Intervalo
27/10/2008

Este blogue vai ficar fechado para balanço durante algum tempo: tanto pode ser uma semana como um mês. Tudo dependerá das circunstâncias e da inspiração. Entretanto, continuarei a acompanhar o que se escreve pela blogosfera.
Fonte da Imagem: Font River
O Contrato Mediático
27/10/2008
«Os Governos da Europa fazem planos que o bom senso indica, claramente, que não vão poder cumprir. Este malogro com pré-aviso vai servir para aqueles que querem menos Estado e menos Governo possam falar com voz ainda mais grossa.
Em breve ouviremos mais discursos favoráveis a “mais mercado”, para que as potencialidades a nível económico se desenvolvam na base de jogo livre de agentes sociais, de modo a que se “possa obter maior eficiência e produtividade”.
A questão é que o discurso político desapareceu submerso e ingredientes económicos, ironicamente quando a liberdade económica dos Estados e dos cidadãos é cada vez menor.
Levado ao limite, deixem-me que pergunte: Que estamos, afinal de contas, a eleger quando votamos para um Parlamento de cuja constituição resulta um Governo? Simplisticamente, estamos a escolher o alvo do nosso descontentamento por não vir a cumprir aquilo que em campanha nos prometeu.
A Imprensa económica portuguesa não difere da restante congénere europeia: “É necessário proceder-se às reformas estruturais”. Por outro lado, e a juntar a estas palavras de ordem, alguns, em número e influência significativos, defendem a teoria segundo a qual pagando nós menos impostos a retoma acelerará o desenvolvimento.
Multiplicar a divida pública, diminuir a poupança e comprometer a longo prazo o crescimento económico, como Reagan conseguiu, não impede que os jornalistas económicos continuem a bater o pé por duas coisas absolutamente contraditórias: reduzir o défice público e baixar os impostos. Curiosamente, já ouvimos um primeiro-ministro, pelo menos, se nos ficarmos pelo tempo presente, defender exactamente a mesma coisa(a).
(…) Todavia, o futuro para que nos encaminham é, indubitavelmente, o da lógica da especialização. Quer isto dizer, na óptica dos especialistas, que poucos pensarão, a esmagadora maioria tomará conhecimento dos seus pensamentos através dos jornais, rádio e televisão e não só não teremos outro remédio se não os aceitar, bem como os defender e vivermos segundo os seus pontos de vista. Reconheça-se, em abono da verdade, que já avançámos muito neste domínio…
De resto, se excluirmos deste fenómeno os velhos e os reformados, os mais jovens e activos não só parecem não dispor de tempo ou grande interesse em pensar, mas também seguem o diktat, seja de auriculares nos ouvidos, seja de telemóvel na mão, a abanarem a cabeça como os passarinhos»
Joaquim Letria
Comentário da Sabine: Este é o excerto de um capítulo de A Verdade Confiscada, editado em 1998. É um livro de um jornalista cansado e de um cidadão decepcionado. É espantoso como as suas palavras se mantém actuais. Serve este postal de comentário à situação jornalística, económica e politica portuguesa e europeia actual. Este postal é dedicado ao Mário Ventura.
(a) Quando o livro foi escrito o primeiro-ministro era António Guterres.
Fonte do Texto: Joaquim Letria, A Verdade Confiscada (Lisboa, Notícias, 1998).
Fontes das Imagens: Defender o Quadrado; Prova Oral.
A Loucura de Churchill, de Christopher Cathewood levou-me a ler Churchill, uma biografia escrita por Keith Robbins, também historiador inglês.
Esta biografia é um pequenino resumo da vida de Churchill, em todos os seus aspectos (Martin Gilbert, o biografo oficial de Churchill escreveu uma muito maior). Vou destacar um: o papel de Churchill na 2ª Guerra Mundial.
Winston Churchill queria estar no poder, mas só com a 2ª Guerra Mundial teve oportunidade de ser 1º Ministro. Durante grande parte do conflito foi chefe de um governo de união nacional, composto pelo Partido Conservador + Partido Liberal + Partido Trabalhista. O governo de coligação de Churchill era mandatado pelo Parlamento Britânico, que o podia destituir a qualquer momento.
O poder foi-lhe “passado” por Neville Chamberlain (que fora até então 1º Ministro e era o líder do Partido Conservador) em 1940. Chamberlain viu nele o salvador, visto Churchill ter sido dos poucos a ter a intuição acerca da perigosidade de Adolf Hitler. Chamberlain estava nessa altura totalmente desacreditado, mesmo dentro do Partido Conservador. O autor alega que um dos motivos porque Chamberlain hesitou em combater Hitler e preferiu o apaziguamento foi, para além do trauma da 1ª Guerra Mundial, a convicção de que o império não sobreviveria a mais uma guerra (já que a autoridade da Grã-Bretanha começava a ser colocada em causa, cada vez mais).
Já Winston Churchill pensava que a guerra era necessária e teve à altura da tarefa. Até 1941 combateu praticamente sozinho Hitler: os seus aliados eram a China (que combatia o Japão no seu território) e a França Livre (chefiada por Charles De Gaulle era um exército muito pequenino, ainda por cima dependente da ajuda da Grã-Bretanha). E era uma guerra dispersa por três continentes: Europa, Ásia e África. Em Julho de 1941 os soldados alemães, a mando de Hitler, invadiram a União Soviética. Churchill nessa altura pôs de parte o seu anticomunismo e aliou-se a Estaline para derrotar Hitler. Em Dezembro do mesmo ano foi a vez dos Estados Unidos entrarem na guerra, depois do ataque de Pearl Harbour.

Churchill rejubilou com estes novos aliados mas pouco a pouco foi-se dando conta de que tanto o Reino Unido como ele próprio ia perdendo o seu poder enquanto potência mundial, pois as decisões principais iam passando a ser tomadas por Estaline e Franklin Roosevelt. Por exemplo, foram os britânicos que começaram a investigações para a bomba atómica. Mas como chegaram à conclusão de que não tinham capacidade tecnológica para a fazerem, pediram ajuda aos Estados Unidos. Em pouco tempo os Estados Unidos tomaram conta do projecto e a opinião de Winston Churchill não foi tida em conta. Mesmo assim, achava que era seu dever ir às reuniões dos Aliados.
Nas eleições realizadas logo após a 2ª Guerra Mundial, Winston Churchill e o Partido Conservador perderam. Quem venceu foi o Partido Trabalhista (pela primeira vez). Churchill passou então cinco anos alternando entre conferências internacionais e as actividades como líder da oposição. Foi numa dessas conferências que usou a famosa expressão “cortina de ferro” (em 1946) para designar a nova configuração do mundo.
No entanto, a partir do momento em que teve conhecimento que os soviéticos detinham a bomba atómica defendeu um entendimento entre os Estados Unidos e a União Soviética para a divisão do mundo (aquilo que ficou conhecido como détente).
Tal como De Gaulle, Churchill via-se como um predestinado. E tinha uma enorme vontade de ter poder e planeava as suas acções para que fossem conhecidas. Como não havia a mediatização actual ele mesmo se encarregava de as relatar, primeiro escrevendo artigos para jornais, depois fazendo livro. Tinha uma extraordinária preocupação com a imagem e ao mesmo tempo era uma pessoa excêntrica e volúvel, e não se preocupava com isso. Foi um político muito contraditório.
Leitura de:
Keith Robbins, Churchuill (Mem Martins, Inquérito, 1997.
Imagens retiradas de: Buy.com; Annualia.
E os meus Prémios Dardos vão para…
22/10/2008

Eis que regressa a moda das correntes. Como já participei noutras, vou participar nesta também. A Abrunho teve a amabilidade de me nomear para o Prémio Dardos, no qual:
«” se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web”
Quem recebe o “Prémio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:
1. – Exibir a distinta imagem;
2. – Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. – Escolher quinze (15) outros blogs a que entregar o Prémio Dardos.»
Tal como a Abrunho tenho alguma dificuldade em esboçar uma lista de quinze blogues da minha preferência. Mas esta é a minha lista (a escolha de alguns blogues merece comentários):
1. Jardim de Luz (blogue de uma católica crítica e bem-humorada)
2. Mário Ventura (entre a adrenalina do desporto e as escolhas da vida)
3. Jornalismo e Internet (bom blogue de compilação de notícias sobre estes temas; escrito a partir do Brasil)
4. Devaneios Desintéricos
5. Dissidente-X
6. Tu Cá Tu Lá (ex-Contemplamento)
7. Café Turco
8. 2 Dedos de Conversa
9. O Mundo Perfeito
10. Bibliotecário de Babel (tentando sobreviver no mundo jornalístico-literário)
11. InBetween
12. De Rerum Natura
13. Indústrias Culturais
14. As Minhas Leituras
15. Escreva Lola Escreva (escrito a partir do Brasil)
Apesar de ter decidido numerar os blogues referidos, a ordem é aleatória. Para saber mais sobre as minhas leituras habituais ver Lá Fora. E agora passo a corrente aos escolhidos… que ainda não tenham participado nela, claro!
Fonte de Informação: Bonstempos hein?!
Última Actualização: 23/10/2008
Mitologia pessoal
22/10/2008
Sou uma rapariga simples de uma aldeia, com uma linguagem despretensiosa e sem cerimónias. Mas também tenho dentro de mim algo de cosmopolita e de super-educada. Durante o curso superior que acabei de tirar há cerca de dois anos tive oportunidade de ter grandes conversas. Agora parece que um silêncio oco começa a pesar dentro de mim. Há assuntos sérios com os quais eu não tenho vocação para brincar. Mas gosto de rir e de falar sobre tudo, sobretudo sobre os assuntos mais banais. E sou leitora frequente de revistas cor-de-rosa. (Não sou tão séria como a Abrunho pensa).

(Continuando a leitura de A Loucura de Churchill, de Christopher Cathewood)
Os otomanos perderam a guerra, juntamente com os alemães. Mas, ao contrário do que os britânicos previam, Kemal Atatürk, o fundador da Turquia actual, manteve-se a lutar por mais uns anos, até 1922. E venceu. Se a 1ª Guerra Mundial tinha acabado, haviam agora outros focos de conflito. Winston Churchill, agora Ministro do Armamento encarava as seguintes situações:
- A guerra civil russa, depois do golpe de estado liderado por Lenine. Os britânicos, e acima de tudo Winston Churchill, sentiam que era importante contribuir com tropas.
- Guerras entre os gregos e os turcos otomanos. A Grécia tinha proclamado a independência do império otomano em 1821, sendo a guerra da independência durado até 1830. Antes da 1ª Guerra Mundial tinha havido um “cisma nacional”, entre o rei Constantino I (pró-alemão) e o seu primeiro-ministro Elefthérios Venizélos (pró-entendente). Como consequência, Constantino I foi deposto e a Grécia manteve-se em guerra com o império Otomano até 1923. David Lloyd George queria ajudar os gregos.
- Na Irlanda do Norte lutava-se pela independência, através de sucessivas revoltas e atentados. Era necessário por isso ter lá militares.
Dentro destas circunstâncias, os britânicos tinham de dispor de tropas para combater nestas frentes. Para além disso tinham de controlar a economia do pós-guerra, que tinha deixado as populações à beira da pobreza. E ainda queriam manter o império britânico com a pujança do século XIX. Isto, numa altura em que as ideias de autodeterminação dos povos estavam a ser aplicadas na Europa. Um dos grandes impulsionadores delas era Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos, que também as queria espalhar por outras partes do mundo.
O autor mostra que Winston Churchill, ao contrário dos seus generais na Mesopotâmia e dos norte-americanos nunca teve consciência do potencial económico do petróleo que nessa altura tinha sido ali descoberto. Ele apenas queria manter o modelo de império que tanta riqueza tinha trazido no século anterior e se possível gastar o mínimo de dinheiro possível na sua gestão. Não lhe interessava o que os árabes pensavam nem sequer se punha essa questão.
O Reino Unido no final da 1ª Guerra Mundial ficou com um mandato provisório sobre a maior parte do território que se chama hoje Médio Oriente (a outra parte ficou para os franceses, que criaram à sua conta o que é hoje o Líbano e a Síria). Cabia a Winston Churchill e aos outros membros do governo de David Lloyd George decidir qual o futuro do território. Depois de tantas promessas e tratados no antes e pós-1ª Guerra Mundial era difícil cumprir quaisquer compromissos. Por outro lado, como queria tomar a melhor decisão possível e isso contribuiu para o arrastamento da situação. Havia também a desconfiança de que os árabes quisessem-se desligar da alçada britânica e mesmo ajudar os turcos (ou que os turcos tentassem fazer alguma manobra de diversão na zona).
Em 1921, Churchill foi nomeado Ministro das Colónias e organizou uma conferência no Cairo para partilhar esse território. Nela tiveram, entre outros, os generais mais importantes arquatelados na região, Gertrude Bell, Percy Cox, T. E. Lawrence, Arnold Wilson e Jafar al-Askari.
Como resultado desta conferência e de negociações posteriores dentro do governo britânico nasceu o actual Iraque. Faisal bin Al Hussein (filho de Hussein bin Ali e membro do clã Hashemite) foi autorizado a tomar posse deste território, recebendo como contrapartida pela sua fidelidade aos britânicos uma mesada e o apoio da força aérea britânica. O seu irmão Abdullah naquela altura já tinha conquistado um pequeno país para si, o que hoje se chama Jordânia. Foi autorizado a manter esse território e a conquistar mais algum. E viu a sua mesada aumentar. Por fim, decidiu-se não só continuar a apoiar o clã Saud, a quem também era dada mesada. Ibn Saud tomara aquilo que é hoje a Arábia Saudita. Com todas estas politicas de suborno, procuravam-se criar estados-fantoche e manter uma certa ideia de império britânico.
Winston Churchill tinha simpatia, já na altura, pela criação de um estado curdo, que era uma forma de conter os turcos. Mas os interesses do governo britânico opuseram-lhe e ele acabou assim por estabelecer uma nação tripartida (composta por xiitas, sunitas e curdos).
Christopher Cathewood construiu um livro apaixonante, muito fácil de ler. E que foca todas as questões importantes à volta da criação do Iraque. Nota-se claramente a sua admiração por Winston Churchill , mesmo quando critica. Subjaz a todo o livro a ideia de que os britânicos estão sempre certos, mesmo quando erram. Isto faz com que quem o leia fique com a sensação oposta àquela que o autor desejaria, a menos que pense que os britânicos são infalíveis. Pelo meio tenta comparar Tony Blair e George W. Bush com Winston Churchill, mas isso apenas contribui para piorar a imagem dos três.
Leitura de:
Christopher Cathewood, A Loucura de Churchill (Lisboa, Relógio D’Água, 2008).
Fontes das Imagens: Center for Contemporary Conflict; Wikipedia in English – Middle East.
Fim da 2ª Parte

Winston Churchill viveu entre 1874 e 1965. As suas acções marcaram a politica mundial durante todo o século XX e os seus resultados ainda se fazem sentir actualmente. Fez parte dos governos da Grã-Bretanha por cinco vezes (1905-1915, 1917-1922, 1924-1929, 1939-1945 e por último de Outubro de 1951 a Abril de 1955). Fez parte do Partido Conservador (1900-1904), do Partido Liberal (1904-1922) e por fim voltou ao Partido Conservador (1924-1965). Antes de entrar para a politica foi militar, o que marcou a sua personalidade e a sua acção politica. Também foi jornalista e a escrita acompanhou-o durante toda a vida.
A Loucura de Churchill, de Christopher Cathewood relata a história da criação do Iraque actual (que anteriormente era designado como Mesopotâmia) e a entrega do poder à família Hashemite. Christopher Cathewood, historiador inglês, estudou a evolução da situação desta terra (colónia, protectorado, entre outras coisas) entre 1911 e 1921. O autor baseou-se sobretudo no espólio pessoal de Churchill e faz uma abordagem histórica muito boa, apesar do livro não ser isento de defeitos. Vou falar desta abordagem nos próximos parágrafos.
Tudo começa com a desintegração do império Otomano, um império colonial que existiu entre 1299 e 1922. Desde meados do século XIX este império estava em decadência. Apenas era mantido porque os britânicos e os franceses o suportavam economicamente, como contraponto ao imperialismo russo.
Entretanto, foi surgindo, dentro do império Otomano uma corrente daquilo que poderíamos chamar “jovens turcos”, que defendia que os que eram da região que é hoje a Turquia deveriam ter prioridade no poder (e não só), em relação àqueles que viviam noutras regiões do império. Este nacionalismo turco resultou num certo centralismo e chauvinismo na gestão do império, a partir de então. Levou a que o império Otomano começasse a ser consumido por intrigas politicas e a ser ameaçado pela Alemanha, que desejava expandir o seu território. Igualmente levou a que os ingleses e os franceses deixassem de ter tanto interesse em ajudar os otomanos. Também levou às primeiras revoltas de cristãos gregos que viviam dentro do império (que oficialmente, e maioritariamente, era muçulmano).
Em 1907 foi constituída a Tríplice Entente, formada em 1907, com a participação de França, Rússia e Reino Unido. Esta aliança era uma resposta à Tríplice Aliança, formada em 1882 por Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha. Era a primeira vez que o Reino Unido se unia à Rússia e os otomanos não foram convidados a participar. Logo, aliaram-se aos alemães. É aqui que o autor introduz uma questão retórica:
“E se os otomanos tivessem permanecido fiéis aos britânicos?”. De facto, essa condicional contrafactual tem várias respostas, consoante a ideologia ou o mau-humor de quem responde. No entanto, nada no livro de Christopher Cathewood indica que os britânicos ou quaisquer outros membros da Tríplice Entente tivessem interesse, naquele momento, em se aliar aos otomanos. Logo, os otomanos não tinham razões para permanecerem leais aos britânicos. Para mais, havia o nacionalismo turco a ganhar cada vez mais poder.
Uma consequência destas alianças, começou em 1914 a 1ª Guerra Mundial. Como forma de vencer os otomanos, Winston Churchill (que em 1911 fora nomeado Primeiro Lorde do Almirantado) pediu em 1915 ajuda aos australianos (que enviaram tropas) para a região da actual Turquia, para tentarem vencer conquistar Gallipoli e assim terminarem a guerra mais rapidamente. Mas o plano deu errado e Churchill foi afastado do governo liberal de Herbert Asquith.
Dois anos depois (1917) Churchill retornou ao governo, que agora era de coligação (Partido Liberal + Partido Conservador) e chefiado por David Lloyd George. Entretanto, a Tríplice Entente (ou os Aliados, como hoje são chamados) tinha sofrido inúmeras derrotas. Por isso Churchill apostou na colaboração de alguns árabes. T. E. Lawrance, agente britânico (com uma vida sexual complicada e com certa propensão para mitificar os seus actos, o que é bem esmiuçado no livro) foi encarregado de contactar a família Hashemite para preparar uma revolta dentro do império otomano. Hussein ibn Ali, o patriarca, era Sharif (líder religioso) e Emir de Meca.
O nacionalismo árabe existia desde meados do século XIX mas ainda era muito incipiente. Os árabes tinham outras preocupações primordiais (rezar e sobreviver, principalmente) e muitos ainda se sentiam ligados ao império otomano (o chefe politico do império otomano era por muitos deles considerado um chefe religioso também). Foi com esta revolta que o nacionalismo árabe começou a tomar forma, mas o seu fracasso levou a que nascessem os primeiros ódios aos ocidentais. Outros factores de ódio:
- Em 1918 os árabes tomaram conhecimento do Acordo de Sykes–Picot (feito em 1916), que os franceses e os britânicos tinham feito com os russos para a divisão do Médio Oriente no pós-guerra. Nessa altura, já os britânicos desejavam suspendê-lo, mas era tarde de mais.
– Em 1917, foi feita, por Winston Churchill, uma promessa de terra para os judeus, através da Declaração de Balfour.
- Durante o pós-1ª Guerra Mundial Winston Churchill mandou usar gás venenoso contra os povos da Mesopotâmia. Churchill considerava-o inofensivo, o que se veio a provar ser falso.
Fontes das Imagens: Bulhosa.
Fim da 1ª Parte
Kundera e a denúncia
19/10/2008
Adam Hradilek, é um historiador checo e faz parte do Instituto para o Estudo dos Regimes Totalitários. Pesquisando num relatório da policia checoslovaca uma referencia de que tinha sido o escritor Milan Kundera a denunciar em 1950 o estudante Miroslav Dvořáček, desertor do exército e que tinha estado na República Federal Alemã na Primavera anterior. Milan Kundera negou veementemente a acusação, numa das poucas vezes que decidiu falar em público. A minha reacção tudo isto: acreditar em Milan Kundera. É claro que pode ser verdade, que Milan Kundera seja quem esteja a mentir. Mas o relatório da polícia também pode ter sido forjado: Milan Kundera teve problemas com a polícia nesse ano.
Mais sobre o caso:
- Milan Kundera’s denunciation (artigo da revista checa Respekt, onde Adam Hradilek expõe a sua investigação).
- The Institute for the Study of Totalitarian Regimes (de que faz parte Adam Hradilek e onde se têm apresentado as provas contra Milan Kundera).
Outros Pontos de Vista:
- De Rui Bebiano: Delação e Delação (2).
- De F. Guerra: O episódio Kundera.
Intervalo
12/10/2008
Por motivos alheios à minha vontade vou estar uma semana sem postar. Até já!
Fonte da Imagem: Asterix Wallpapers.
Última Actualização: 19/10/2008
O olhar de Dissidente-X
12/10/2008
- Sobre a Crise Financeira Norte-americana:
Crise Financeira Americana – a moeda
Crise Financeira Americana – as razões
- Caridade versus Solidariedade:
Caridade neo liberal? Não obrigado
- Leituras de Zygmunt Bauman:
Zygmunt Bauman, globalização, modernidade, sociedade fragmentada
Livro Globalização e Consequências Humanas – Zygmunt Bauman
- Sobre a privacidade, os dados pessoais e o mundo digital:
Video Vigilância – Mais Locais Autorizados
Dados pessoais e privacidade – “Add This” instala Spyware
Cartão electrónico nas escolas
Chip electrónico automóvel para controlo de pessoas
Relatório Minoritário Fiscal
Lidl, vigilância electrónica
Médicos de clínica geral defendem cruzamento de dados
Selecção Nacional – Como se enganam os tansos e se obtém dados pessoais
- Sobre a publicidade da TSF:
TSF, Joana Amaral Dias, Santana Lopes, Bruno Nogueira, Maria Rueff

(não resisti a roubar esta imagem que quase fala por si mesma)
- Sobre as relações Portugal-Espanha:
Desemprego, Galiza e Conflitos Económicos
Satélite espanhol vigia a costa portuguesa
Desemprego. Dumping. Galiza.
Última Actualização: 19/10/2008




