26. Angola afirmou-se como potência em África. Entretanto, começa a ser vendida como o paraíso perdido aos portugueses. Angola continua a ser um país onde o fosso entre ricos e pobres cresce cada vez mais e onde os direitos humanos não são respeitados.

27. Guerra israelo-palestiniana em Janeiro, em Gaza. Ambas as partes usam escudos humanos. Israel faz uma grande propaganda de guerra, mas quando ela acaba sabe-se que violou os direitos humanos. O Hamas apriveita-a para se vitimizar. Depois, em Israel há eleições e Benjamin Netanyahu é empossado primeiro-ministro. Com os mais radicais no poder em ambos os lados, muitos banhos de sangue são esperados no futuro.

28. Manuel Alegre faz um negócio lucrativo com o PS que – espera ele – dê em candidatura presidencial em 2011. Isto depois de anos de discurso “contra”, de uma ligação ao Bloco de Esquerda em busca de uma suposta “alternativa de esquerda” e piscadas de olho internas ao PS.

29. O Magalhães ocupa espaço e dinheiro às famílias. Ocupa tempo aos miúdos. Não serve para quase nada – só para jogar – e custa mais de 22,5 milhões de euros. O novo-riquismo tecnológico mostra-se assim em todo o seu esplendor.

30. João Miguel Tavares é absolvido pela segunda vez do crime de difamação por causa da crónica “José Sócrates, o Cristo da política portuguesa”, publicada no Diário de Notícias. Outros comentadores, com crónicas igualmente criticas em relação ao primeiro-ministro escapam sempre imunes. Indignação selectiva?

31. Corrupção. Acusações de negociação de cargos em troca de financiamento partidário contra os socialistas José Lello e António Braga. Sócrates com Freeport. Dias Loureiro com falhas de memória. Isaltino Morais, em julgamento, considerou a corrupção uma coisa absolutamente normal.

32. A produção agrícola portuguesa decresceu 2,9% este ano. O único aumento foi o da produção vegetal (os pomares, a vinha e o olival). De resto, na produção de cereais, na produção animal a diminuição foi grande. De igual forma, embora menos acentuada, houve diminuição na produção de energia e ludrificantes, adubos e correctivos de solos e de alimentos para animais. Esta diminuição de rendimento agrícola aconteceu em toda a União Europeia (o rendimento real agrícola na União Europeia diminuiu 12,2%), mas também teve o beneplácito das politicas seguidas, desde à décadas, por esta.

Por exemplo, durante muitos anos, graças a uma politica restritiva de quotas agricultores tiveram um incentivo para desinvestir no olival. Muitos venderam-lho a espanhóis. Agora, são os grupos espanhóis quem cultiva muito do azeite produzido em Portugal: mais de 20 mil hectares (segundo uma noticia de alguns meses do El País).

33. Na indústria, continuou a diminuição da produção, sendo que o único índice positivo é o da produção de energia. Muitas empresas portuguesas recorreram à falência, à reestruturação e ao despedimento massivo.

34. Multinacionais a despedir trabalhadores e/ou a fechar:

- A Delphi despediu 500 trabalhadores na Guarda. E fechou a fabrica de Porte de Sôr.

- A Qimonda (produtora de chips de memória) decretou falência na Alemanha, o que teve repercussões na sucursal portuguesa: 590 empregados foram despedidos.

- A Repsol de Sines colocou, desde Junho, o regime de lay-off, bem como a redução de um terço dos salários.

- A Rhode de Santa Maria da Feira lançou um pedido de insolvência. Para evitar o fecho, implementou-se o lay-off. Ainda assim, 984 trabalhadores foram despedidos.

35. Depois de uma reestruturação polémica, é criado o Sistema de Segurança Interna. Este é chefiado por um ecretário-geral – por Mário Mendes (antigo juiz-conselheiro) foi nomeado para o cargo.

Este sistema, criado para transferir uma directiva europeia para a legislação portuguesa, pretende reunir sob a alçada de um coordenador das várias forças de segurança (PSP, GNR) a investigação criminal e uma base de dados criminal e permitindo a troca de dados entre países da União Europeia.

36. Portugal com dois orçamentos rectificativos num ano! E houve deflação a partir de Março.

37. A má qualidade de um jornalismo sem jornalistas, baseado em comunicados de imprensa e na Lusa. Esta tendência cada ano piora.

Despedimentos no Grupo Controlinveste (detentor do Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Diário de Notícias da Madeira), Media Capital (sobretudo no Rádio Clube Português), Motorpress, entre outros.

38. No Irão, as eleições presidenciais levaram ao voto em massa. A frustração pelos resultados à revolta em massa.

39. Na África do Sul, Jacob Zuma foi eleito, numa altura em que se acentuam as desigualdades sociais.

40. Foi um ano muito bom para os “comunistas liberais” (expressão de Slavoj Zizek): Bill Gates, George Soros, Larry Page e Sergey Brin (criadores do Google), Al Gore, Thomas Friedman, Warren Buffet, Bono, Jacques Attali, entre outros. Fornecimento de serviços grátis, uso da precaridade e  da especulação financeira como armas para criar riqueza, emprego massivo da caridade como forma de legitimação e participação em parcerias público-privadas são algumas  das características desta elite mundial.

41. Barack Obama aumentou o número de militares no Afeganistão, e pressionou todos os países da NATO a fazerem o mesmo. Por sua vez, o Iraque ainda está muito longe da estabilização.

No Afeganistão, Hamid Karzai foi reeleito, depois de acusações de corrupção q naue envolveram os observadores das Nações Unidas. Notar também a persistência talibã.

42. Golpe de Estado nas Honduras, depondo Manuel Zelaya, eleito democraticamente. Embora este golpe tenha sido condenado por todos os países, sucederam-se longas negociações sem resultados, fizeram-se novas eleições (aparentemente “não houve nada”) e foi eleito Porfirio Lobo Sosa. Alguns governos da região (Costa Rica, Colômbia e Panamá) seguiram a linha dos Estados Unidos e reconheceram a legitimidade dos seus resultados. Mas muitos outros países da região não reconheceram estas eleições como legitimas.

43. Novo ciclo político no concelho de Leiria: o PS de Raul Castro vence as eleições. Numa câmara que atingiu, segundo o Tribunal de Contas, os limites do endividamento, precisam-se de soluções criativas. A primeira hipótese é a venda do Estádio Magalhães Pessoa. A segunda é privatizar a rede de águas. Esperemos, pois, 2010.

44. A crise económica fez-se sentir na região de Leiria de uma forma maior em 2009. Embora a tendência de decréscimo de negócios e de falências de empresas já exista desde há cerca de uma década, 2009 marcou o fim da região de Leiria como oásis de empreendedores.

45. Herman José é despedido da SIC. Depois de uma breve passagem pela TVI (as coisas não corram bem) tem-se dedicado a fazer espetaculos.

46. Morte de Michael Jackson e o retro 80 como tendência, misturando-se politica e moda, num saudosismo muito útil.

47. Cristiano Ronaldo, saindo do Manchester United para o Real Madrid, preconizou a transferência mais cara de sempre: 96 milhões de euros.

48. Os livros reeditados e os que ficaram por reeditar.

O incêndio no Hot Clube português: assim se vão perdendo espaços de convívio e diversão que não sejam discotecas ou centros comerciais.

49. Constatar que muitas relações se tornam áridas com o tempo.

50. Constatar que a Internet (e a blogosfera em particular) se mantêm as mesmas relações entre as pessoas que existem cá fora. As pessoas aparentemente importantes desprezam as outras aparentemente pouco importantes. Não acabou o snobismo nem o falso mérito.

Fonte das Imagens: Modernariato; Praia da Claridade; NewsOne; Mar Cáustico.

1. Aumento do desemprego e da precaridade. O desemprego oficial chega agora 500 mil pessoas, isto fora os reformados compulsivos, os que escolheram emigrar ou quem faz apenas alguns biscates. E há ainda a multidão dos trabalhadores precários, muitos a falsos recibos verdes (esta tendência de precarização que afecta especialmente os jovens com curso superior).

2. A beatificação de Nuno Álvares Pereira e todo o folclore à volta disso.

3. A polémica com Maitê Proença ou como os portugueses estão cansados de serem colonizados pelos brasileiros, tanto os do Brasil como os de Portugal.

Ainda vindos do Brasil, a Duda Propaganda criou uma colecção de anúncios ridículos ao Pingo Doce.

4. Na educação o culminar das reformas de Maria Lurdes Rodrigues e dos seus secretários de estado, iniciada no inicio da legislatura, e que terminou com sua substituição: o trabalho sujo já estava feito. Agora, é tempo de fingir apaziguar os professores. Os professores perderam muito este ano, mesmo com vitórias negociais dos sindicatos (que na pratica se saldam em migalhas). Mas os alunos actuais e os do futuro perderam muito mais!!

5. Na saúde, o colher dos frutos da acção de Correia de Campos. Menos médicos, mais privatização. E menos qualidade de serviço.

6. O fim dos discursos (no estrangeiro) que era necessário regulação para os bancos e a persistência de bónus astronómicos para gestores, por lucros só conseguidos graças à ajuda estatal. Isto depois de em 2008 se ter vangloriado a intervenção do Estado na economia, que culminou na atribuição do Prémio Nobel a Paul Krugman.

7. A Gripe A, o medo inerente a ela e as mortes. Apesar de em Portugal ter havido poucas mortes, comparadas com outros países, foi um choque saber da morte de fetos depois da vacina ter sido administrada às mães (mesmo que não seja certo que essa era a causa de morte) e de pessoas fora dos grupos de risco (acontecerão 2 ou 3 casos). São 69 mortes até agora, em Portugal!

8. Aumento da videovigilância em muitas cidades portuguesas, da vigilância electrónica de vários governos e companhias e da desvalorização da privacidade de uma maneira geral (enquanto valor a preservar).

9. a Índia foi apresentada em versão etílica no filme “Quem quer ser milionário?” de Danny Boyle.

10. A obamomania, que culminou numa atribuição do Nobel completamente desfasada: nunca tanta expectativa foi posta em alguém que já decepcionou (e vai decepcionar) tanto! Efectivamente, nada mudou muito, nem na política interna nem na externa. A América neo-conservadora está bem, recomenda-se e Barack Obama faz parte dela.

11. Manuela Moura Guedes, o seu jornalismo oco e o caso do seu afastamento. Este afastamento mostrou como funciona o complexo político-mediático português, onde ninguém é inocente politicamente. Nem a afastada.

12. Alberto João Jardim na Madeira. Continua a equação: Desenvolvimento Económico + Caciquismo Politico e Muitos “Afilhados” + Apelo ao Preconceito, ao Medo e Demagogia Eleitoral + Chantagem sobre o Estado de Direito. Todos os partidos políticos do continente – e em especial o PS e do PSD – há muito que se demitiram de fiscalizar politicamente o governo regional da Madeira.

Por exemplo, João Jardim chegou ao ponto de cortar toda a publicidade ao Diário de Notícias além das 400 assinaturas de organismos públicos, indo ao ponto de, em inaugurações oficiais e comícios partidários, pressionar assinantes e anunciantes do jornal. Ao mesmo tempo tornou o Jornal da Madeira gratuito e triplicou a tiragem, à custa de subsídios comunitários e dinheiro disponibilizado pelo governo português.

13. Os padres, os bispos, o papa, viram-se contra a laicidade, e querem condicionar as vidas das pessoas de uma forma avassaladora e totalitária. Bento XVI reviu o Direito Canónico, passando a considerar sem efeito os casamentos entre católicos e não católicos (cadê a tolerância cristã?!). Em visita a África disse que a SIDA não se combatem com preservativos (os curandeiros locais agradeceram a dica). No Brasil uma mãe é excomunhada por ter menina brasileira de 9 anos, que foi submetida a um aborto depois de ter sido violada pelo padrasto. E em Portugal os católicos quiseram condicionar de todas as formas o casamento civil homossexual (casamento civil!).

14. O fim do caso BCP. Os casos BPN e BPP. Em Portugal a melhor maneira de roubar um banco é geri-lo. E para além dos casos mediáticos a corrupção bancária está bem e recomenda-se.

15. As polémicas do presidente Cavaco Silva com o governo – e vice-versa. No dia 18/08/2009 o Público noticiava em manchete: “Presidência suspeita estar a ser vigiada pelo Governo”. Um mês depois sabe-se que a fonte da notícia foi Fernando Lima, acessor da Presidência da República, isto através de um e-mail reproduzido no Diário de Notícias. Lima é afastado do cargo de assessor para a Comunicação Social, mantendo-se no entanto em funções na Presidência. Depois, antes das autárquicas, Cavaco Silva faz uma declaração, assinalando que foi pressionado por elementos do PS para que não autorizasse a participação de membros da sua Casa Civil na elaboração do programa do PSD. Também declara que desconhecia o teor do e-mail citado no Diário de Notícias. Esta declaração enfraqueceu o presidente da República.

16. A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climatéricas de Copenhaga saldou-se num acordo de intenções, com duas páginas e meia, cozinhado por Estados Unidos, China, Índia, Brasil e África do Sul. Barack Obama tinha saído dos Estados Unidos com uma meta de redução de 17% aprovada pelo Senado Americano e não pode dar mais. Muitos países anunciaram limites voluntariamente, que ainda vão ser postos no papel. Muito pouco.

17. Novas potências económicas tiveram oportunidades de consolidar o seu poder: China, Índia, Rússia e Brasil.

18. China e Estados Unidos continuaram a disputa pelos recursos naturais de África taco-a-taco. A China não impõe contrapartidas políticas, o que a faz tornar-se um parceiro apetecível para os políticos locais. Barack Obama implementou o plano de George W. Bush para a criação de um comando militar destinado a resolver os assuntos de África, o Africom. Está em marcha uma grande guerra económica invisível – a visível será a “guerra ao terrorismo” em África.

19. O Tratado de Lisboa foi imposto nos países da União Europeia. A Irlanda, depois de bem pressionada e reflectida, disse “Sim” em referendo. Sem demoras, os chefes de estado elegeram um presidente (nova figura, anteriormente não existente) que não fizesse sombra à Alemanha, à França e ao Reino Unido. O ex-primeiro ministro belga Herman Van Rompuy.

20. As polémicas pelo livro Caim, de José Saramago. Não pode um ateísta escrever um romance (ficção!) a desmontar a Bíblia?

21. O ciclo eleitoral português: eleições europeias, legislativas e autárquicas.

22. As consequências das legislativas para Portugal: um governo PS minoritário; o aumento dos votos no CDS depois de uma campanha baseada no medo; a deriva política do Bloco de Esquerda. Solução do governo PS para ir sobrevivendo: a dramatização da ingovernabilidade.

23. Em Itália, Sílvio Belusconi procurou por todas as formas controlar os media. Em Junho 2009 numa reunião da Confederação Italiana de Industria, convidou os publicitários para interromper ou boicotar os contratos de publicidade com as revistas e jornais publicados pelo Grupo Editorial L’Espresso (em especial ao jornal La Reppublica e a revista L’Expresso), acusando-os de alimentar a crise económica e de o atacarem. Em Outubro voltou a repetir os ataques, desta vez a todos os jornalistas. Em Outubro de 2009 os Repórteres sem Fronteiras vieram a publico chamar a atenção que a Itália está a beira de fazer parte da lista dos predadores da liberdade de expressão.

Sílvio Belusconi teve a hipótese de recorrer à vitimização como forma de legitimação, depois de ter sido agredido por um engenheiro que sofria de perturbações mentais, o.em Dezembro.

24. Ponto alto do Twitter e do Facebook. A partir de agora a tendência será estas duas redes sociais começarem a passar de moda. Qual será a próxima moda? Escrever mensagens infográficas?

25. Crise na publicidade em Portugal. Crise de ideias (tendência vinda de outros anos) e de contractos. Por exemplo, 18 agencias entregaram propostas num concurso público para publicitar os Comboios de Portugal.

A publicidade eleitoral distinguiu-se pela(s) ironia(s) e palavras vãs.

Fonte das Imagens: Rádio Pico; RTP; Herdeiro de Aécio; Chimes.

Postal de Natal

24/12/2009

Este vídeo foi realizado na cadeira de Projecto II, no curso de Design da Universidade de Aveiro. Encontrei-o no De Rerum Natura, e é um interessante alerta contra o consumismo excessivo.

Votos de Feliz Natal.

Poesia e ritmo

13/12/2009

A poesia é escrita não para ser dita, mas para ser pensada, degustada. No entanto, a há sempre uma relação com a oralidade: “porquê este verso termina aqui e não ali?”. Procura-se sempre casar o ritmo, mesmo na poesia mais visual – através de uma combinação de sons visuais procura-se transmitir uma mensagem (muito subjectiva tanto para o emissor/poeta como para o receptor/leitor). Daí a relação da poesia com a música.

Há excepção da poesia que chega pelo ouvido, combinada com a música para fazer canções, ou da poesia que foi transmitida oralmente seguindo moldes tradicionais (também chamada poesia etnográfica) a poesia é uma actividade que apenas interessa a um conjunto pequeníssimo de pessoas – uns milhares, se formos optimistas. De resto, ninguém tem motivação para deslindar escolhas (“porquê esta palavra e não outra?”), significados de frases e a (in)coerência de uma obra.

A propósito de: Serão Literário das Cortes de 12/12/2009 e de São Douradas as Cordas de Daniel Basílio (Textiverso, 2009).

Fonte da Imagem: O Livreiro Assassino.

Intervalo

07/12/2009

Este blogue continua parado por mais algum tempo.

Fonte da Imagem: Artinconu (pintura de Sigmund Walter Hampel).

Decidi limitar a minha participação nas redes sociais a meia dúzia de aderências (logo, de empresas) porque:

- Somos cada vez mais indivíduos atomizados, com cada vez menor noção de pertença a um sítio. Tudo é efémero, mas hoje tem-se essa consciência maior disso, porque para além da morte, as relações pessoais parecem ter prazo de validade para muitos (veja-se o aluguer de amigos). Somos muitos sentados à frente do nosso computador a emitir opiniões ou a dialogar com alguém virtualmente (afinal, é para isso que servem as redes sociais), com uma ligação vaga a pessoas ou comunidades reais.

- Revolta-me a hipótese de se saber de tal forma os gostos, a vida e o que pensa cada pessoa, deixando assim pouco espaço para a privacidade – e para respirar. Sou constantemente bombardeada com publicidade, de inúmeras formas, até ao cansaço!

- Nem toda a publicidade-a-si-mesmo é positiva: todos temos um lado negro que se manifestará mais tarde ou mais cedo. E aquilo que uns vêm como qualidade, para outros será defeito.

- Não há tempo sequer para blogar como desejaria. Milhões de lençóis de texto ficaram por escrever por falta de tempo, que inclui motivação para pesquisar mais e para pensar mais antes de escrever (por sua vez, o Twitter está limitado a 140 caracteres!).

- Dizer o que pensamos a todo o momento: esses pensamentos ficam para os amigos de carne e osso, não para ilusões sociais de conhecimento, pessoas que têm um alcance limitado na nossa vida. Concedo que o Twitter seja útil a um jornalista no exercício da sua profissão – que se pode actualizar constantemente com novas informações – não a mim.

- A blogosfera já teve o seu ponto alto como moda. Agora é moda estar no Twitter e no Facebook. Qual será a próxima moda? Escrever mensagens infográficas?

- É melhor fixar meia dúzia de locais virtuais onde estar, em vez de se dispersar informação e atenção pessoal por muitos sítios.

Nota: Agradeço ao Pedro Jerónimo a palavra: túitar.

Leitura Adicional: Virtual communities: abort, retry, failure?

Fonte da Imagem: Flammarion Cysneiros.

Morreu Jorge Ferreira, professor de Direito da Comunicação Social na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Durante a licenciatura comecei a ser leitora assídua do seu blogue, Comunicar a Direito. Depois, conheci-o pessoalmente quando veio a Leiria participar no ENEJC 2006, de cuja organização fiz parte. Pareceu-me uma pessoa dinâmica, sempre a tentar movimentar os alunos, demasiado parados para a sua energia. Também acompanhei durante algum tempo o seu blogue Tomar Partido e sei que froi um dos fundadores do Partido Nova Democracia. Em termos políticos, teríamos pontos de vista quase totalmente divergentes. Em termos pessoais, ficam os sentimentos à família e aos amigos.

NOTA: Daniel Pádua, activista do software livre brasileiro também morreu ontem. Ele deixou um poema que gostei de descobrir hoje: Tenha experiências…

Fonte da Imagem: O Templário.

Última Actualização: 22/11/2009

050447Não me identifico com o comunismo. Desde pequena foi-me dito que votar nos comunistas era mau. Mas o único voto que eu conseguia dar é um voto de protesto, não um voto “útil”! Depois de mais de uma década a exercer os meus direitos de eleitora, decidi que desta vez o meu voto teria de ser para os comunistas.

O Bloco de Esquerda parecia inicialmente uma boa opção para exercer este tipo de voto, mas dado que fui constatando uma grande deriva dentro do partido, com alguns rostos a mostrarem desejar apenas o poder pelo poder, acabou por ser preterido, depois de vários anos em que foi escolha para voto de protesto. A colagem de Francisco Louçã ao PS no final da campanha das legislativas deixou-me com a ideia que tomei a decisão certa.

O PS era o partido em que desejava ter votado. Mas um PS social-democrata, não este, que desde os anos 80 colocou o socialismo na gaveta! Com as suas reformas neo-liberais sob capa de “preocupação social” e com a sua retórica “nós somos a salvação” tornou-se o pior partido possível. A concordar com essas reformas que implicam perda de direitos dos trabalhadores, seria mais coerente votar no PSD ou no CDS-PP!

A CDU (ou melhor dizendo, o PCP) tem um anti-americanismo primário e uma noção de regime político no qual não me revejo. No entanto, têm sido os mais coerentes defensores dos trabalhadores. Também têm sido dos poucos partidos que têm resistido às luzes da União Europeia – cujos fundos e políticas ofuscam o juízo da maioria dos partidos portugueses. Não sou anti-capitalista, mas para defender as empresas portuguesas nenhum dos outros partidos tem feito nada de relevante.

(Assim, o meu voto no PCP assegura aos maledicentes a desculpa das minhas simpatias comunistas para explicar determinado comportamento meu. Assim, é-lhes dado uma oportunidade única para confirmarem as suas teorias ocas).

Termino citando Adolfo Casais Monteiro:

«E quem não compreenderá que um homem simples e sincero prefira ter-se como comunista a estar condenado à inacção, pois que, por motivos tão evidentes que não me parece necessário alongar-me a tal respeito, o prestigio do nome é algo que polariza vontades de acção de outro modo inutilizadas? Isto que o bom-senso mostra é, evidentemente, ignorado pelo “anti-comunismo”, o melhor aliado de Salazar, sem dúvida possível. (…) Sob o anti-comunismo, está a mesma reacção. Uma reacção inimiga da tortura, da censura, etc. Mas inimiga, também, dos mais elementares direitos de um povo a uma vida económica com um nível mínimo de dignidade que tornará possível falar na sua liberdade. Porque não há liberdade com fome. E fome não se suprime com palavras, mas com leis que não podem limitar-se a mudar a fachada (…)».

Fonte da Imagem: Spectrum.

Última Actualização: 22/11/2009

Para que conste 5

13/11/2009

- O Público mudou de director recentemente. Mas continua a sua longa e difícil caminhada para se tornar algo tão inútil como um jornal gratuito, que se lê e se deixa num vão de escada.

- Entretanto, o director do Sol veio dizer que a homossexualidade é uma moda. Uma moda desde 2400 a. C.! José António Saraiva nãosabe o que é ter de se assumir a homossexualidade ainda hoje perante a família. E não acredito que a homossexualidade seja um contágio, como afirma.

- Tozé Martinho é um actor, argumentista (de telenovelas). Também é político: concorreu à Assembleia Municipal de Benavente pelo PSD. A sua última novela, Sentimentos, está muito bem escrita: muito levezinha, cheia de conflitos facilmente resolúveis, e algum mistério policial para contrabalançar. Só tem um ou dois vilões, porque é toda a gente muito boa.

Entre as personagens: uma comunista e um fascista. Incentivados por um padre, eles vão trabalhar para um supermercado para maiores de 65. Só acção, só boas intenções! Enquanto eles se convertem à democracia (já que ambos são pessoas cheias de bons sentimentos), vende-se o comunismo e o fascismo como coisas boas, que até podem coexistir pacificamente, desde que devidamente arbitradas por um padre. Faz-se também a apologia da não-política – local neutro sem conflitos ideológicos. Enfim, um paraíso anti-democrático…

Retro 80

02/11/2009

Na  sociedade de consumo as pessoas não podem parar de fazer o dever de consumir (ter emprego é apenas para um grupo cada vez mais selecto; consumir é um direito universal, individual e intransmissível). Por isso é necessário periodicamente renovar os objectos de consumo – e de desejo). Assim aparecem periodicamente (ultimamente até anualmente) as tendencies que vão ao retro e tornam-no in, através da renovação.

i-love-80s(Está bem, foi uma década importante para mim, porque a vivi (com menos intensidade que as décadas posteriores, é certo). É claro que eu gosto dos anos 80!… Sobretudo dos desenhos animados e de certos programas televisivos, mas…)

Para quem não os viveu, ou para quem é obrigado a revivê-los agora porque quer seguir a tendency, os anos 80 do século XX aparecem agora em versão resumida e condensada: um pastiche-XXI. Nessa imitação não faltam diários de Ronald Reagan, reedições de Duran Duran, filmes sobre Michael Jackson (cuja morte beneficiou a procura), amens a Madonna, concertos dos U2, coleccionáveis de Bruce Springsteen, quedas do Muro de Berlim (as comemorações vêem mesmo a calhar), botas horríveis, entre outros objectos de culto!

Para que nada nos falte, a Visão, na sua submarca Visão Estilo+Design, tem um número dedicado à causa – o retro 80 – em que Miguel Esteves Cardoso, um dos gurus portugueses daquela década se dedica a tecer rasgados elogios e pesarosas criticas. A mais sentida critica é esta:

CIMG0102_Ed«O defeito dos anos 80, aqui em Portugal, foi pensar que, com muito trabalho e muito entusiasmo, podíamos acompanhar o mundo. Não podemos. Mas aquilo que ficou de termos tentado – uma vida nocturna à medida do freguês; coisas que desistiram de tentar ser como as estrangeiras e se viram devolvidas à originalidade (ou só graça) de serem portuguesas – já não foi mau».

Assim, o grande guru nos diz que Portugal só faz sentido como macaquinho de imitação. Entre os elogios, há que destacar Manuel Reis (fundador do Frágil), José Pedro Croft, Herman José, Vicente Jorge Silva (!!), Mário Soares (surpresa!), Margarida Martins (presidente da Abraço) e Cavaco Silva (!!!). Portanto um re-Independente versão da Visão-século XXI.

Fonte das Imagens: Lixo Pop (1ª); sabine (2ª).

Última Actualização: 03/11/2009