herman_josePortugal acabou de ganhar na passada sexta-feira um desempregado televisivo. Possuidor de estabelecimentos de restauração, fazedor de espetáculos de stand up comedy e programas radiofónicos. Possuidor de um barco e muitas mordomias. Herman José: que saudades de “O Tal Canal” e da “Herman Enciclopédia”! Depois disso, desisti de o ver. Cada vez mais bajulador de convidados, menos criativo. Na SIC ele tentou ser uma imitação portuguesa de Jô Soares mas não conseguiu (o brasileiro Jô Soares também consegue irritar às vezes, note-se). Onde está o Herman José, o pioneiro do humor em Portugal? Esse morreu. Tem-se dedicado a ser apenas vendedor de programas da SIC mal-amanhados. Embora o humor seja o seu ganha-pão, ele é apenas um morto-vivo do humor. É nesse sentido que merece todas as homenagens. Depois de anos na SIC, será que ainda restam qualidades subversivas a Herman para inovar?  Será que mudar de canal trará de volta o antigo Herman? Duvido.

Nota lateral: Os Gato Fedorento devem muito a Herman José. Neste momento são muito melhores que ele. Mas encontram-se, perigosamente, a tilhar o mesmo caminho que o “mestre”.

Fonte da Imagem: Atlântico FM.

Nota: A propósito da notícia Herman José saiu da SIC e está disponível para qualquer canal.

Última Actualização: 31/03/2009

Não foi má-vontade minha: li o livro de fio a pavio, com perseverança. Juro que tentei conter meu mau-humor . Mas logo nas primeiras páginas constatei que as linhas desequilibradas de S. K. transformavam o enredo num clichê do neo-realismo-linguístico sem precedentes. Por isso a obra O caminho lá vai é tão atraente quanto o dedo mindinho da minha vizinha do andar de cima. Este livro vive da paciência do leitor, que só consegue chegar ileso ao final da história se acreditar que C. McGinn ainda não vendeu livros!

Mas vamos nos concentrar numa análise detalhada: os personagens, por exemplo parecem ter saído de um S. S. distorcido chegado a uma criatura chata com tendência à abstracção. A história é, do começo ao fim, uma conjunção de frases sem sentido – e o desfecho, até para os mais benevolentes, não passa de lixo. Mesmo quando remete a P. F. Strawson , o livro o faz de forma medíocre. S. K. faz parecer que um K. Z. (esse medíocre) escreve! E, ao mesmo tempo, faz E. P. dar voltas no túmulo!

Não há formas de ser condescendente: a palermice que a personagem principal exala deixa um perfume idiota em todas as páginas comendo um muro de obtusidade que macula de forma grotesca qualquer forma de literatura.

Um conselho: se você encontrar O caminho lá vai nas prateleiras, não hesite, fuja!

franzkafka2Aproveitando que estava a ler Kafka, reli também os “Diários” e li outros escritos íntimos.

Nos “Diários” encontrei um Kafka inicialmente alegre, que se torna com o tempo melancólico e taciturno. Senti que há medida que lia a atmosfera soturna, que tinha sentido da primeira vez, aumentava. Mas por outro lado os “Diários” estão carregados de ironia, tanto em relação a si mesmo, como em relação aos que se relacionam com ele. Nos “Diários” Kafka esboça a sua visão acerca da família, da Praga judaica, dos amigos e das relações amorosas que teve. Conta sonhos, ficciona acontecimentos, esboça aforismos e contos, fala das suas leituras (Goethe, Kiekergaard e Dickens são os mais citados). Mas à medida que envelhece os momentos tédio, de apatia, de indiferença aumentam (diz-se que Kafka sofria de ansiedade e depressão crónicas). Também a partir de 1917 a tuberculose se vem juntar ao ror de problemas de Franz Kafka (embora ele nem sempre a considere algo negativo). Os “Diários” terminam em 1923 (mas penso que Franz Kafka escreveu cartas até ao momento da sua morte).

Li também “Meditações sobre o pecado, o sofrimento, a esperança e o verdadeiro caminho” (recentemente editadas como Aforismos pela Assírio & Alvim). Foram escritas em Zürau (aldeia do nordeste da Boémia, onde Kafka se encontrava de férias, em casa da sua irmã Ottla, depois de lhe ter sido detectada a tuberculose). Estas meditações são uma espécie de balanço da vida pessoal. E são também, obviamente, o balanço possível do mundo possível. A consciência da doença e da proximidade da morte, o fim do seu segundo noivado e o ar campestre (que Franz Kafka muito apreciava) moldaram a sua escrita. A doença era encarada como uma libertação, na época. Estas meditações estão também impregnadas de judaísmo, mas sempre de um ponto de vista distanciado. Várias vezes perguntei-me se estes epigramas se poderiam considerar literatura religiosa, se ateia. Por exemplo:

«69 – Teoricamente, só há uma possibilidade perfeita de felicidade: acreditar no indestrutível em si sem a ele aspirar».

Há também nelas qualquer coisa de hedonismo. Também o problema do conhecimento – o que e como podemos conhecer – é um tema que aparece nestes epigramas (tema desenvolvido em toda a obra).

Para além destas, existem outras “Meditações”, escritas no fim da vida, de carácter sem dúvida mais religioso. Kafka começa-as com uma interrogação directa à sua alma («De que tnewkafkae queixas, alma abandonada?»). Kafka conhecia a psicanálise, e penso ter tentado usá-la como método de cura. Aqui mostra-se contra ela: «Todas estas pretensas doenças, por mais tristes que sejam as suas formas, são realidades de crença, fixações do homem em perigo em qualquer solo materno; assim a psicanálise, quando procura o fundo original das religiões não encontra mais do que aquilo que institui as “doenças” do indivíduo; é verdade que falta hoje a comunicação religiosa, que as seitas são inúmeras e se limitam na maior parte das vezes a pessoas isoladas». Este é apenas um excerto de um pensamento onde Franz Kafka tenta mostrar que a religião é a cura das doenças, não a psicanálise.

Também fala da importância do jejum. Alternam observações entre o que é a vida e o caminho de Franz Kafka e outras, ligadas à religião judaica.

Na “Carta ao pai” encontramos um Franz Kafka revoltado perante um pai castrador, que lhe tolhe e condiciona todos os movimentos (e todos os noivados) e que não sabe apreciar o talento literário do filho. Esta carta consegue facilmente captar a adesão do leitor (quem nunca se sentiu esmagado pelo poder de alguém?). Hermann Kafka, o pai, era de facto uma pessoa dura e exigente com os outros. Começou a trabalhar aos 14 anos e conseguiu tornar-se num homem rico. Mas para Luís Izquierdo esta carta, nunca entregue ao remetente, contém exageros. É necessário ter cuidado na leitura senão «corre-se o risco de que se tome por factos o que são, do principio ao fim, estilizações resultantes da muita experiência adquirida por um homem já maduro e, além disso, escritor».

Leituras de Franz Kafka:

- Franz Kafka, Os melhores contos de Franz Kafka ( [Lisboa?], Arcádia, imp. 1966).

Selecção e tradução de A. Serra Lopes. Prefácio de Armando Ventura Ferreira. 2ª ed.

- Franz Kafka, O Covil (Mem Martins, Europa-América, 1990). Prefácio e tradução de João Gaspar Simões.

- Franz Kafka e outros, Três novelistas contemporâneos (Lisboa, Presença, 1966).  (Contém “Investigações de um Cão”).

- Franz Kafka, O Processo (Porto, Público Comunicação Social SA, 2004). Tradução de João Costa e Delfim de Brito.

- Franz Kafka, O Castelo (Mem Martins, Europa-América, 1991). Tradução de Maria Helena Rodrigues de Carvalho.

- Franz Kafka, América (Mem Martins, Europa-América, 1990). Tradução de Maria de Fátima Fonseca. 2ª ed.

- Franz Kafka, Antologia de páginas íntimas (Lisboa, Guimarães, 1961). Selecção, prefácio e tradução de Alfredo Margarido.

- Franz Kafka, Diários: 1910-1923 (Lisboa : Difel, [199-?]. Tradução de Maria Adélia Silva Melo.

Leituras Complementares:

- Luiz Izquierdo, Conhecer Kafka e a sua obra. (Lisboa? : Ulisseia, [198-?] ).

- Claude Thébaut, As metamorfoses de Franz Fafka (Lisboa, Quimera, 1993).

- Kafka em Portugal

- Wikipédia em Inglês – Franz Kafka

- Zadie Smith on Kafka

- Metamorfose – de Kafka

Fonte das Imagens: Don Stevens Gallery Postcards; Myspace de Jen.

Fim da série “Kafka para principiantes”

Parte 1

Parte 2

Última Actualização: 30/03/2009

- Tenho vergonha deste papa, destes cristãos católicos, disto (linque 1, linque 2). Não me peçam para colaborar com isto.

- Sou a favor do casamento civil de homossexuais (a propósito disto). Este blogue não pretende lançar nenhuma campanha (até porque devem ser os interessados a estar na linha da frente), mas fica dito.

- O Barack Obama tem tudo para ser uma decepção. Se as coisas correrem bem, será outro Bill Clinton. Se as coisas correrem mal será ainda pior. Mas tenho nojo de homens como Dick Cheney, George W. Bush e outros que defendem que a tortura combate o terrorismo (a propósito disto), entre outras enormidades.

Kafka também escreveu a novela “Investigações de um cão”. Trata-se da história de um cão e da forma como a vida mudou desde que se pôs a questionar o mundo, ou seja, nas suas investigações filosóficas. Ou um ensaio sobre o conhecimento e as crenças humanas.

the-castle_filmDos romances, o mais interessante e completo é O Castelo. Esta obra retrata as desventuras de um agrimensor chamado para trabalhar num Castelo. Apresenta-nos as teias e a obscuridade de uma burocracia totalitária, numa aldeia em que todos têm o seu quinhão de poder e de influência menos o estrangeiro (o agrimensor). Desde o inicio que K. (é desta maneira impessoal que é referido o protagonista) procura o castelão (um tal Klamm que é referido por todos mas nunca aparece mas que aparentemente interfere na vida de todos). Isso vem aumentar a vontade (ou obsessão) de K. para o conhecer, tornando-se o centro da vida do protagonista.

O Processo descreve a história de Josef K., desde que foi notificado de culpa por um crime não especificado até à sua morte, executado sem julgamento, no dia do seu aniversário. Foi escrito numa madrugada, em 1912. No entanto nunca foi terminada e foi Max Brod, amigo e executor de Franz Kafka, que lhe deu a primeira versão.

América é a estórias das aventuras e desventuras de Karl Rossmann, um rapaz de 17 anos que emigra, depois de ter engravidado a criada da casa. O tom de todo o romance é alegre, o protagonista meio apatetado, mas como está incompleto poder-se-á especular que fim o autor desejaria para o seu protagonista. Kafka, escreve nos “Diários”, em 1915, numa altura em que passava por torpor psicológico:

«Rossmann e K., o culpado e o inocente, ambos executados sem qualquer diferença. O culpado com uma mão mais leve, mais empurrado para o lado que propriamente abatido».

Seja como for, é dado, ao leitor de O Processo e América, liberdade para que possa interpretar o que foi escrito de várias formas. Nalguns casos existem mesmo várias versões do mesmo texto.

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Fonte das Imagens: Dreaming Ant; Small Drawings de Robert Sim.

Fim da Segunda Parte

Última Actualização: 30/03/2009

Desde acerca de uma década que de vez enquanto alguém me diz: “Tens de ler Kafka!”. Hannah Arendt refere-o várias vezes, Milan Kundera também. Demorei a pegar nos livros de Kafka pois tinha uma ideia que era um escritor difícil (para eruditos) e nebuloso. Tinha lido, há alguns anos os “Diários” e a atmosfera soturna levou-me a adiar a leitura da obra o que só aconteceu nos últimos meses. O objectivo desta série de postais é desmistificar preconceitos à volta de Kafka, para aqueles que já se sentiram como eu.

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franz-kafka-wwwFranz Kafka nasceu em Praga, em 1883. É necessário lembrar que até 28 de Outubro de 1918 esta cidade, bem como grande parte do território que é hoje a República Checa pertenceu ao Império Austro-húngaro. Praga era o centro do Reino da Boémia. Em 1918, tendo Franz Kafka 35 anos, foi proclamada a República da Checoslováquia.

Kafka passou a vida divido entre uma tripla identidade:

- Era judeu e as suas relações familiares e as maiores amizades foram judeus (e Kafka interessou-se muito pela cultura judaica, chegando a estudar ídiche e hebreu). Chegou a pensar mudar-se para Israel com uma das suas noivas. Mas o judaísmo nem sempre o satisfazia e Franz Kafka não foi um judeu praticante durante muitos anos.

- Escrevia em alemão, tendo a sua educação superior sido nessa lingua. Admirava muito Goethe. Isso eram coisas que o aproximavam do círculo germanófilo (embora nunca tenha sido aceite em círculos germanófilos).

- Era checo (identidade pré-existente à independência da Checoslováquia, com uma língua diferente do alemão; penso que Kafka nunca se sentiu checo, apesar de se ter dado conta da existência de uma cultura popular checa e das suas potencialidades; para além disso, muitos empregados do pai eram checos e Kafka deixa transparecer algum respeito por eles).

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Aconselho a quem vai ler as obras de Franz Kafka deve começar pelos contos, que para mim são o melhor do autor. Estes são filosóficos e anedóticos, sendo possível encontrar as duas características juntas (tudo depende da analise de quem lê).

“A Metamorfose” é um clássico e com razão. Relata as consequências da transformação de um caixeiro-viajante num news2_0insecto. Inicialmente ele estranha a mudança e ainda pensa como um homem cheio de deveres (sendo o principal dever sustentar a família). Pouco a pouco vai-se habituando à vida de ócio (ao mesmo tempo que os seus familiares começam a tomar decisões difíceis), actuando como um verdadeiro verme.

Ao nível da família, passa-se de uma total dependência do caixeiro-viajante para uma autonomia cada vez maior dos seus membros, cuja coroação é o amadurecimento da irmã do protagonista e a morte deste. Li “A Metamorfose” depois de ter lido “Carta ao Pai” e a animosidade entre pai e filho é semelhante. Mas à medida que o conto flui, Franz Kafka abandona esses considerandos e este passa a ser uma paródia melancólica à vida e à liberdade.

Outro conto que tem como tema a relação pai-filho é “A Sentença”. Com este título que nos remete para o mundo dos juízes e das leis, Kafka constrói um conto à volta da verdade, da mentira e da amizade. O clímax do conto é uma conversa entre pai e filho. Sentenciado como culpado, o filho cometerá o suicídio.

Kafka usa o mundo das leis (os tribunais e as prisões) como pano de fundo de muita da sua ficção. “Diante da Lei”, a história de um agricultor que deseja passar por uma porta mas é impedido por um guarda. Mais parece um prelúdio de O Processo (mais tarde esta estória acompanhava esse romance, nalgumas edições).

“A Colónia Penal” é a estória de uma morte que não aconteceu e de outra que acaba inesperadamente por acontecer.mar_postercolony

“Chacais e Árabes” é um conto que liga Franz Kafka ao sionismo. Foi inicialmente publicado no Der Jude (“Os Judeus”), um jornal que advogava a cooperação entre judeus e árabes para a criação de um estado binacional israelo-palestiniano. Trata-se de um conto centrado no diálogo entre um viajante europeu e alguns chacais encontrados no deserto. Estes pedem ao viajante que acabe com um ódio antiquíssimo entre eles. O viajante é tratado como um messias e os chacais queixam-se que os árabes são sujos e insensatos (ao contrário dos homens do Norte, ou seja, da Europa). O conto termina com os chacais a beberem o sangue de um camelo morto e a serem chicoteados por um árabe, que refere o ódio existente. Segundo algumas interpretações, os chacais são os judeus ortodoxos que na altura viviam na Palestina.

“Um médico de aldeia” trata das desventuras de um médico numa noite escura em que é chamado para uma falsa urgência. Este conto tem uma atmosfera pesada e está cheio de seres mitológicos (e simbólicos).

No conto “O Vizinho” voltamos ao mundo das profissões liberais, em que um solicitador se sente ameaçado por um vizinho colega de profissão, a ponto de se sentir perseguido e vigiado constantemente. A obsessão pela perfeição é tratada no conto “O primeiro desgosto”, que conta a história de um trapezista que faz da profissão a sua vida. O animal do conto “O Covil” também partilha a obstinação pela perfeição: quer construir o covil perfeito, inacessível aos outros animais e com comida sempre à mão. Mas, tal como o solicitador de “O Vizinho” acaba por se sentir acossado – por um animal que não conhece mas que sente que pode matá-lo a qualquer momento.

“Reminiscência do caminho-de-ferro de Kalda” é o elogio da vida solitária. Esta é uma história que faz parte dos “Diários” mas que eu encontrei publicada separadamente. O autor põe as palavras num antigo empregado dos caminhos-de-ferro russo. Ainda dentro desta temática, encontramos “O Solteirão”, a descrição dos hábitos de Préflury, o solteirão, que parece ser uma caricatura do próprio Franz Kafka (uma auto-caricatura bem-humorada?).

“Fábula curta” é uma versão curta e filosófica da história do gato e do rato. Franz Kafka usa ainda os animais para ridicularizar os homens: “O novo advogado” trata de um cavalo no mundo do direito. “Comunicação a uma academia” é a história um símio que se decidiu tornar humano, contada na primeira pessoa, numa palestra ficcionada. Quando se comparam homens e animais, os primeiros ficam sempre a perder. Mas este palestrante acaba por escolher aprender a ser homem, deixando-se contagiar pela paixão pelo saber.

Fontes das Imagens: Franz Kafka – Prague Wax Museum; Iconocast; Blogue do Teatro Municipal da Guarda.

Fim da Primeira Parte

Última Actualização: 30/03/2009

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«Em uma semana, será o Dia Internacional da Mulher. Por favor, gente, não vamos deixar essa data tão importante se transformar numa imbecilidade onde as mulheres recebem rosas, chocolates e ouvem piadinhas idiotas. Deixem os presentinhos para outro dia.

Já vi muita gente questionar a existência da data, como se fosse “injusto”, já que não existe o “Dia do Homem”. Injusta é a situação da mulher em todo mundo e por isso é que essa data é tão importante. porque é, estrategicamente, um momento de buzinar em todos os meios de comunicação as discriminações e violências que todas nós sofremos em diversas áreas da vida, apenas por sermos mulheres.

Essa data não existe para que sejamos “homenageadas”, isso é a utilização do mercado dessa data para vender mais. O Dia existe para lembrarmos de questões importantes que dizem respeito a nós, algumas delas independentes de etnia e classe social»
Denise Alcoverde

Este texto foi escrito em Fevereiro de 2007 mas continua actualíssimo. Em tempos achava que o Dia da Mulher nem sequer devia ser comemorado. De facto, continuo a pensar que a onda de folclore e consumismo o desvirtuam: não devia ser preciso o dia da mulher para irmos jantar fora com amigas, nem para nos mimarem oferecendo uma rosa (e posso dizer que adoro que me ofereçam flores). E as mulheres deviam unir-se (e reunir-se) mais nos outros dias do ano.

O machismo existe. E existe nos homens (não há razoes para negá-lo, e embora desde o inicio do século até hoje tenham existido grandes progressos, também houve períodos de retrocesso) e nas mulheres (quantas vezes a pior inimiga de uma mulher não é outra mulher? ou ela própria?!).

Deve ser comemorado o Dia da Mulher, sim, mas falando dos problemas que as mulheres enfrentam, em todos os países do mundo. Porque embora existam diferenças entre países em desenvolvimento e países desenvolvidos ainda em nenhum se atingiu a perfeição tal que este dia seja inútil. Pelo contrário!

Fonte da Imagem: Escreva Lola Escreva.

Leituras Adicionais:

- No dia 8 de Março, dispense a rosa!

- Guerra de mulheres? Ha. Ha. Ha.

- Feminismo: um nome ainda novo

- Uma em cada dez mulheres ganha o salário mínimo

- Dia Internacional da Mulher

- Barreiras de Vidro

Última Actualização: 15/03/2009

Pensamento do Mês

02/03/2009

Ter Rigor na Escrita. Verificar o sentido das frases, a ortografia, pôr as citações entre aspas, etc. Eis o essencial em qualquer profissão. Eis o que falta às vezes na minha escrita. Embora tente ser rigorosa e exigente comigo, às vezes devia ser ainda mais. Com a minha e com a dos outros…

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Facilismo e Conformismo. Viver no facilitismo parece ser uma característica tua. Como se pode pura e simplesmente recusar a dúvida e a discussão?Como podes fazer as coisas somente para agradar, e recusar pensar pela tua própria cabeça. É preferível arriscar ou copiar e calar? Eu nem sempre arrisco, mas há alturas em que se ganha mais arriscando… E tu tens perdido muito calando (e não sabes). Colega, acorda! Podias ser tanta coisa, criar tanta coisa! Até quando vais viver essa vida limitada por tanto preconceito? Porque não aproveitas esta minha revolta para te abrires ao mundo? Tenho a certeza que serias mais feliz assim! Não te esqueças que não és só tu que estás numa encruzilhada, há outras pessoas que ganhariam se arriscasses! Onde está a tua garra, a tua força para fazer? Há muito que desapareceu da tua vida, se é que alguma vez a tiveste… Se olhares para o teu lado vais descobrir muitas coisas, mas primeiro é necessário que te dês oportunidade de olhar! Colega, preciso de ti porque sei que lá no fundo tens muitos dons, muita coisa boa para dar!


Nota: Postal inicialmente publicado em 13/05/2004 num blogue já apagado. Repaginado por necessidade.