Postal de Natal
24/12/2009
Este vídeo foi realizado na cadeira de Projecto II, no curso de Design da Universidade de Aveiro. Encontrei-o no De Rerum Natura, e é um interessante alerta contra o consumismo excessivo.
Votos de Feliz Natal.
Poesia e ritmo
13/12/2009
A poesia é escrita não para ser dita, mas para ser pensada, degustada. No entanto, a há sempre uma relação com a oralidade: “porquê este verso termina aqui e não ali?”. Procura-se sempre casar o ritmo, mesmo na poesia mais visual – através de uma combinação de sons visuais procura-se transmitir uma mensagem (muito subjectiva tanto para o emissor/poeta como para o receptor/leitor). Daí a relação da poesia com a música.
Há excepção da poesia que chega pelo ouvido, combinada com a música para fazer canções, ou da poesia que foi transmitida oralmente seguindo moldes tradicionais (também chamada poesia etnográfica) a poesia é uma actividade que apenas interessa a um conjunto pequeníssimo de pessoas – uns milhares, se formos optimistas. De resto, ninguém tem motivação para deslindar escolhas (“porquê esta palavra e não outra?”), significados de frases e a (in)coerência de uma obra.
A propósito de: Serão Literário das Cortes de 12/12/2009 e de São Douradas as Cordas de Daniel Basílio (Textiverso, 2009).
Fonte da Imagem: O Livreiro Assassino.
Intervalo
07/12/2009
Este blogue continua parado por mais algum tempo.
Fonte da Imagem: Artinconu (pintura de Sigmund Walter Hampel).
Porque ainda não comecei a túitar
22/11/2009
Decidi limitar a minha participação nas redes sociais a meia dúzia de aderências (logo, de empresas) porque:
- Somos cada vez mais indivíduos atomizados, com cada vez menor noção de pertença a um sítio. Tudo é efémero, mas hoje tem-se essa consciência maior disso, porque para além da morte, as relações pessoais parecem ter prazo de validade para muitos (veja-se o aluguer de amigos). Somos muitos sentados à frente do nosso computador a emitir opiniões ou a dialogar com alguém virtualmente (afinal, é para isso que servem as redes sociais), com uma ligação vaga a pessoas ou comunidades reais.
- Revolta-me a hipótese de se saber de tal forma os gostos, a vida e o que pensa cada pessoa, deixando assim pouco espaço para a privacidade – e para respirar. Sou constantemente bombardeada com publicidade, de inúmeras formas, até ao cansaço!
- Nem toda a publicidade-a-si-mesmo é positiva: todos temos um lado negro que se manifestará mais tarde ou mais cedo. E aquilo que uns vêm como qualidade, para outros será defeito.
- Não há tempo sequer para blogar como desejaria. Milhões de lençóis de texto ficaram por escrever por falta de tempo, que inclui motivação para pesquisar mais e para pensar mais antes de escrever (por sua vez, o Twitter está limitado a 140 caracteres!).
- Dizer o que pensamos a todo o momento: esses pensamentos ficam para os amigos de carne e osso, não para ilusões sociais de conhecimento, pessoas que têm um alcance limitado na nossa vida. Concedo que o Twitter seja útil a um jornalista no exercício da sua profissão – que se pode actualizar constantemente com novas informações – não a mim.
- A blogosfera já teve o seu ponto alto como moda. Agora é moda estar no Twitter e no Facebook. Qual será a próxima moda? Escrever mensagens infográficas?
- É melhor fixar meia dúzia de locais virtuais onde estar, em vez de se dispersar informação e atenção pessoal por muitos sítios.
Nota: Agradeço ao Pedro Jerónimo a palavra: túitar.
Leitura Adicional: Virtual communities: abort, retry, failure?
Fonte da Imagem: Flammarion Cysneiros.
Jorge Ferreira e a morte
21/11/2009
Morreu Jorge Ferreira, professor de Direito da Comunicação Social na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Durante a licenciatura comecei a ser leitora assídua do seu blogue, Comunicar a Direito. Depois, conheci-o pessoalmente quando veio a Leiria participar no ENEJC 2006, de cuja organização fiz parte. Pareceu-me uma pessoa dinâmica, sempre a tentar movimentar os alunos, demasiado parados para a sua energia. Também acompanhei durante algum tempo o seu blogue Tomar Partido e sei que froi um dos fundadores do Partido Nova Democracia. Em termos políticos, teríamos pontos de vista quase totalmente divergentes. Em termos pessoais, ficam os sentimentos à família e aos amigos.
NOTA: Daniel Pádua, activista do software livre brasileiro também morreu ontem. Ele deixou um poema que gostei de descobrir hoje: Tenha experiências…
Fonte da Imagem: O Templário.
Última Actualização: 22/11/2009
Não me identifico com o comunismo. Desde pequena foi-me dito que votar nos comunistas era mau. Mas o único voto que eu conseguia dar é um voto de protesto, não um voto “útil”! Depois de mais de uma década a exercer os meus direitos de eleitora, decidi que desta vez o meu voto teria de ser para os comunistas.
O Bloco de Esquerda parecia inicialmente uma boa opção para exercer este tipo de voto, mas dado que fui constatando uma grande deriva dentro do partido, com alguns rostos a mostrarem desejar apenas o poder pelo poder, acabou por ser preterido, depois de vários anos em que foi escolha para voto de protesto. A colagem de Francisco Louçã ao PS no final da campanha das legislativas deixou-me com a ideia que tomei a decisão certa.
O PS era o partido em que desejava ter votado. Mas um PS social-democrata, não este, que desde os anos 80 colocou o socialismo na gaveta! Com as suas reformas neo-liberais sob capa de “preocupação social” e com a sua retórica “nós somos a salvação” tornou-se o pior partido possível. A concordar com essas reformas que implicam perda de direitos dos trabalhadores, seria mais coerente votar no PSD ou no CDS-PP!
A CDU (ou melhor dizendo, o PCP) tem um anti-americanismo primário e uma noção de regime político no qual não me revejo. No entanto, têm sido os mais coerentes defensores dos trabalhadores. Também têm sido dos poucos partidos que têm resistido às luzes da União Europeia – cujos fundos e políticas ofuscam o juízo da maioria dos partidos portugueses. Não sou anti-capitalista, mas para defender as empresas portuguesas nenhum dos outros partidos tem feito nada de relevante.
(Assim, o meu voto no PCP assegura aos maledicentes a desculpa das minhas simpatias comunistas para explicar determinado comportamento meu. Assim, é-lhes dado uma oportunidade única para confirmarem as suas teorias ocas).
Termino citando Adolfo Casais Monteiro:
«E quem não compreenderá que um homem simples e sincero prefira ter-se como comunista a estar condenado à inacção, pois que, por motivos tão evidentes que não me parece necessário alongar-me a tal respeito, o prestigio do nome é algo que polariza vontades de acção de outro modo inutilizadas? Isto que o bom-senso mostra é, evidentemente, ignorado pelo “anti-comunismo”, o melhor aliado de Salazar, sem dúvida possível. (…) Sob o anti-comunismo, está a mesma reacção. Uma reacção inimiga da tortura, da censura, etc. Mas inimiga, também, dos mais elementares direitos de um povo a uma vida económica com um nível mínimo de dignidade que tornará possível falar na sua liberdade. Porque não há liberdade com fome. E fome não se suprime com palavras, mas com leis que não podem limitar-se a mudar a fachada (…)».
Fonte da Imagem: Spectrum.
Última Actualização: 22/11/2009
Para que conste 5
13/11/2009
- O Público mudou de director recentemente. Mas continua a sua longa e difícil caminhada para se tornar algo tão inútil como um jornal gratuito, que se lê e se deixa num vão de escada.
- Entretanto, o director do Sol veio dizer que a homossexualidade é uma moda. Uma moda desde 2400 a. C.! José António Saraiva nãosabe o que é ter de se assumir a homossexualidade ainda hoje perante a família. E não acredito que a homossexualidade seja um contágio, como afirma.
- Tozé Martinho é um actor, argumentista (de telenovelas). Também é político: concorreu à Assembleia Municipal de Benavente pelo PSD. A sua última novela, Sentimentos, está muito bem escrita: muito levezinha, cheia de conflitos facilmente resolúveis, e algum mistério policial para contrabalançar. Só tem um ou dois vilões, porque é toda a gente muito boa.
Entre as personagens: uma comunista e um fascista. Incentivados por um padre, eles vão trabalhar para um supermercado para maiores de 65. Só acção, só boas intenções! Enquanto eles se convertem à democracia (já que ambos são pessoas cheias de bons sentimentos), vende-se o comunismo e o fascismo como coisas boas, que até podem coexistir pacificamente, desde que devidamente arbitradas por um padre. Faz-se também a apologia da não-política – local neutro sem conflitos ideológicos. Enfim, um paraíso anti-democrático…
Retro 80
02/11/2009
Na sociedade de consumo as pessoas não podem parar de fazer o dever de consumir (ter emprego é apenas para um grupo cada vez mais selecto; consumir é um direito universal, individual e intransmissível). Por isso é necessário periodicamente renovar os objectos de consumo – e de desejo). Assim aparecem periodicamente (ultimamente até anualmente) as tendencies que vão ao retro e tornam-no in, através da renovação.
(Está bem, foi uma década importante para mim, porque a vivi (com menos intensidade que as décadas posteriores, é certo). É claro que eu gosto dos anos 80!… Sobretudo dos desenhos animados e de certos programas televisivos, mas…)
Para quem não os viveu, ou para quem é obrigado a revivê-los agora porque quer seguir a tendency, os anos 80 do século XX aparecem agora em versão resumida e condensada: um pastiche-XXI. Nessa imitação não faltam diários de Ronald Reagan, reedições de Duran Duran, filmes sobre Michael Jackson (cuja morte beneficiou a procura), amens a Madonna, concertos dos U2, coleccionáveis de Bruce Springsteen, quedas do Muro de Berlim (as comemorações vêem mesmo a calhar), botas horríveis, entre outros objectos de culto!
Para que nada nos falte, a Visão, na sua submarca Visão Estilo+Design, tem um número dedicado à causa – o retro 80 – em que Miguel Esteves Cardoso, um dos gurus portugueses daquela década se dedica a tecer rasgados elogios e pesarosas criticas. A mais sentida critica é esta:
«O defeito dos anos 80, aqui em Portugal, foi pensar que, com muito trabalho e muito entusiasmo, podíamos acompanhar o mundo. Não podemos. Mas aquilo que ficou de termos tentado – uma vida nocturna à medida do freguês; coisas que desistiram de tentar ser como as estrangeiras e se viram devolvidas à originalidade (ou só graça) de serem portuguesas – já não foi mau».
Assim, o grande guru nos diz que Portugal só faz sentido como macaquinho de imitação. Entre os elogios, há que destacar Manuel Reis (fundador do Frágil), José Pedro Croft, Herman José, Vicente Jorge Silva (!!), Mário Soares (surpresa!), Margarida Martins (presidente da Abraço) e Cavaco Silva (!!!). Portanto um re-Independente versão da Visão-século XXI.
Fonte das Imagens: Lixo Pop (1ª); sabine (2ª).
Última Actualização: 03/11/2009












