Leituras: Revisitando a acção de Winston Churchill – parte 3

A Loucura de Churchill, de Christopher Cathewood levou-me a ler Churchill, uma biografia escrita por Keith Robbins, também historiador inglês.
Esta biografia é um pequenino resumo da vida de Churchill, em todos os seus aspectos (Martin Gilbert, o biografo oficial de Churchill escreveu uma muito maior). Vou destacar um: o papel de Churchill na 2ª Guerra Mundial.
Winston Churchill queria estar no poder, mas só com a 2ª Guerra Mundial teve oportunidade de ser 1º Ministro. Durante grande parte do conflito foi chefe de um governo de união nacional, composto pelo Partido Conservador + Partido Liberal + Partido Trabalhista. O governo de coligação de Churchill era mandatado pelo Parlamento Britânico, que o podia destituir a qualquer momento.
O poder foi-lhe “passado” por Neville Chamberlain (que fora até então 1º Ministro e era o líder do Partido Conservador) em 1940. Chamberlain viu nele o salvador, visto Churchill ter sido dos poucos a ter a intuição acerca da perigosidade de Adolf Hitler. Chamberlain estava nessa altura totalmente desacreditado, mesmo dentro do Partido Conservador. O autor alega que um dos motivos porque Chamberlain hesitou em combater Hitler e preferiu o apaziguamento foi, para além do trauma da 1ª Guerra Mundial, a convicção de que o império não sobreviveria a mais uma guerra (já que a autoridade da Grã-Bretanha começava a ser colocada em causa, cada vez mais).
Já Winston Churchill pensava que a guerra era necessária e teve à altura da tarefa. Até 1941 combateu praticamente sozinho Hitler: os seus aliados eram a China (que combatia o Japão no seu território) e a França Livre (chefiada por Charles De Gaulle era um exército muito pequenino, ainda por cima dependente da ajuda da Grã-Bretanha). E era uma guerra dispersa por três continentes: Europa, Ásia e África. Em Julho de 1941 os soldados alemães, a mando de Hitler, invadiram a União Soviética. Churchill nessa altura pôs de parte o seu anticomunismo e aliou-se a Estaline para derrotar Hitler. Em Dezembro do mesmo ano foi a vez dos Estados Unidos entrarem na guerra, depois do ataque de Pearl Harbour.

Churchill rejubilou com estes novos aliados mas pouco a pouco foi-se dando conta de que tanto o Reino Unido como ele próprio ia perdendo o seu poder enquanto potência mundial, pois as decisões principais iam passando a ser tomadas por Estaline e Franklin Roosevelt. Por exemplo, foram os britânicos que começaram a investigações para a bomba atómica. Mas como chegaram à conclusão de que não tinham capacidade tecnológica para a fazerem, pediram ajuda aos Estados Unidos. Em pouco tempo os Estados Unidos tomaram conta do projecto e a opinião de Winston Churchill não foi tida em conta. Mesmo assim, achava que era seu dever ir às reuniões dos Aliados.
Nas eleições realizadas logo após a 2ª Guerra Mundial, Winston Churchill e o Partido Conservador perderam. Quem venceu foi o Partido Trabalhista (pela primeira vez). Churchill passou então cinco anos alternando entre conferências internacionais e as actividades como líder da oposição. Foi numa dessas conferências que usou a famosa expressão “cortina de ferro” (em 1946) para designar a nova configuração do mundo.
No entanto, a partir do momento em que teve conhecimento que os soviéticos detinham a bomba atómica defendeu um entendimento entre os Estados Unidos e a União Soviética para a divisão do mundo (aquilo que ficou conhecido como détente).
Tal como De Gaulle, Churchill via-se como um predestinado. E tinha uma enorme vontade de ter poder e planeava as suas acções para que fossem conhecidas. Como não havia a mediatização actual ele mesmo se encarregava de as relatar, primeiro escrevendo artigos para jornais, depois fazendo livro. Tinha uma extraordinária preocupação com a imagem e ao mesmo tempo era uma pessoa excêntrica e volúvel, e não se preocupava com isso. Foi um político muito contraditório.

Leitura de:
Keith Robbins, Churchuill (Mem Martins, Inquérito, 1997.
Imagens retiradas de: Buy.com; Annualia.

Fim das Leituras sobre Churchill
- 1ª Parte
- 2ª Parte


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