da Imagem: Devida Comédia.
Leituras Adicionais:
- The 10 Most Endangered Newspapers in America
- Mort des journaux ou du journalisme?
Última Actualização: 07/04/2009


