
Winston Churchill viveu entre 1874 e 1965. As suas acções marcaram a politica mundial durante todo o século XX e os seus resultados ainda se fazem sentir actualmente. Fez parte dos governos da Grã-Bretanha por cinco vezes (1905-1915, 1917-1922, 1924-1929, 1939-1945 e por último de Outubro de 1951 a Abril de 1955). Fez parte do Partido Conservador (1900-1904), do Partido Liberal (1904-1922) e por fim voltou ao Partido Conservador (1924-1965). Antes de entrar para a politica foi militar, o que marcou a sua personalidade e a sua acção politica. Também foi jornalista e a escrita acompanhou-o durante toda a vida.
A Loucura de Churchill, de Christopher Cathewood relata a história da criação do Iraque actual (que anteriormente era designado como Mesopotâmia) e a entrega do poder à família Hashemite. Christopher Cathewood, historiador inglês, estudou a evolução da situação desta terra (colónia, protectorado, entre outras coisas) entre 1911 e 1921. O autor baseou-se sobretudo no espólio pessoal de Churchill e faz uma abordagem histórica muito boa, apesar do livro não ser isento de defeitos. Vou falar desta abordagem nos próximos parágrafos.
Tudo começa com a desintegração do império Otomano, um império colonial que existiu entre 1299 e 1922. Desde meados do século XIX este império estava em decadência. Apenas era mantido porque os britânicos e os franceses o suportavam economicamente, como contraponto ao imperialismo russo.
Entretanto, foi surgindo, dentro do império Otomano uma corrente daquilo que poderíamos chamar “jovens turcos”, que defendia que os que eram da região que é hoje a Turquia deveriam ter prioridade no poder (e não só), em relação àqueles que viviam noutras regiões do império. Este nacionalismo turco resultou num certo centralismo e chauvinismo na gestão do império, a partir de então. Levou a que o império Otomano começasse a ser consumido por intrigas politicas e a ser ameaçado pela Alemanha, que desejava expandir o seu território. Igualmente levou a que os ingleses e os franceses deixassem de ter tanto interesse em ajudar os otomanos. Também levou às primeiras revoltas de cristãos gregos que viviam dentro do império (que oficialmente, e maioritariamente, era muçulmano).
Em 1907 foi constituída a Tríplice Entente, formada em 1907, com a participação de França, Rússia e Reino Unido. Esta aliança era uma resposta à Tríplice Aliança, formada em 1882 por Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha. Era a primeira vez que o Reino Unido se unia à Rússia e os otomanos não foram convidados a participar. Logo, aliaram-se aos alemães. É aqui que o autor introduz uma questão retórica:
“E se os otomanos tivessem permanecido fiéis aos britânicos?”. De facto, essa condicional contrafactual tem várias respostas, consoante a ideologia ou o mau-humor de quem responde. No entanto, nada no livro de Christopher Cathewood indica que os britânicos ou quaisquer outros membros da Tríplice Entente tivessem interesse, naquele momento, em se aliar aos otomanos. Logo, os otomanos não tinham razões para permanecerem leais aos britânicos. Para mais, havia o nacionalismo turco a ganhar cada vez mais poder.
Uma consequência destas alianças, começou em 1914 a 1ª Guerra Mundial. Como forma de vencer os otomanos, Winston Churchill (que em 1911 fora nomeado Primeiro Lorde do Almirantado) pediu em 1915 ajuda aos australianos (que enviaram tropas) para a região da actual Turquia, para tentarem vencer conquistar Gallipoli e assim terminarem a guerra mais rapidamente. Mas o plano deu errado e Churchill foi afastado do governo liberal de Herbert Asquith.
Dois anos depois (1917) Churchill retornou ao governo, que agora era de coligação (Partido Liberal + Partido Conservador) e chefiado por David Lloyd George. Entretanto, a Tríplice Entente (ou os Aliados, como hoje são chamados) tinha sofrido inúmeras derrotas. Por isso Churchill apostou na colaboração de alguns árabes. T. E. Lawrance, agente britânico (com uma vida sexual complicada e com certa propensão para mitificar os seus actos, o que é bem esmiuçado no livro) foi encarregado de contactar a família Hashemite para preparar uma revolta dentro do império otomano. Hussein ibn Ali, o patriarca, era Sharif (líder religioso) e Emir de Meca.
O nacionalismo árabe existia desde meados do século XIX mas ainda era muito incipiente. Os árabes tinham outras preocupações primordiais (rezar e sobreviver, principalmente) e muitos ainda se sentiam ligados ao império otomano (o chefe politico do império otomano era por muitos deles considerado um chefe religioso também). Foi com esta revolta que o nacionalismo árabe começou a tomar forma, mas o seu fracasso levou a que nascessem os primeiros ódios aos ocidentais. Outros factores de ódio:
- Em 1918 os árabes tomaram conhecimento do Acordo de Sykes–Picot (feito em 1916), que os franceses e os britânicos tinham feito com os russos para a divisão do Médio Oriente no pós-guerra. Nessa altura, já os britânicos desejavam suspendê-lo, mas era tarde de mais.
– Em 1917, foi feita, por Winston Churchill, uma promessa de terra para os judeus, através da Declaração de Balfour.
- Durante o pós-1ª Guerra Mundial Winston Churchill mandou usar gás venenoso contra os povos da Mesopotâmia. Churchill considerava-o inofensivo, o que se veio a provar ser falso.
Fontes das Imagens: Bulhosa.
Fim da 1ª Parte



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