Este texto é dedicado a todos os fundadores do Akadémicos e à Professora Alda Mourão

A ideia de criar um jornal surgiu em 2004, fruto das minhas conversas com o Joaquim Martins. O curso de Comunicação Social e Educação Multimédia (CSEM) Escola Superior de Educação de Leiria (ESEL, IPL) entrava no seu 3º ano de actividade e os alunos (posso falar dos do 2º ano, turma da qual fazia parte) sentiam-se frustrados com o currículo, do qual até aí tinham apenas sido leccionadas aulas teorias, não tendo a escola ou os responsáveis do curso grande preocupação de familiarizar os alunos com a prática do âmbito do curso (jornalismo, relações públicas, multimédia, marketing, publicidade, televisão, rádio).

O Joaquim Martins já tinha apresentado o seu projecto de uma rádio para a escola e para todo o Instituto Politécnico de Leiria aos vários elementos do Conselho Directivo da ESEL e aos representantes da direcção do IPL. A resposta tinha sido um “nim” pois para criar uma rádio ajustada às novas necessidades do curso e do IPL seria necessário adquirir equipamento novo e estabelecer o projecto proposto de raiz (o que só aconteceu mais tarde, a Rádio IPLay).

Em Março de 2004 eu e o Joaquim Martins fomos a Coimbra ao III ENEJC e isso mudou a minha vida. Deu para tirar prova do quanto o nosso curso estava “na idade da pedra” em relação a tudo o que se fazia no país e deu para ver de perto o trabalho e o entusiasmo dos redactores de A Cabra, o que numa primeira fase foi uma fonte de inspiração para mim. Nos meses seguintes sucederam-se as conversas – primeiro só com o Joaquim, depois com outros colegas do 2º ano – acerca da hipótese de criar um jornal para a ESEL feito por alunos de CSEM. Cheguei mesmo a imprimir um anúncio muito simples para angariar colaboradores.

Um dia, no fim de uma aula do 2º ano, reunimo-nos no bar da escola: eu e o pessoal do 2º ano que se mostrou interessando (Joaquim Martins, Edite Felgueiras, Fernanda Branco, Paulo Marques, Rui Marques, Susana Machado, Susana Raposo, Daniel Louro e Filipe Guerra). Foi a partir daí que elaborei o primeiro pré-projecto. Pouco tempo depois soube com muito agrado havia colegas do 1º ano do curso interessados em participar: o Mário Ventura e o João Oliveira. Foram estes os fundadores!

Faltava-nos um nome para o jornal: pegámos no nome de um boletim da Associação de Estudantes da ESEL – chamada Académicus – e transformámos em Akadémicos, nome que considero mais sonante e graficamente mais interessante. Os nossos objectivos principais eram:

  • Dar a conhecer aos alunos da ESEL as actividades desenvolvidas na escola;
  • Ser ponte de ligação entre a ESEL e o meio envolvente.

O Akadémicos nasceu para possibilitar a todos os interessados, do curso mas não só, uma formação extra para além da escolar. Um dos ideais do jornal era ser um despertar o espírito crítico dos leitores, aspirando ser uma plataforma de circulação de ideias. Por isso não estávamos interessados em ser “pé de microfone” de ninguém.

E assim, em finais do ano, depois de alguma polémica na equipa e de algumas noites mal dormidas, surgiu o número zero.

De notar que numa primeira fase ficou falado que o Akadémicos contaria com o apoio da Associação de Estudantes, da qual faria parte (a minha ideia era criar uma Secção de Jornalismo da Associação de Estudantes, como existia noutras escolas superiores). Poderíamos passar recibos para os patrocínios com o nome dela, o que acabou mesmo por ser o único apoio recebido. Quanto aos outros apoios prometidos pelo dirigente da associação, não passaram de bluff, por dois motivos: a associação tinha sido nesse ano vítima de um desfalque (do qual demorou anos a reerguer-se); não havia de facto grande vontade de ajudar por parte do dirigente em questão (que prometia tudo e não fazia nada para concretizar essas promessas).

No ano lectivo seguinte arrancámos com o número um, conseguindo fazer um jornal com mais conteúdos, mais páginas e mais publicidade. A Fernanda Branco e o Paulo Marques passaram a dividir comigo a chefia da redacção. O Joaquim Martins tomou a paginação a seu cargo, o que lhe custou mais algumas noites sem dormir. Foram entrando novos redactores. Em Outubro de 2004 nasceu o numero um, melhor que o número zero e com o primeiro Estatuto Editorial:

1. O Akadémicos pretende ser o jornal da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Leiria.

2. O Akadémicos é um jornal de periodicidade mensal, e funciona apenas no decorrer do ano lectivo, estabelecido pelo calendário escolar vigente.

3. O Akadémicos prima-se pela criatividade e interacção com a comunidade, respeitando sempre o espaço privado e a boa fé dos leitores e cidadãos.

4. O Akadémicos goza do princípio democrático de informar, pretende despertar o espírito crítico dos leitores, aspira ser uma plataforma de circulação de ideias e uma ponte de ligação entre a Escola Superior de Educação de Leiria e a sociedade civil.

5. O Akadémicos tem como propósito seguir os princípios da independência, autonomia e pluralismo, seguindo os valores portugueses da deontologia jornalística. Não é nem nunca será porta-voz de nenhum interesse e recusa enveredar pelo sensacionalismo. Pretende ser o meio de comunicação de todos aqueles que fazem a Escola Superior de Educação de Leiria, em especial dos alunos, o grande público do jornal.

6. Ao Akadémicos é reservado o direito à liberdade de expressão e opinião. Os textos de opinião serão sempre assinados, sendo estes da inteira responsabilidade do(s) seu(s) autor(es).

7. Os Estatutos do Akadémicos supracitados foram submetidos e aprovados pelo Conselho de Redacção.

De notar que os dois primeiros números foram policopiados, mas desde inicio houve cuidados em criar um design arrojado e apelativo. Considero-os muito melhores que o Académicus – o ponto de partida.

Tudo isto acabou por chamar a atenção do Conselho Directivo da ESEL, que finalmente se deu conta da importância de uma publicação deste género para a escola e para o IPL. Eu, a Fernanda Branco e o Paulo Marques fomos por isso convocados para uma reunião com o presidente, José Manuel Silva, com António José Laranjeira e com Francisco Rebelo dos Santos, do Região de Leiria. Ficou acordado que a Zook (empresa de design que na altura trabalhava com o Região de Leiria) faria o design, a partir das propostas feitas numa reunião do jornal (um brainstorming) onde todos os redactores estariam presentes. Na prática, a chefia do jornal passou para António José Laranjeira e eu fiquei como secretária de redacção. O Paulo Marques colaboraria com a Zook na paginação (por essa altura o Joaquim Martins abandonou o projecto). A ESEL pagaria um determinado montante ao Região de Leiria, que em troca distribuiria exemplares do jornal, tendo como encarte o Akadémicos, na escola.

O 3º ano do curso foi muito duro para mim, por isso, mais cedo do que desejaria, tive de deixar o cargo de secretária de redacção, que foi ocupada pela Cristina Parente. Desde essa altura foi-me cada vez mais difícil ir às reuniões e escrever artigos para o jornal. Mesmo agora, tenho pensado em voltar, mas acontece sempre algum imprevisto… Guardo religiosamente cada exemplar do Akadémicos. Entretanto aconteceram uma série de mudanças: a direcção passou para a Professora Catarina Menezes; o Akadémicos passou a ser um encarte do Jornal de Leiria (onde por vezes é muito mal-tratado, sem direito sequer a chamadas de capa).

Olhando para trás, sinto que algum espírito inicial se perdeu, assim como a autonomia que tivemos na criação. Por outro lado, o Akadémicos foi ganhando alguma projecção. Mas terá sido suficiente?

Este texto nasceu de um pedido de testemunho do Pedro Jerónimo sobre a história do Akadémicos. Ele e o David Sineiro, no âmbito da disciplina de Projecto, estão a estudar a hipótese dele se tornar num projecto independente.

Última Actualização: 15/12/2008

5 Respostas para “Akadémicos: recordar o passado, projectar o futuro”

  1. [...] e expliquei o meu aparentemente repentino afastamento (timing rigorosamente acompanhado por Sabine, no texto que dedicou exactamente a este tema) do projecto. Revelo-o publicamente pepa primeira vez (e  esse facto, bem como a minha opinião, [...]

  2. Pedro Santos disse

    Tenho saudades do Aka do ínicio. Não participei nessa fase tão estimulante mas adorei os números que encontrei, numa fase de limpezas, na AE… Bem sei que aos poucos também me afastei do jornal mas quando lá estive adorei a experiência. Mesmo.
    Sinto que o Aka perdeu o sangue irreverente. Comparando, deixou de ser um caloiro com piada e sem papas na língua e passou a ser um veterano, conhecido de todos, mas só isso.
    Sempre me desiludi com o facto de nem o AKadémicos nem a Rádio Iplay terem a devida participação dos alunos, em especial dos CSEM. Nunca percebi que o erro era a forma como se promovia a participação no Jornal entre portas, se era o desinteresse dos alunos, embora desconfie mais do último…
    Parece que ultimanente as coisas estão melhor e há mais participação. O que deveria querer dizer mais opinião e debate de ideias e, logo, um jornal mais crítico e irreverente.
    Acho que o Aka tem sido negligenciado pelo Jornal de Leiria e acho que a Direcção da Escola se está a marimbar para isso. Como sempre esteve. A questão aqui é que mais vale «enquadrar» e manter o orgão mais ou menos controlado, que ignorar que existe e ver problemas sérios da escola (e logo da comunidade) nas páginas de um «pasquim» que podia incomodar muita gente.
    Tenho pena que aconteça assim.
    Mas tenho um orgulho enorme de conhecer toda a gente que fundou o Aka e até me lembrar da sala (!), nas traseiras do auditório, onde se reunia e paginava… A ver se entretanto surge um jornal contra-corrente por iniciativa de algum Pipas ou Jolie dos tempos actuais…

  3. [...] falar de outro qualquer estabelecimento do ensino superior, público ou privado. Na altura em que o nosso projecto nasceu o ensino superior estava a passar por uma mudança. Essa mudança atingiu uma espécie de [...]

  4. Pipas (Filipe Guerra) disse

    Este texto tá um tão pouco unilateral, mas pronto. já era de esperar.
    Quanto aos intervenientes do jornal, gostaria de reforçar o esforço de TODOS nós e aos leitores do jornal, até mesmo a D. Fernanda (colaboradora dos serviços de limpeza) que teve o privilégio de receber o Akadémicos nº1.

    Este Akadémicos é uma segunda Politécnica, mas com um ar mais jovem. É um Cavaco Silva mas com um boné vermelho à Toneca.

    Pedro, um Pipas dos tempos actuais eras tu, mas tu tb já saiste…e agora?

    E muito mais há para dizer, mas talvez mais tarde.

    Dores Forever

  5. sabine77 disse

    Pipas:
    Claro que está unilateral! Esta é a minha perspectiva apenas e não pretende ser mais do que isso.

    «Este Akadémicos é uma segunda Politécnica, mas com um ar mais jovem. É um Cavaco Silva mas com um boné vermelho à Toneca»
    LOL Às vezes concordo contigo!

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