Prosa sobre o Natal com Lista
23/12/2008
Gostava de dizer: detesto o Natal (como a Abrunho). Mas é mentira! Tenho, isso sim, uma relação amor-ódio com esta época.
Coisas que me irritam profundamente no Natal:
- A obrigação de dar;
- A obrigação de rezar e ir à missa;
- A obrigação de ser solidário;
- Os programas de televisão que se repetem (onde está a concorrência se há tão poucas diferenças entre eles?)
- A publicidade que de forma inconsciente exige que se consuma e ofereça Tudo com urgência;
- As lojas cheias, com um ambiente stressante, quase irrespirável;
- A sensação de que quando se dá uma prenda se compra um afecto;
- As revistas que se publicam (nas primeiras páginas de muitas delas pede-se às pessoas que poupem e consumam com moderação e nas últimas fazem listas de prendas para incitar à compra);
- A música de Natal por todo o lado;
- O Pai Natal (nunca acreditei que essa criatura existisse: é menos credível que Jesus e torna-se ainda mais irritante quando o encontramos por todo o lado);
- As palavras do Papa (já era difícil compreender as ideias do anterior Papa e todo aquele ritual nesta “época”; mas com este Papa ainda é pior);
- As pessoas pensarem que por toda a gente vive o Natal da mesma maneira;
- As pessoas se esquecerem que existem outras religiões no mundo sem ser a Cristã;
- As rabanadas (excessivamente doces, nunca gostei).
Coisas que fazem o Natal ser inesquecível:
- Os Amigos e as Pessoas que Encontramos;
- Aquilo que Damos e Aquilo que Recebemos;
- A ideia que Jesus existe (ideia de esperança);
- As pinturas religiosas estampadas na capa de alguns postais (não todos);
- Ver que as pessoas são mais simpáticas, tolerantes e fraternas (pena que seja apenas nesta época e que às vezes seja por hipocrisia; quando não é, é das melhores prendas);
- As cidades iluminadas (apesar de saber que andamos o resto do ano a pagar a factura que os municípios gastam nesta época);
- As filhoses (fazem-me recordar a minha Mãe e são menos doces).
E Feliz Natal, qualquer que seja a maneira como viva esta “época”!
Fonte da Imagem: Buy Nothing Christmas.
Ensino Superior, IPL, Leiria, 2008
16/12/2008
(Na sequência do postal anterior, decidi escrever este longo texto, numa altura em que estão quase a fazer dois anos lectivos que conclui o meu curso)
Vou falar do que observo de longe na Escola Superior de Educação de Leiria (ESEL, IPL) mas penso que poderia falar de outro qualquer estabelecimento do ensino superior, público ou privado. Na altura em que o nosso projecto nasceu o ensino superior estava a passar por uma mudança. Essa mudança atingiu uma espécie de clímax este ano.
1.
Depois de passar pelo ensino secundário, é necessário aos estudantes e seus pais escolherem uma opção de vida. Ir trabalhar nesse momento significa ser explorado, para além de toda a humilhação inerente a essa escolha. Por outro lado, os sucessivos governos afirmam sonoramente que Portugal precisa de gente qualificada, com estudos superiores, cujo ratio no país ainda é muito baixo, comparado com outros países da União Europeia. Certo.
O problema é que está instaurado no sistema pré-universitário o facilitismo. Vejo cada vez mais gente do ensino básico e secundário com pouca vontade de ler, de descobrir, de pesquisar, de memorizar e de escrever:
a) A culpa não é dos professores: pelo que eu já pude ver com os meus próprios olhos, aos docentes do pré-universitário só falta “fazer o pino” para interessar os alunos.
b) A culpa também não é dos pais que querem sempre o melhor para os seus filhos (mesmo se às vezes o melhor se torne no péssimo a longo prazo).
c) O ensino universal é uma conquista preciosa do pós-25 de Abril: não deve ser retirado.
A culpa é sim das sucessivas reformas do ensino pré-universitário, daquilo a que se chama Eduquês:
- O aluno é colocado de tal forma no centro do ensino que deixa ser possível exercer qualquer tipo de autoridade sobre ele. E esta falta de autoridade fomenta o desinteresse. Por isso se vai para o ensino básico e secundário por obrigação. Nesse contexto, é quase impossível haver professores que se tornem referência na vida dos alunos (como eu tive). Pelo contrário, os professores são um alvo a abater: porque passa um trabalho chato, seja na aula seja como TPC, porque não os deixa falar o telemóvel na aula, etc.
- Ao professor é dado um milhão de tarefas: tem de ser simultaneamente burocrata, animador, disciplinador, assistente social, actor de reinserção social, sociólogo, gestor, etc.
2.
Por isso são poucos os estudantes que entram no ensino superior com real vontade de descobrir uma profissão. Apenas querem ter boas notas e sair dali o mais cedo possível. Essa dificuldade já se sentia quando lançámos o Akadémicos e pelo que observo apenas quadruplicou nestes anos: ninguém quer arriscar e experimentar jornalismo, relações públicas, multimédia, marketing, publicidade, televisão ou rádio sem ter sucesso e lucro imediato. Com brilhantes excepções, a maioria quer ser Manuela Moura Guedes ou outra estrela semelhante da constelação mediática, de um dia para o outro, com o mínimo esforço.
Vivemos também numa sociedade que apenas premeia antes de mais nada o consumo. E tirar um curso superior, no contexto actual, é também é consumir.
3.
Trata-se consumo, sem dúvida: provam-no as propinas exorbitantes cobradas aos alunos. A ideia do ensino superior gratuito foi varrida como um mau pensamento. Em vez disso as universidades são financiadas pelo número de alunos que têm, quando o financiamento não é cortado (o que também acontece). Para assegurar a sua sobrevivência a ESEL precisa de ter muitos cursos e muitos alunos a pagarem propinas. Graças a isso as turmas estão entupidas de alunos. Há turmas onde não é possível terem todos as aulas na mesma sala. Isso ainda não acontecia em 2002 (quando entrei no curso) mas é uma realidade que se vê hoje.
O que já acontecia em 2002 era a criação de cursos para ocupar professores do ensino superior, que de outra forma estariam em situação muito má. Por isso as escolas, públicas ou privadas, não se preocupam com as condições logísticas para um curso existir: criam-no e pronto. Criam-nos para responder a uma certa necessidade de mercado: oferta de alunos + ocupação de professores e/ou pedidos de empresas. Penso que os sucessivos ministérios que tutelaram o ensino superior também têm responsabilidade nisso.
Nesta conjuntura, os cursos de Filosofia, História e Ciências Puras (tudo o que não seja tecnologia de ponta) deixaram de ter qualquer valor, porque o que conta é a sua utilidade a curtíssimo prazo. Paradoxalmente, os cursos de Professor também caíram no descrédito, numa altura em que eles engrossam os supranumerários ou os desempregados-profissionais.
E não interessa muito que a pessoa X tenha interesse real ou vocação no curso Y. O que interessa é que o tire com boas notas. Mesmo se depois o resultado seja o desemprego.
4.
Agora apareceram os CETs (Cursos de Especialização Tecnológica) que são uma espécie de cursos técnicos de equivalência ao secundário e que dão preparação para alguns cursos ensino superior. Também existe o Ano Propedêutico (vulgo ano zero). Isso tem permitido a muitos adultos voltar a estudar, o que é óptimo. E entrar no ensino superior. Enquanto ex-trabalhadora-estudante a ideia agradar-me-ia muito, mas…
Agora a escola está atafulhada de alunos que muitas vezes nem se conhecem. Os professores do ensino superior têm de dar aulas a gente exausta de um dia de trabalho. E a esses o curso interessa mais como formação ou progressão de carreira, estão pouco interessados em conteúdos. Uns poucos já estão na área e o curso é um complemento. Uns poucos interessar-se-ão a partir do 2º ano ou, enventualmente, num terceiro. Mais uma vez é o consumismo que impera, e é o Eduquês que se começa a surgir neste quadro. Ora isso é muito preocupante.
5.
E por fim, temos Bolonha e a Estratégia de Lisboa.
Bolonha demorou a arrancar. Aumentou a burocracia interna nas universidades. Isto para além dos ajustamentos de transição. E tenta uniformizar aquilo que muitas vezes não deve ser uniformizado. Deu grandes dores de cabeça aos alunos na fase de transição. E agora apenas tem um significado: 3 anos de curso = Licenciatura. Mas o saldo não é totalmente negativo: nalguns casos Bolonha foi pretexto para melhorias e ajustamentos benéficos para os currículos do curso.
Já em relação à Estratégia de Lisboa, resume-se a: “economia sustentável”, “conhecimento-competitividade”, “coesão social”, “cultura de excelência”. Tudo palavras ocas. No fundo, é a bênção final para tudo o que foi descrito atrás.
Fonte da Imagem: Afilosofia.no.Sapo.pt – Conhecimento.
Este texto é dedicado a todos os fundadores do Akadémicos e à Professora Alda Mourão
A ideia de criar um jornal surgiu em 2004, fruto das minhas conversas com o Joaquim Martins. O curso de Comunicação Social e Educação Multimédia (CSEM) Escola Superior de Educação de Leiria (ESEL, IPL) entrava no seu 3º ano de actividade e os alunos (posso falar dos do 2º ano, turma da qual fazia parte) sentiam-se frustrados com o currículo, do qual até aí tinham apenas sido leccionadas aulas teorias, não tendo a escola ou os responsáveis do curso grande preocupação de familiarizar os alunos com a prática do âmbito do curso (jornalismo, relações públicas, multimédia, marketing, publicidade, televisão, rádio).
O Joaquim Martins já tinha apresentado o seu projecto de uma rádio para a escola e para todo o Instituto Politécnico de Leiria aos vários elementos do Conselho Directivo da ESEL e aos representantes da direcção do IPL. A resposta tinha sido um “nim” pois para criar uma rádio ajustada às novas necessidades do curso e do IPL seria necessário adquirir equipamento novo e estabelecer o projecto proposto de raiz (o que só aconteceu mais tarde, a Rádio IPLay).
Em Março de 2004 eu e o Joaquim Martins fomos a Coimbra ao III ENEJC e isso mudou a minha vida. Deu para tirar prova do quanto o nosso curso estava “na idade da pedra” em relação a tudo o que se fazia no país e deu para ver de perto o trabalho e o entusiasmo dos redactores de A Cabra, o que numa primeira fase foi uma fonte de inspiração para mim. Nos meses seguintes sucederam-se as conversas – primeiro só com o Joaquim, depois com outros colegas do 2º ano – acerca da hipótese de criar um jornal para a ESEL feito por alunos de CSEM. Cheguei mesmo a imprimir um anúncio muito simples para angariar colaboradores.
Um dia, no fim de uma aula do 2º ano, reunimo-nos no bar da escola: eu e o pessoal do 2º ano que se mostrou interessando (Joaquim Martins, Edite Felgueiras, Fernanda Branco, Paulo Marques, Rui Marques, Susana Machado, Susana Raposo, Daniel Louro e Filipe Guerra). Foi a partir daí que elaborei o primeiro pré-projecto. Pouco tempo depois soube com muito agrado havia colegas do 1º ano do curso interessados em participar: o Mário Ventura e o João Oliveira. Foram estes os fundadores!
Faltava-nos um nome para o jornal: pegámos no nome de um boletim da Associação de Estudantes da ESEL – chamada Académicus – e transformámos em Akadémicos, nome que considero mais sonante e graficamente mais interessante. Os nossos objectivos principais eram:
- Dar a conhecer aos alunos da ESEL as actividades desenvolvidas na escola;
- Ser ponte de ligação entre a ESEL e o meio envolvente.
O Akadémicos nasceu para possibilitar a todos os interessados, do curso mas não só, uma formação extra para além da escolar. Um dos ideais do jornal era ser um despertar o espírito crítico dos leitores, aspirando ser uma plataforma de circulação de ideias. Por isso não estávamos interessados em ser “pé de microfone” de ninguém.
E assim, em finais do ano, depois de alguma polémica na equipa e de algumas noites mal dormidas, surgiu o número zero.
De notar que numa primeira fase ficou falado que o Akadémicos contaria com o apoio da Associação de Estudantes, da qual faria parte (a minha ideia era criar uma Secção de Jornalismo da Associação de Estudantes, como existia noutras escolas superiores). Poderíamos passar recibos para os patrocínios com o nome dela, o que acabou mesmo por ser o único apoio recebido. Quanto aos outros apoios prometidos pelo dirigente da associação, não passaram de bluff, por dois motivos: a associação tinha sido nesse ano vítima de um desfalque (do qual demorou anos a reerguer-se); não havia de facto grande vontade de ajudar por parte do dirigente em questão (que prometia tudo e não fazia nada para concretizar essas promessas).
No ano lectivo seguinte arrancámos com o número um, conseguindo fazer um jornal com mais conteúdos, mais páginas e mais publicidade. A Fernanda Branco e o Paulo Marques passaram a dividir comigo a chefia da redacção. O Joaquim Martins tomou a paginação a seu cargo, o que lhe custou mais algumas noites sem dormir. Foram entrando novos redactores. Em Outubro de 2004 nasceu o numero um, melhor que o número zero e com o primeiro Estatuto Editorial:
1. O Akadémicos pretende ser o jornal da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Leiria.
2. O Akadémicos é um jornal de periodicidade mensal, e funciona apenas no decorrer do ano lectivo, estabelecido pelo calendário escolar vigente.
3. O Akadémicos prima-se pela criatividade e interacção com a comunidade, respeitando sempre o espaço privado e a boa fé dos leitores e cidadãos.
4. O Akadémicos goza do princípio democrático de informar, pretende despertar o espírito crítico dos leitores, aspira ser uma plataforma de circulação de ideias e uma ponte de ligação entre a Escola Superior de Educação de Leiria e a sociedade civil.
5. O Akadémicos tem como propósito seguir os princípios da independência, autonomia e pluralismo, seguindo os valores portugueses da deontologia jornalística. Não é nem nunca será porta-voz de nenhum interesse e recusa enveredar pelo sensacionalismo. Pretende ser o meio de comunicação de todos aqueles que fazem a Escola Superior de Educação de Leiria, em especial dos alunos, o grande público do jornal.
6. Ao Akadémicos é reservado o direito à liberdade de expressão e opinião. Os textos de opinião serão sempre assinados, sendo estes da inteira responsabilidade do(s) seu(s) autor(es).
7. Os Estatutos do Akadémicos supracitados foram submetidos e aprovados pelo Conselho de Redacção.
De notar que os dois primeiros números foram policopiados, mas desde inicio houve cuidados em criar um design arrojado e apelativo. Considero-os muito melhores que o Académicus – o ponto de partida.
Tudo isto acabou por chamar a atenção do Conselho Directivo da ESEL, que finalmente se deu conta da importância de uma publicação deste género para a escola e para o IPL. Eu, a Fernanda Branco e o Paulo Marques fomos por isso convocados para uma reunião com o presidente, José Manuel Silva, com António José Laranjeira e com Francisco Rebelo dos Santos, do Região de Leiria. Ficou acordado que a Zook (empresa de design que na altura trabalhava com o Região de Leiria) faria o design, a partir das propostas feitas numa reunião do jornal (um brainstorming) onde todos os redactores estariam presentes. Na prática, a chefia do jornal passou para António José Laranjeira e eu fiquei como secretária de redacção. O Paulo Marques colaboraria com a Zook na paginação (por essa altura o Joaquim Martins abandonou o projecto). A ESEL pagaria um determinado montante ao Região de Leiria, que em troca distribuiria exemplares do jornal, tendo como encarte o Akadémicos, na escola.
O 3º ano do curso foi muito duro para mim, por isso, mais cedo do que desejaria, tive de deixar o cargo de secretária de redacção, que foi ocupada pela Cristina Parente. Desde essa altura foi-me cada vez mais difícil ir às reuniões e escrever artigos para o jornal. Mesmo agora, tenho pensado em voltar, mas acontece sempre algum imprevisto… Guardo religiosamente cada exemplar do Akadémicos. Entretanto aconteceram uma série de mudanças: a direcção passou para a Professora Catarina Menezes; o Akadémicos passou a ser um encarte do Jornal de Leiria (onde por vezes é muito mal-tratado, sem direito sequer a chamadas de capa).
Olhando para trás, sinto que algum espírito inicial se perdeu, assim como a autonomia que tivemos na criação. Por outro lado, o Akadémicos foi ganhando alguma projecção. Mas terá sido suficiente?
Este texto nasceu de um pedido de testemunho do Pedro Jerónimo sobre a história do Akadémicos. Ele e o David Sineiro, no âmbito da disciplina de Projecto, estão a estudar a hipótese dele se tornar num projecto independente.
Última Actualização: 15/12/2008
Direitos Humanos
13/12/2008
«Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos humanos conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração humanos;
Considerando que é essencial a protecção dos direitos humanos através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;
Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;
Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais humanos, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;
Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais;
Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso:
A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos humanos como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição. (Ler o resto)»
Comentário da Sabine: A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adoptada pela Assembleia das Nações Unidas em 10 de Dezembro de 1948. Foi escrita por uma comissão, no pós-2ª Guerra Mundial. Esta era composta por Eleanor Roosevelt, Jacques Maritain, René Cassin, Charles Malik e P. C. Chang, entre outras personalidades.
Fez esta semana 60 anos. Mas a liberdade, a justiça e a paz no mundo continuam a ser utopias de gente bem-intencionada mas que esbarra, a cada passo, com novos e cada vez mais perigosos obstáculos, intrasponíveis.
Leitura Adicional: 60 anos da declaração universal dos direitos humanos; Declaração da ONU, 4 bi não têm acesso à justiça; Vatican opposes gay discrimination; Dick Cheney continua a defender Guantánamo e práticas de tortura em interrogatórios; etc., etc…
Última Actualização: 16/12/2008
O olhar de José Luiz Sarmento
08/12/2008
Desde há alguns meses, comecei a ler regularmente o blogue de José Luiz Sarmento. Sendo professor, fala sobretudo do estado da educação. Eis alguns postais que vale a pena ler:
Escola Pública ou Escola Republicana?
Entrevista a Maria de Lurdes Rodrigues
Espaço Aberto & Dois Apartes
08/12/2008
Deixo este Espaço Aberto para quem passa por este blogue:
Como chegou até aqui? Se você veio parar aqui através de um motor de busca, qual palavra que estava procurando? Veio de outro blogue? Se quiser, responda também: O que gosta mais e menos no blogue? Qual o postal de que gostou mais?
E agora dois apartes:
- Acerca dos comentários: ver Acerca deste blogue.
- Este blogue continua a sua “deriva”, com momentos de subpostagem. Não acredito que isto seja o fim da blogosfera, como afiança Paulo Querido e alguns gurus norte-americanos. Pessoalmente, sinto-me melhor num blogue que no Twitter, Flickr ou Facebook. E posso muito bem com o facto de não fazer parte da lista dos 100 mais lidos!
Fonte da Imagem: Blogexperimental.
Os primeiros cheiros a Natal
06/12/2008
Cada ano que passa o meu espírito natalício começa mais tarde. Este ano manifestou-se pela primeira vez hoje (quer dizer ontem, pois já passa da meia-noite). Leiria já tem a sua iluminação natalícia há cerca de uma semana (um luxo caríssimo, dada a crise) mas só hoje, ao visitar o espaço solidariedade da Aldeia do Natal (outro luxo, cheio de actividades para as crianças) senti o espírito de Natal nascer em mim… Espírito de Natal, quer dizer: vontade de dar e de receber. E de estar mais próxima de Deus.
Por isso sinto-me um pouco perplexa ao ver que a Carlota já começou a pensar nos presentes desde inícios de Novembro!… Eu só pretendo comprar os meus entre 23 de Dezembro e finais de Janeiro!
Fonte da Imagem: Forumfotografia@net (imagem inserida por Meggie em 07/12/2008; foto da sua autoria)
Voltando ao Elogio do grande público de Dominique Wolton…
«Não há unidade no mundo cultural, também não existe no mundo intelectual. É pois para facilitar a argumentação que as palavras “meio cultural” e “intelectual” serão utilizadas neste capítulo e nos outros. Há com efeito profundas diferenças de hierarquia, de natureza de actividades no mundo cultural como no mundo intelectual. Partido desta premissa, o autor analisa o comportamento dos intelectuais relativamente aos media. Se aparentemente todos os intelectuais concordam que os media, e em particular a televisão, estupidificam o ser humano, na prática eles têm diversas atitudes perante eles:
- Existem os intelectuais mediáticos (e os tecnocratas mediáticos, seus primos, normalmente empresários e ex-governantes) que utilizam os media de forma sistemática. Poucos, no entanto, reconhecem esse carácter sistemático e a sua importância para a sua exposição pública (logo credibilidade).
- Para Dominique Wolton tinha aparecido recentemente (o livro é de 1990) um grupo novo, os intelectuais estrategos, composto por gente mais nova que ambicionava tornar-se conhecido, embora estes criticassem a televisão pretendiam-se servir-se dela para alargarem a sua esfera de influência (tornando-se intelectuais mediáticos).
- O autor refere ainda os intelectuais que usam os media como instrumento de trabalho, a que ele chama intelectuais utilizadores.
- Por fim, Dominique Wolton refere o grupo dos intelectuais anónimos, que permanecem afastados do mediatismo e da televisão. Isso acontece ou porque eles estão a desenvolver investigações que não lhes permitem ser alvo de mediatismo, ou porque simplesmente não são consultados sobre nada.
Para Dominique Wolton cada país tem cerca de 20 pessoas a quem os media nomeiam como “intelectuais” e que são consultados a propósito de tudo o que acontece, tornando-se omnipresentes. Esses intelectuais acabam, por vezes, por ter uma credibilidade diferente nos media e na academia. Para a televisão o que importa é que um intelectual consiga resumir em menos de 5 minutos, de forma clara, uma ideia sobre determinado tema. Para o autor, aliás, os intelectuais mediáticos só existem com a concordância dos profissionais de comunicação.
Em França, segundo dá a atender o autor, os media têm preferência por dois tipos de intelectuais: os filósofos (quanto mais pessimistas e radicais melhor) porque têm um amor infinito ao saber e podem fornecer uma futurologia rapidamente. O autor menciona Raymond Aron, que no fim da vida se recusava a comentar tudo o que lhe pediam, alegando: «Não sou a consciência universal». São poucos os que actualmente mostram esta modéstia e falta de egocentrismo… E os historiadores, que têm como função evocar o passado (a televisão, sobretudo, vive muito de imagens feitas anteriormente, que podem servir como pano de fundo. Outro grupo que tem grande prestigio nos media são os médicos. Para Dominique Wolton, o grupo menos consultado são os cientistas, pois normalmente são menos divertidos que os grupos aqui elencados. Para o autor os que são “parentes pobres” no mediatismo são os profissionais da cultura (realizadores, escritores, coreógrafos, programadores, etc.) e os cientistas sociais (economia, sociologia, psicologia, ciências politicas). Neste ponto a situação portuguesa é diferente.
Em Portugal praticamente não há filósofos mediáticos: Desidério Murcho, José Gil e João de Almeida Santos são ainda as excepções, e apenas na imprensa. São os cientistas sociais quem mais é chamado a comentar na televisão e nos media em geral. Seguem-se os próprios jornalistas, os ex-jornalistas e os historiadores. E por fim os homens das ciências puras e aplicadas.
Para Dominique Wolton o mediatismo trouxe uma nova forma de legitimidade e é um sinal que os grupos profissionais perderam legitimidade interna: dantes quem era mediático mas não tinha credibilidade entre os seus pares não tinha grande valor; presentemente quem é mediático tem mais valor entre os seus pares e quem não o é torna-se invisível. Isso não se deve a um qualquer mecanismo perverso dos media mas ao enfraquecimento dos laços dentro dos várias comunidades profissionais (professores, arquitectos, médicos, engenheiros, padres, etc.) causadas pelo enfraquecimento do prestigio do autocontrole interno. Embora subsistam esses mecanismos de autocontrole, deixaram de ter real valor. Triunfou a publicidade individual, o individualismo mediático, como modo de legitimação.
Nota: Não tenho nada contra os intelectuais mediáticos. Mas é muito “interessante” ouvir o seu “duplo discurso” (emição de opiniões contrariadas pelas suas acções) de muitos e por isso considero a análise de Dominique Wolton certeira. O livro de Dominique Wolton tem muito a explorar, temas que não vou focar para já. Apesar de datado, é uma leitura que vale a pena fazer.
Leitura de: Dominique Wolton, Elogio do grande público (Porto, Asa, 1994).
Fonte da Imagem: Edições Asa.
Última Actualização: 06/12/2008
Vínculo social e comunidade nacional
01/12/2008
«Os acontecimentos da Europa de Leste e o despertar do nacionalismo no império soviético desde o Verão de 1989, sem mencionar as dolorosas recordações ligadas à reunificação alemã, surpreenderam toda a gente e voltaram a colocar as questões nacionais no coração da Europa. É um pouco como se os quarenta anos de guerra fria se tivessem traduzido num congelamento da questão nacional a ponto de ter sido considerada ultrapassada quando, de facto, ela reaparece intacta e inteira. Pensámos estar desembaraçados da questão nacional entendida como factor de mobilização e de identificação dos povos, ou até como factor de conflito, tendo as duas guerras mundiais servido para ilustrar o modo sinistro a loucura nacionalista. Apercebemo-nos actualmente de que o problema se encontra no ponto em que o abandonámos em 1944, ou em 1918, ou em 1900, consoante os binóculos usados para olhar a Europa. A construção da Comunidade económica ilustra perfeitamente essa ambiguidade. Desejada justificadamente para reconstruir uma Europa numa base não nacionalista, esbarra após trinta anos de progressos lentos e pacientes no desejo profundo de reunificação da “nação alemã” e, em menos de um ano, é todo o capital de confiança, pacientemente acumulado desde a guerra, que ameaça ruir. E não apenas em França! De tanto que se ter tratado a questão nacional como prova de arcaísmo, ela regressa hoje com uma força intacta.
É aqui que se volta a encontrar o papel essencial da televisão. Viu-se sobretudo como um factor de desenclausuramento, descobre-se o seu papel de vínculo social. Contudo, esse papel foi fundamental depois da guerra, quando a maior parte das representações ruíam e que a rapidez de transformação de uma sociedade confrontada com o conflito entre os mundos capitalista e comunista, com as guerras coloniais e com o triunfo progressivo da sociedade de consumo, aí encontrou uma espécie de fio de condutor da modernidade. Se a televisão surgiu então como uma transformação no meio de outras, não se viu o suficientemente que ela era um factor de estabilidade e não de instabilidade. Coloca-se hoje em dia o mesmo problema mas invertido. O duplo movimento de universalismo e individualismo triunfou mas sem mas sem propôr outro valor positivo para além da recusa de modelos caducos e da assunção dos valores da liberdade até à sua consequência extrema, a solidão. Neste contexto de liberdades individuais mas também de solidões institucionalizadas, a televisão pode desempenhar um papel de identificação colectiva, sem por isso ser alvo de suspeita de querer suscitar um regresso ao passado! Reconhecer actualmente a importância do factor nacionalista é assim essencial, sob pena de o dar amanhã de presente à extrema-direita. Apesar das aparências, a televisão não é um instrumento universal de comunicação: só o é a partir de uma identidade construída. Aliás, esta dupla característica parece ser indispensável. Como poderia a televisão desempenhar esse papel de abertura, e portanto de constante desestabilização, e mesmo de problematização dos esquemas e valores, se simultaneamente não representasse, para os espectadores, um elemento de unidade nacional? Não podemos ver o mundo, sobretudo se o olhar e a imagem alargam sem cessar as suas fronteiras, a não ser a partir de um lugar fixo, identificado, e com a consciência das nossas raízes. Senão, somos arrastados pelo fluxo das imagens!»
Dominique Wolton
Comentário da Sabine: É claro que este texto se encontra datado (1990) e situado (o autor é francês). No entanto estas palavras têm muito que se lhe digam… Durante o meu curso superior deixei praticamente de ver televisão. Ler o Elogio do grande público de Dominique Wolton. O autor apresenta-se como um defensor da televisão, sobretudo da televisão generalista pública. E tenta demonstrar que o ódio dos intelectuais à televisão generalista não só é injustificado, como por vezes é hipócrita. Neste excerto o autor foca a importância do carácter nacional da televisão generalista e dos perigos de um internacionalismo cego (não só ao nível dos meios de comunicação). Deixar o nacionalismo à extrema-direita é o que vê mais hoje. Aparentemente, só é democrata só vê benefícios na globalização e nos caminhos da União Europeia. Este postal foi dedicado à Helena Araújo, sob os auspícios do 1 de Dezembro de 1640.
Fontes das Imagens: CECS U. Minho – Seminário com Dominique Wolton; O Maior Clube do Mundo; Penates Publiciti.





