Intervalo (longo)
10/01/2010
25 Perspectivas para 2010
10/01/2010
1. Entraremos na sociedade da videovigilância contínua. A criminalidade e o terrorismo serão pretextos para colocar para trás das costas quaisquer direitos humanos na Europa e nos Estados Unidos. Não teremos nem liberdade nem segurança.
2. Nos outros países os direitos humanos continuarão a não ser respeitados, por outras razões.
3. O défice manter-se-á. Haverá mais movimentos para a privatização de partes do Estado.
4. O desemprego, o sobreendividamento e a pobreza aumentarão em Portugal.
5. Cavaco Silva levará a lei (finalmente) aprovada no Parlamento sobre o casamento civil homossexual para o Tribunal Constitucional fiscalizar. Até a lei ser aprovada não faltarão opiniões contra ela.
6. Os Estados Unidos continuarão a decidir unilateralmente o curso do mundo. Mas a China mostrará cada vez mais que também quer ser potencia. E a Rússia idem.
7. Muitos jornais e revistas vão continuar a fechar. A Internet e o jornalismo colaborativo vão continuar a ser visto como o nirvana.
8. Portugal continuará a ser um país pobre e periférico da Europa, por mais subsídios comunitários e estatais que sejam dados às empresas. Proteccionismo continuará a ser visto como sinonimo de xenofobia (De qualquer modo, como é proibido na União Europeia, ninguém sequer o proporá).
9. Os cidadãos da União Europeia continuarão a não conhecer o Tratado de Lisboa e a ter a certeza de que todas as politicas são impostas de cima para baixo e dos países mais ricos para os países mais pobres.
10. Continuação da crise de criatividade na publicidade portuguesa (e estrangeira).
11. O spin, politico ou não, não deixará de estar na moda. As redes sociais e o Spam serão os meios privilegiados de divulgação. Mas continuarão inacessíveis a muitos, que apenas receberão as modas em segunda ou terceira mão. Os lóbis conhecerão um incremento maior, tanto em Portugal como no estrangeiro. Em vários países haverá escândalos à volta dele.
12. A Grã-Bretanha terá eleições.
13. Em Portugal, o eduquês continuará a fazer o seu caminho tanto no ensino superior como não superior. Nos outros países da Europa o Processo de Bolonha também causará resultados desastrosos, mas em menor escala. Entretanto, aumentarão as pressões para a privatização das escolas, o que não trará nada de bom a ninguém (apenas ganharão alguns empresários espertos).
14. O Serviço Nacional de Saúde continuará a ser desmantelado. As populações do interior (e muitas no litoral) terão acesso apenas a péssimos cuidados de saúde pública ou (em alternativa) a saúde muito cara privada (agora com o selo de qualidade da contratação de bons especialistas que estavam no sector público).
15. O sector bancário continuará desregulado como antes e com escândalos (como antes). Excepção: as regras emitidas pelas recém-criadas autoridades da União Europeia. Vítor Constâncio continuará ignorante do que se passa e com grande arrogância. Com sorte (a nossa) será exportado para o Banco Central Europeu, para fazer companhia ao expatriado milionário Durão Barroso.
16. A sociedade civil continuará preguiçosa e consumista. Apenas se levantará para receber o representante da Santa Sé.
17. Bento XVI será recebido em apoteose em Portugal, sobretudo por Cavaco Silva. As três televisões transmitirão as mesmas imagens da visita nesse dia e farão coberturas do acontecimento semelhantes.
18. Manuel Alegre dará o tudo por tudo para ser candidato ao PS nas presidenciais. Mas o PS fará as contas e poderá deixar cair esse apoio. Já alguma esquerda apostará nele e fará uma má aposta (ganhe ele ou não).
19. O Iémen continuará um país pobre e onde o fanatismo religioso impera. Isto seja, ou não, invadido pelos Estados Unidos (+NATO).
20. Mais edifícios e monumentos ligados ao Estado Novo serão deitados abaixo. Na escola, dar-se-á cada vez mais prioridade à história europeia e menos à portuguesa. Assim, em 2010 serão menos aqueles que saberão o que foi o Estado Novo, e muito menos conhecerão qualquer aspecto da história de Portugal.
21. Os revivalismos de décadas passadas continuarão. Para já, ainda da década de 80. Para o final do ano, outra será escolhida (dependendo também das mortes entretanto ocorridas e do Rock In Rio Lisboa 2010).
22. A filosofia continuará a ser desprezada em Portugal e em grande parte do mundo, exceptuando na Grã-Bretanha, onde meia dúzia de visionários sabem ganhar dinheiro com teorias de Lapalice (um pouco melhores que alguns livros de autoajuda, ainda assim). Mas nada de muito profundo (que horror)!
23. Serão editados óptimos livros de vários autores (de todas as nacionalidades) e péssimos também (a mediocridade não escolhe nacionalidade).
E apesar de todo o esforço em contrário, não se acabarão os downloads nem o acesso a coisas gratuitas, por mais processos judiciais que haja. Já como modelo de negócio, o gratuito conhecerá grandes êxitos e maiores fracassos.
24. Irão à falência, na região de Leiria, o dobro das empresas de 2009. E apenas serão criadas metade das empresas de 2009.
25. A blogosfera portuguesa estará cada vez mais deserta, ocupada apenas por uma nata de gente que secará tudo à volta.
Fonte da Imagem: Momentos… e Scrap!
Postal de Natal
24/12/2009
Este vídeo foi realizado na cadeira de Projecto II, no curso de Design da Universidade de Aveiro. Encontrei-o no De Rerum Natura, e é um interessante alerta contra o consumismo excessivo.
Votos de Feliz Natal.
Poesia e ritmo
13/12/2009
A poesia é escrita não para ser dita, mas para ser pensada, degustada. No entanto, a há sempre uma relação com a oralidade: “porquê este verso termina aqui e não ali?”. Procura-se sempre casar o ritmo, mesmo na poesia mais visual – através de uma combinação de sons visuais procura-se transmitir uma mensagem (muito subjectiva tanto para o emissor/poeta como para o receptor/leitor). Daí a relação da poesia com a música.
Há excepção da poesia que chega pelo ouvido, combinada com a música para fazer canções, ou da poesia que foi transmitida oralmente seguindo moldes tradicionais (também chamada poesia etnográfica) a poesia é uma actividade que apenas interessa a um conjunto pequeníssimo de pessoas – uns milhares, se formos optimistas. De resto, ninguém tem motivação para deslindar escolhas (“porquê esta palavra e não outra?”), significados de frases e a (in)coerência de uma obra.
A propósito de: Serão Literário das Cortes de 12/12/2009 e de São Douradas as Cordas de Daniel Basílio (Textiverso, 2009).
Fonte da Imagem: O Livreiro Assassino.
Intervalo
07/12/2009
Este blogue continua parado por mais algum tempo.
Fonte da Imagem: Artinconu (pintura de Sigmund Walter Hampel).
Porque ainda não comecei a túitar
22/11/2009
Decidi limitar a minha participação nas redes sociais a meia dúzia de aderências (logo, de empresas) porque:
- Somos cada vez mais indivíduos atomizados, com cada vez menor noção de pertença a um sítio. Tudo é efémero, mas hoje tem-se essa consciência maior disso, porque para além da morte, as relações pessoais parecem ter prazo de validade para muitos (veja-se o aluguer de amigos). Somos muitos sentados à frente do nosso computador a emitir opiniões ou a dialogar com alguém virtualmente (afinal, é para isso que servem as redes sociais), com uma ligação vaga a pessoas ou comunidades reais.
- Revolta-me a hipótese de se saber de tal forma os gostos, a vida e o que pensa cada pessoa, deixando assim pouco espaço para a privacidade – e para respirar. Sou constantemente bombardeada com publicidade, de inúmeras formas, até ao cansaço!
- Nem toda a publicidade-a-si-mesmo é positiva: todos temos um lado negro que se manifestará mais tarde ou mais cedo. E aquilo que uns vêm como qualidade, para outros será defeito.
- Não há tempo sequer para blogar como desejaria. Milhões de lençóis de texto ficaram por escrever por falta de tempo, que inclui motivação para pesquisar mais e para pensar mais antes de escrever (por sua vez, o Twitter está limitado a 140 caracteres!).
- Dizer o que pensamos a todo o momento: esses pensamentos ficam para os amigos de carne e osso, não para ilusões sociais de conhecimento, pessoas que têm um alcance limitado na nossa vida. Concedo que o Twitter seja útil a um jornalista no exercício da sua profissão – que se pode actualizar constantemente com novas informações – não a mim.
- A blogosfera já teve o seu ponto alto como moda. Agora é moda estar no Twitter e no Facebook. Qual será a próxima moda? Escrever mensagens infográficas?
- É melhor fixar meia dúzia de locais virtuais onde estar, em vez de se dispersar informação e atenção pessoal por muitos sítios.
Nota: Agradeço ao Pedro Jerónimo a palavra: túitar.
Leitura Adicional: Virtual communities: abort, retry, failure?
Fonte da Imagem: Flammarion Cysneiros.
Jorge Ferreira e a morte
21/11/2009
Morreu Jorge Ferreira, professor de Direito da Comunicação Social na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Durante a licenciatura comecei a ser leitora assídua do seu blogue, Comunicar a Direito. Depois, conheci-o pessoalmente quando veio a Leiria participar no ENEJC 2006, de cuja organização fiz parte. Pareceu-me uma pessoa dinâmica, sempre a tentar movimentar os alunos, demasiado parados para a sua energia. Também acompanhei durante algum tempo o seu blogue Tomar Partido e sei que froi um dos fundadores do Partido Nova Democracia. Em termos políticos, teríamos pontos de vista quase totalmente divergentes. Em termos pessoais, ficam os sentimentos à família e aos amigos.
NOTA: Daniel Pádua, activista do software livre brasileiro também morreu ontem. Ele deixou um poema que gostei de descobrir hoje: Tenha experiências…
Fonte da Imagem: O Templário.
Última Actualização: 22/11/2009
Para que conste 5
13/11/2009
- O Público mudou de director recentemente. Mas continua a sua longa e difícil caminhada para se tornar algo tão inútil como um jornal gratuito, que se lê e se deixa num vão de escada.
- Entretanto, o director do Sol veio dizer que a homossexualidade é uma moda. Uma moda desde 2400 a. C.! José António Saraiva nãosabe o que é ter de se assumir a homossexualidade ainda hoje perante a família. E não acredito que a homossexualidade seja um contágio, como afirma.
- Tozé Martinho é um actor, argumentista (de telenovelas). Também é político: concorreu à Assembleia Municipal de Benavente pelo PSD. A sua última novela, Sentimentos, está muito bem escrita: muito levezinha, cheia de conflitos facilmente resolúveis, e algum mistério policial para contrabalançar. Só tem um ou dois vilões, porque é toda a gente muito boa.
Entre as personagens: uma comunista e um fascista. Incentivados por um padre, eles vão trabalhar para um supermercado para maiores de 65. Só acção, só boas intenções! Enquanto eles se convertem à democracia (já que ambos são pessoas cheias de bons sentimentos), vende-se o comunismo e o fascismo como coisas boas, que até podem coexistir pacificamente, desde que devidamente arbitradas por um padre. Faz-se também a apologia da não-política – local neutro sem conflitos ideológicos. Enfim, um paraíso anti-democrático…














